Hellen Souza, da redação

 

No Estado do Rio Grande do Sul estão nada menos que 1.218 transformadores de plásticos, a segunda maior concentração de empresas do setor, após o Estado de São Paulo, de acordo com o último levantamento da Abiplast. Muito do que se consome em bens duráveis, bens de consumo e de uso único no País sai dessas fábricas, e hoje muitas delas estão com suas atividades paralisadas, provavelmente com seus ativos imobilizados ou danificados e arcando com grandes perdas de estoques de matéria-prima. Informações da base de dados da Plástico Industrial apontam como as principais atividades delas a fabricação de embalagens, autopeças, brinquedos, utensílios domésticos e calçados, com predominância das que processam por injeção e extrusão e que têm até 50 funcionários.

O evento climático desde o início deste mês tem trazido um enorme volume de chuvas ao RS possivelmente afetou também boa parte das 115 empresas de reciclagem de plásticos do Estado. Das 497 cidades gaúchas, 447 foram afetadas pelas águas, provocando um impacto ainda pouco mensurável na economia deste estado fortemente industrializado.

 

 Atendimento pelas equipes de saúde da Prefeitura de Porto Alegre a abrigados no Vida Centro Humanístico, em Porto Alegre (Cristine Rochol/PMPA).

 

Quando se fala da tragédia desencadeada pelas recentes chuvas é comum utilizarmos termos como “grande possibilidade, provavelmente, possivelmente” pois, neste momento, nada é certo a não ser a necessidade de salvar vidas. No entanto, a atividade econômica é um item fundamental no horizonte das ações a serem tomadas para remediar os impactos das cheias e providenciar a recuperação das regiões atingidas. Fala-se menos em reconstrução e mais em adaptação, tendo em vista que a estrutura das cidades deverá levar em conta as novas condições climáticas que se estabeleceram e que provocam eventos extremos, a exemplo da seca histórica no Amazonas, no final do ano passado.

 

Um estudo recente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), com dados até 13 de maio, situa em 94,3% o percentual das atividades econômicas no Estado que foram afetadas pelas chuvas, apontando entre as localidades mais atingidas aquelas onde se encontram os principais polos industriais do Estado, com destaque para a Região da Serra, Região Metropolitana de Porto Alegre e Região do Vale dos Sinos, onde há forte presença da indústria metal mecânica, de veículos, de autopeças e de calçados. A instituição compilou na tabela abaixo as informações sobre dez regiões econômicas, com dados sobre o Valor Adicionado Bruto (VAB) e demais indicadores que ajudam a caracterizar os danos potenciais da paralisação das atividades em decorrência das cheias.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: FIERGS

 

Matéria-prima na rota das águas

 

Em coletiva de imprensa cujos dados foram divulgados pelo uol, a Braskem informou que reduziu o uso de sua capacidade de produção de 75% para 50% com a paralisação da planta no polo petroquímico de Triunfo, onde é produzido o polietileno (PE) verde, cuja capacidade foi aumentada em 30% no ano passado. A empresa informou que costuma ter em suas unidades no exterior estoques suficientes para dois a três meses, e por isso descarta em um primeiro momento a escassez de produtos para atendimento aos clientes, estimando em três meses o prazo para retomada das atividades.

A destruição causada pelas chuvas ao sistema viário é um complicador igualmente importante, pois impede a movimentação de matéria-prima vinda de eventuais fornecedores alternativos.

 

 

Transformadores afetados

Gerson Haas (foto ao lado), presidente do Sinplast, Sindicato das Indústrias de Material Plástico no Estado do Rio Grande do Sul e diretor da Soprasinos (Novo Hamburgo, RS), conversou com a reportagem da Plástico Industrial sobre o difícil momento pelo qual passam as empresas transformadoras da região, adiantando que não é possível dimensionar os danos às instalações do setor que foram tomadas pelas águas. “Devido aos riscos, a defesa civil impede até mesmo que as pessoas se aproximem das empresas, mas é de se esperar a perda de máquinas, comandos, equipamentos periféricos e de estoques de matéria-prima. Há empresas que não vão reabrir, tamanho o volume das perdas. A própria sede da FIERGS está debaixo d’água”, comentou.

Na sua avaliação, alguns equipamentos poderão ser recuperados, ainda que com bastante trabalho, mas será necessário um grande esforço conjunto para reerguer o setor no Estado.

 

 

Solidariedade no Sistema S

 

Dentre as metas já traçadas para a recuperação das indústrias de transformação afetadas está a cooperação da rede de Senais do Estado do Rio Grande do Sul. Cada uma das unidades, dentro de sua especialidade, vai atuar na recuperação de máquinas para que as fábricas voltem a produzir o quanto antes e os empregos sejam mantidos.

 

Outra ação do Sistema S diante do violento evento climático inclui o uso das instalações dos Sesis para alojamento e permanência das vítimas até que elas possam voltar para suas casas.

 

“Os próximos passos serão quantificar os danos, adequar a legislação de modo que ela guie com eficiência as ações em momentos de catástrofe, e depois partir para a recuperação”, enfatizou Haas, destacando a importância dos plásticos de uso único no atendimento às vítimas.

 

“Recebemos muitas doações de descartáveis como copos, marmitas e pratos, de fabricantes da região de Criciúma, em Santa Catarina, por exemplo, e eles estão contribuindo com as condições mínimas de sobrevivência das pessoas”, comentou, referindo-se ao uso dos recipientes na distribuição de alimentos e água para as vítimas das cheias.

 

Haas também enfatizou a ajuda que tem sido destinada às vítimas, partindo de todas as partes do Brasil e também de países vizinhos: “”É surpreendente a solidariedade do País para com o povo gaúcho”.

 

Além dos canais oficiais pelos quais são recebidas doações, a exemplo dos Correios fabricantes de itens de higiene e limpeza e cuidados pessoais também podem se mobilizar para enviar donativos.

 

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