Hellen Souza, da redação

 

A cadeia nacional do plástico enfrenta hoje um período de profunda reestruturação institucional e técnica com a entrada em vigor do Decreto 12.688/2025, que obriga fabricantes de embalagens, recicladoras e detentores de marcas (brand owners) a cumprir metas progressivas de logística reversa e de incorporação de conteúdo reciclado na fabricação de novos produtos. Para 2026, o texto legal estipula um índice inicial de recuperação de embalagens de 32%, com projeção de atingir 50% até 2040. Simultaneamente, a exigência de conteúdo reciclado começa em 22% este ano, devendo alcançar os 40% até 2040.

 

Este cenário, que já era uma realidade para as grandes corporações desde 2025, se estende a partir do mês de julho às pequenas e médias empresas, com o cumprimento das normas sendo monitorado de perto pelo Estado, que aplicará sanções e multas às empresas não conformes.

 

Para garantir a conformidade exigida pelo novo marco legal, a rastreabilidade surge como o pilar central, especialmente para as indústrias fabricantes de embalagens. Atenta a este novo contexto, a Afinko Polímeros, laboratório situado em São Carlos (SP), está lançando no mercado um pacote abrangente de serviços laboratoriais customizados e consultoria técnica voltada para transformadores, recicladores e proprietários de marcas.

 

A empresa estruturou programas de ensaios para os plásticos commodities (PE, PS, PP, PET, e PVC), que representam cerca de 90% do volume processado mundialmente na fabricação de embalagens. Porém, estruturas com barreira e eventuais formulações contendo polímeros de engenharia poderão ser estudados à parte.

 

Rastreabilidade e qualidade do material reciclado

 

Os testes oferecidos pela Afinko abrangem ensaios obrigatórios de controle da qualidade e também opcionais, com a emissão de laudos técnicos sobre propriedades como índice de fluidez, nível de contaminação e estabilidade de cor. Em entrevista à Plástico Industrial, o diretor técnico da empresa, Henrique Finocchio (foto), explicou como serão estruturados os serviços que vão apoiar a comprovação da rastreabilidade dos resíduos e da sua reutilização nas linhas de produção: “Há uma forte tendência de que o mercado nacional adote como parâmetro de controle a norma europeia EN 15343, que especifica os requisitos para a elaboração de relatórios detalhados de rastreabilidade do plástico reciclado, separando-os por tipo. A comprovação do cumprimento dessas metas dependerá de certificados homologados por verificadoras independentes cadastradas, cujo papel técnico é auditar criteriosamente os documentos que atestam o balanço de massa das indústrias, com autoridade para contestar qualquer inconsistência nos dados de produção e reciclagem apresentados”.

 

De acordo com Henrique, a terceirização das análises laboratoriais especializadas é uma decisão estratégica não só para as pequenas e médias empresas, mas também para as grandes corporações que demandam agilidade no cumprimento de prazos curtos e alto rigor técnico, sem os custos operacionais de implementar laboratórios complexos. A Afinko possui acreditação ISO 17025 pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), o que garante a precisão e aceitação oficial dos resultados pelas auditorias.

 

Além do fornecimento de laudos, os serviços da empresa incluem apoio técnico avançado aos fabricantes de embalagens, com o objetivo principal de evitar a variação de propriedades dos plásticos reciclados comprados de terceiros. A consultoria atuará diretamente na orientação quanto à aditivação e ao ajuste de variáveis de processo dos transformadores, além de aconselhar os recicladores a investirem adequadamente em maquinário de triagem e processamento, de modo a elevar o nível de qualidade das resinas regeneradas.

 

Como o novo decreto abrange também a responsabilidade socioambiental corporativa, as empresas estão obrigadas por lei a promover ações de educação ambiental. Nesse aspecto, a Afinko oferecerá treinamentos internos nas empresas e ações educativas em escolas e comunidades, replicando um modelo de conscientização que já é aplicado com sucesso no município de São Carlos (SP), além de atuar no treinamento de cooperativas de catadores para evitar a mistura de resíduos que degrada o material.

 

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