Enquanto o mercado europeu segue aquecido para os fabricantes de tubos poliolefínicos, com a expectativa de uma modernização antecipada da sua rede de tubulações de água e esgoto no pós-pandemia, o mercado brasileiro segue apenas estável, ao sabor de acontecimentos na esfera política que ditam o compasso dos investimentos diretos em infraestrutura.

 

Dois anos após aprovação da Lei 14.026, que atualiza o marco legal do saneamento básico, com a proposta de acelerar a universalização do saneamento e a qualificação dos prestadores de serviços no setor, ainda não se verificou o impacto esperado, especialmente entre os fornecedores de tubulações e sistemas em polietileno de alta densidade (PEAD), que atendem aos requisitos de estanqueidade e demais propriedades necessárias às tubulações para o mercado de saneamento.

 

Em entrevista à Plástico Industrial, Rogério Cardinali Martins, secretário executivo da Associação Brasileira de Tubos Poliolefínicos e Sistemas (ABPE), comentou o atual cenário do setor de tubos poliolefínicos e a sua relação com o novo marco e as resoluções que dele deveriam decorrer. Segundo ele, o mercado de tubos poliolefínicos aplicados no setor de saneamento tem melhorado desde 2019, mas ainda não se trata de um reflexo do novo marco do saneamento, e sim, da retomada dos investimentos após o período crítico de recessão que caracterizou a era pós-Lava-jato.

 

O secretário revelou que em 2021, o crescimento do setor foi da ordem de 12% em relação a 2020, pautado por investimentos de algumas empresas expandindo seu portfólio e/ou sua atuação regional como forma de antecipação das mudanças que virão em decorrência da nova lei do saneamento: “Esperamos que a partir de 2023 se concretizem os vultosos investimentos anunciados”.


 

Tubo de PEAD com parede estruturada para drenagem pluvial

 

Expectativa para 2023

 

Rogério ponderou que, embora ainda não tenha tido reflexos diretos, o novo marco do saneamento criou a expectativa de que o crescimento do setor de tubos poliolefínicos ultrapasse a casa dos 30% anuais. “Se forem confirmados os investimentos divulgados pelos meios de comunicação, pelas empresas do setor e pelo BNDES, o incremento de valores na melhoria da infraestrutura do setor entra na casa dos 20 bilhões de reais ao longo dos próximos oito anos. Será?”. De acordo com o entrevistado, no Estado do Rio de Janeiro estima-se que no triênio 23/24/25, haverá consumo exponencial de tubos de PEAD.

 

Independentemente da nova lei do saneamento, os investimentos em novas redes de abastecimento de água e esgoto já eram necessários, mas a sua promulgação abriu caminho para investimentos mais robustos no setor. Rogério considera que, com a chegada do novo marco legal, novas empresas estão assumindo as concessionárias e demais empresas de saneamento, alterando as estruturas do corpo de engenharia das organizações e promovendo a adoção de tecnologias modernas que proporcionam melhor desempenho de instalação e operação, além de menores índices de perdas de água tratada: “Não podemos esquecer da precariedade em que se encontram as redes de esgoto, necessitando de investimentos pesados para levar e elevar o índice de coleta de esgotos dos brasileiros”, avaliou.


 

Empresas capacitadas e abastecimento de matéria-prima estável


 

Questionado sobre a capacitação da indústria brasileira para responder ao aumento de demanda que se avizinha, o secretário considerou que os fabricantes locais têm parques fabris modernos, e o investimento em novos equipamentos e unidades dependerá do fato de as expectativas do mercado se tornarem realidade. Segundo ele, as redes necessitam ser renovadas, com emprego de tecnologia de ponta, reduzindo o tempo de instalação e evitando a perda da água tratada, contaminação de lençol freático pelo esgoto e doenças devido à falta do saneamento. Para isso, os tubos de PEAD, em suas versões lisas ou corrugadas, com paredes estruturadas, seriam uma solução bastante recomendada, pois possuem durabilidade de aproximadamente 50 anos após o início de operação.

Quanto ao fornecimento de resina, Rogério considera que após um período de alta nos preços internacionais, o abastecimento de insumos para as empresas representadas pela ABPE atualmente é regular, sem escassez ou complicações logísticas: “Sentimos o impacto dos aumentos de preços, mas agora no pós-pandemia esperamos que não haja mais sobressaltos daqui por diante”, concluiu.

 

Ao que tudo indica, o setor está preparado para reagir com vigor ao primeiro sinal de concretização dos investimentos em saneamento que, em qualquer dos cenários político-eleitorais possíveis, não poderá deixar de ocorrer.

Tubos de PEAD com parede estruturada para condução de esgoto

 

 

Fotos: ABPE


 

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#ABPE #tubospoliolefínicos #marcodosaneamento



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