A possibilidade de formular compostos termoplásticos usando pó de madeira não é exatamente uma novidade para a indústria de plásticos. Desafios técnicos e de mercado dificultaram a popularização deste material desde o seu surgimento, há mais de 20 anos. Ainda assim, o setor tem crescido bastante no Brasil e hoje, de acordo com o levantamento anual feito pela Plástico Industrial junto aos transformadores que utilizam o processo de injeção, aponta que 20% deles trabalham com os chamados compostos de WPC (do inglês wood plastic compound, de composto plástico com carga de madeira ou, madeira plástica, como é mais conhecido). O material é mais popular, no entanto, entre as empresas que trabalham com extrusão, processo pelo qual são produzidos perfis que dão origem a diversos tipos de produto.
Um dos segmentos em que há mais aceitação para esse tipo de composto é o de construção de decks e demais itens para construção civil, em substituição à madeira. Afinal, os compostos têm
aparência similar ao material natural, mas apresentam melhor resistência a intempéries, sendo por isso adequados para a fabricação de itens que ficam ao ar livre. Somou-se a esta conveniência a possibilidade de uso de resinas recicladas, o que vai ao encontro da pauta de sustentabilidade (ESG) de muitas empresas. O polietileno de alta densidade (PEAD) usado em frascos, por exemplo, é um forte candidato a se tornar WPC após reciclado e receber aditivação e carga de madeira, como explicou o diretor de novos negócios da Star Deck Madeiras (Porto Alegre, RS), Eduardo Aparecido.
Depois de extrudado na forma de perfis, o WPC pode ser usado em projetos urbanísticos, compondo mobiliário urbano, a exemplo de bancos na orla de praias, decks em grandes clubes e parques, áreas de convivência, entre outros. Resistente a intempéries, tem vida útil longa, entre 50 e 80 anos. É impermeável, fácil de limpar e manusear e resistente a cupins.
Economia a longo prazo
Em termos de preço, a madeira plástica ainda é, em média, 20% mais cara do que a natural. Mas, a médio e longo prazo, torna-se uma opção econômica por demandar menos manutenção: "Tudo é uma questão de tempo, investimentos e normas mais rígidas para sustentabilidade; já tivemos um grande progresso com o avanço da cultura ESG e em pouco tempo, o preço já é igual ao da madeira certificada de qualidade", avalia Eduardo, que trabalha com compostos de WPC há 20 anos e acompanhou a formação deste mercado no Brasil.
Ele conta que adaptou seu próprio negócio ao produto, com base na observação de mercados como o norte-americano e o europeu: "Os americanos aprovam a madeira plástica, não apenas porque é um produto verde, mas porque é uma decisão econômica e de fácil manutenção também", explica.
A Star Deck possui uma fábrica em Porto Alegre (RS), um showroom em São Bernardo do Campo (SP), cidade da região metropolitana de São Paulo com forte tradição moveleira, e uma filial em Feira de Santana (BA). A aposta neste mercado é expressa pelo plano de expansão da marca, que consumirá cerca de R$ 3,5 milhões e envolve a criação de pelo menos seis novas lojas próprias até 2025, além da ampliação do show room da matriz e do pátio fabril no Sul do País.
Imagem: Star Deck
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