A Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes de Uso Doméstico e de Uso Profissional (Abipla) divulgou um comunicado prevendo um crescimento em torno de 3% para este ano, ainda sob impacto dos novos hábitos derivados da pandemia de Covid-19. 

 

O setor fechou o ano de 2020 com um volume de produção estável, na comparação com  2019, e vem crescendo acima do PIB há alguns anos. A pandemia, no entanto, apesar de ter provocado uma demanda maior por produtos de desinfecção, exigiu que as indústrias adaptassem rapidamente suas estratégias para garantir acesso da população a itens de limpeza.“Vivemos  uma montanha-russa no ano passado. As empresas tiveram que alterar cronogramas de lançamento e lidar com aumentos súbitos de demanda em determinados produtos, tais como água sanitária, desinfetantes e sabão em barra. Como o setor costuma basear suas estratégias em planejamentos de longo prazo, foi um grande desafio”, afirmou Paulo Engler, diretor-executivo da Abipla.

 

Para se ter uma ideia da volatilidade enfrentada em 2020, de janeiro a julho o setor cresceu 5,9%, em relação ao mesmo período de 2019. No entanto, a produção caiu bruscamente no segundo semestre. “A queda coincide com a diminuição do auxílio emergencial”, informou Engler, lembrando que, mesmo com a baixa no segundo semestre, o setor fechou com números melhores que os da indústria em geral, que caiu 4,5%, segundo o IBGE, e o próprio recuo estimado do PIB – analistas de mercado calculam uma baixa de 5% na economia brasileira, em 2020. “Comparativamente, estamos bem. Além disso, viemos de uma base alta, por conta do crescimento forte nos últimos anos”, conclui.

A perspectiva de imunização em massa não afeta as previsões de bom desempenho para o setor, tendo em vista que os hábitos de higiene adquiridos tendem a se manter.

De acordo com o gerente de Produtos de Higiene, Perfumes, Cosméticos e Saneantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Itamar de Falco Junior, como  a imunização ainda vai levar um tempo para beneficiar todos os brasileiros, a manutenção dos cuidados tomados até aqui é fundamental. “Entendo que continuar promovendo as ações de limpeza e desinfecção das superfícies e a prática de antissepsia das mãos, seja lavando com água e sabonete ou utilizando solução de álcool em gel, ajudará a manter a saúde de cada um até chegar sua vez de ser vacinado”, alertou.

 

Mais produtos e mais embalagens

O diretor executivo da entidade acredita  que, em 2021, o mercado, que responde por um faturamento anual de mais de R$ 26 bilhões, deverá receber lançamentos em diversos segmentos, tais como limpeza perfumada, detergentes para roupas, amaciantes e produtos multiuso, levando a reboque o aumento do consumo de embalagens: “São demandas interdependentes. Os fabricantes de  saneantes não contam com um estoque de embalagens de longo prazo, portanto, havendo aumento da venda de produtos de limpeza, a indústria vai precisar de mais embalagens”.

O polietileno de alta densidade (PEAD) e o papelão ondulado são os  itens mais utilizados no setor. Frascos soprados em PEAD, por sua vez, são uma solução  interessante tanto em termos de custo quanto de qualidade, mas os polietilenos de baixa densidade também  têm boa demanda, sendo bastante usados na embalagem de produtos sólidos e mais  leves.

 De acordo com Engler, o setor trabalha com modelos bastante diversificados de suprimento de embalagens, alternando a fabricação própria, in house e terceirizada. “Como os fabricantes costumam ter uma  linha muito ampla de produtos e, consequentemente, uma grande variedade de  embalagens, não há um modelo predominante, variando de acordo com a estratégia  de cada empresa. Se pensarmos que uma mesma empresa pode produzir sabão em  barra, detergente para roupas em pó, água sanitária e amaciante, por exemplo, temos  ideia da variedade de embalagens utilizadas. Todas elas têm características técnicas  específicas”, explicou. 

  

Escassez de reciclados 

A indústria de embalagens para produtos de higiene e limpeza é também forte consumidora de resinas recicladas. De acordo com Engler, quase todas as empresas do setor já  contam com políticas de uso do. “Claro que elas estão em níveis  diferentes. Temos associados que já trabalham com metas de usar 100% de material  reciclado em suas embalagens em poucos anos, enquanto outros estão em fase de  implementação. No entanto, é preciso destacar que a demanda por embalagens  recicladas, no setor de saneantes, já é maior que a oferta. As indústrias de limpeza  absorvem o que está disponível no mercado e isso acaba sendo um gargalo para uma  adoção maior de reciclados”, concluiu. 

 

Fotos: Freepik


 

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