Hellen Souza, da redação
Filmes multicamadas têm sido um desafio para os recicladores, e a Deink Brasil (Itupeva, SP), resolveu encará-lo de frente investindo no desenvolvimento de uma tecnologia que promete trazer o conceito de circularidade para este segmento das embalagens plásticas.
A empresa anunciou o desenvolvimento de um processo que recebeu a denominação de 4D, e inaugurou uma nova era na reciclagem de filmes plásticos de BOPP multicamada pós-consumo ao solucionar as restrições econômicas e operacionais que existiam para a sua recuperação. A tecnologia consiste na delaminação, desmetalização e destintamento dos filmes, que têm seus materiais segregados e destinados às aplicações pertinentes. Em tempo, o quarto “d” da sigla que dá nome ao processo se refere à “disrupção” que o caracteriza.
O processo consiste na moagem, lavagem, separação e tratamento dos residuos por produtos químicos à base de água. Ao final, obtém-se a borra de tinta que é reaproveitada pela indústria do setor, uma pequena fração de alumínio que também é revendida, e o polipropileno (PP) que passa por extrusão para dar origem aos grânulos comercializados junto a transformadores de plásticos, podendo ser usado na injeção de peças para segmento de eletrodomésticos de linha branca, eletroeletrônicos, utilidades domésticas e também na extrusão de novos filmes.

Marcelo Mason (foto), diretor de Sustentabilidade e ESG da empresa, explicou que a Deink já havia trazido para o Brasil, em 2017, a tecnologia de destintamento desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Alicante (Espanha), para a recuperação de filmes monocamada, sob um acordo de uso exclusivo por dez anos. As duas linhas de destintamento que operam por esse princípio processam filmes de polietileno (PE), mas podem também processar polipropileno.
A tecnologia 4D, desenvolvida pelo grupo de P&D da Deink, complementa e amplia o espectro de materiais que podem ser reciclados, concentrando-se agora sobre o polipropileno biorientado (BOPP) metalizado, até então considerado um resíduo de difícil reaproveitamento. Marcelo informou que a produção desse tipo de material no Brasil está em torno de 160 a 170 mil toneladas/ano, de acordo com dados da Câmara Setorial de Filmes, da
Abiplast, sendo o Estado de São Paulo responsável por 60 a 70% do consumo. A Deink possui uma capacidade de reprocessamento de cerca 15 mil toneladas/ano, próximo de 10% da produção nacional, um volume significativo, mas que vai aumentar, tendo em vista que ainda há bastante espaço nos 30 mil metros quadrados de terreno onde está instalada a empresa.
Para o início de julho está previsto que a linha de 4D passe a processar 25 mil toneladas/ano. Uma terceira linha deverá entrar em operação em 2024, elevando a produção para 30 mil toneladas/ano. A implementação da nova tecnologia é resultado de investimentos de R$ 85 milhões, captados junto a investidores. “A conquista da Deink pode ser definida como desenvolvimento de um ciclo fechado e sustentável, utilizando soluções químicas sem solventes”, concluiu Marcelo.
Fotos: Deink
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