por Flávio Silva*

Desde o final de setembro o País vem sofrendo com questões ambientais que estão dificultando a chegada de importações. Basicamente, tivemos fortes chuvas no Sul do País com impacto no Porto de Itajaí e seca forte na Região Norte, com impacto sobre o nível dos rios na Região Amazônica e prejuízos ao acesso ao porto de Manaus.

 

Resumidamente, o Porto de Itajaí, devido às chuvas, ficou com suas operações paralisadas cerca de 15 dias em outubro. E o Porto de Manaus, por conta da seca na região e baixa do nível do Rio Negro, está com suas operações comprometidas desde final de setembro. No final de outubro o rio atingiu a mínima histórica do nível de água. Com isso, dois dos três maiores portos do País tiveram restrições ao recebimento de mercadorias. Então é importante entender como essa questão foi considerada e se refletiu no mercado de resinas termoplásticas neste período de maior impacto, que foi o mês de outubro.

 

Em uma primeira análise é importante ter a visão do todo das importações de resinas. O gráfico abaixo mostra o histórico desde 2022 até outubro de 2023, mês a mês (contempla polietileno, polipropileno, PVC, PET, poliestireno, ABS e SAN).

 

Fonte: ComexStat, com elaboração da Ohxide

 

Fica claro a partir da observação do gráfico que houve um aumento expressivo das importações a partir do segundo semestre de 2022. Isto em função da redução dos preços de resinas, queda nos valores dos fretes internacionais e redução da taxa de câmbio dólar/real.

 

Quando se considera de julho de 2022 para frente, chega-se a uma média de 215 mil toneladas importadas por mês. Porém, para os meses de setembro e outubro de 2023, este valor caiu para cerca de 197 mil toneladas, 8,4% menor. Isto foi impacto das questões logísticas nos portos de Itajaí e Manaus.

 

Agora concentrando a análise nos três principais porto do País que recebem importações de resinas termoplásticas, Itajaí, Santos e Manaus, temos:

 

Fonte: ComexStat, com elaboração Ohxide

 

Fica bem nítido o declínio do recebimento de Itajaí e Manaus, principalmente, no mês de outubro. Já o porto de Santos vai na contramão e recebe um volume maior de mercadorias em outubro, em uma clara estratégia de compensação frente à redução de transações em Itajaí, principalmente, por estar mais próximo: parte do volume foi absorvido por Santos (aumento de 36% em relação à média do ano), enquanto Itajaí teve redução de 62% e Manaus 87%.

 

No próximo gráfico, veremos que o volume de Manaus foi, em boa parte, transferido para Suape, Salvador e Santos, enquanto o volume de Itajaí foi para portos do Estado de Santa Catarina, tais como São Francisco do Sul e Imbituba, com reflexo também em Paranaguá (PR) e no Porto de Rio de Grande (RS). Outros volumes menores também foram notados em portos de menor capacidade.

* O Porto de Imbituba não recebeu importações de resinas termoplásticas em 2023, logo o percentual calculado ficou desproporcional aos demais. O fato é que em outubro recebeu mais de 17 mil toneladas para compensar problemas em Itajaí.

Fonte: ComexStat, com elaboração da Ohxide

 

Os problemas de recebimento do Norte (Manaus) fizeram com que parte do volume fosse remanejado para Suape e Salvador (com 95% e 45% mais volume de resina recebido do que a média do ano de 2023), e parte foi “perdida”, ou seja, deixou de ser entregue. Já no Sul os volumes que iriam para o Porto de Itajaí foram distribuídos entre os portos de Santa Catarina (São Francisco do Sul e Imbituba), Paraná (Paranaguá e Foz de Iguaçu) e Rio Grande do Sul (Jaguarão, Uruguaiana, Rio Grande e Chuí).

 

Com esta análise fica claro que só não houve uma redução maior das importações devido às mudanças nos portos de chegada de muitos navios. Com isso, conseguiu-se minimizar o impacto no mercado, que mesmo assim foi forte. A região de Santa Catarina já retomou as atividades e segue para normalização das entregas ao longo do mês de novembro.

 

A região Norte ainda está com complicações, pois a baixa do Rio Negro, embora tenha cessado, ainda está longe de ter sido revertida, só devendo se normalizar para circulação de navios em final de dezembro, se seguir as previsões de precipitação na região.

Com isso, nesses últimos dois meses do ano a questão de Manaus ainda terá impacto nas importações.

 

A Ohxide produz relatórios mensais de preços e mercado, uma publicação que cobre sete famílias de produtos (PE, PP, PVC, PET, PS, ABS e SAN) em três regiões (SP, Sul e NE).

 

Imagem de abertura: Shutterstock

 

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*Flávio Silva é sócio-diretor da Ohxide Consultoria (Rio de Janeiro, RJ e Paulínia, SP)



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