Um aditivo desenvolvido para o combate à proliferação de fungos e bactérias foi recentemente avaliado como eficaz contra a proliferação do novo coronavírus. Trata-se do d2pAM, um conjunto de substâncias desenvolvido pela britânica Symphony Environmental, representada pela RES Brasil, que pode ser adicionado a formulações plásticas baseadas em diferentes famílias de resinas, tornando os itens fabricados capazes de conter a propagação da Covid-19.

Os testes foram realizados recentemente pelo Eurofins, grupo internacional de laboratórios que fornece serviços de teste às indústrias farmacêutica, de alimentos, ambiental, de agrociência e de produtos de consumo e a governos. Eles apontaram a redução de mais de 99,84% do coronavírus nas superfícies dos plásticos analisados, conforme norma internacional ISO 21702-2019.

A substância, classificada como não-tóxica, incorpora-se ao material plástico em nível molecular, mantendo ação permanente até o fim da vida útil do item moldado. É indicada para produtos e embalagens em geral que tenham alto risco de contaminação cruzada, tais como embalagens de alimentos, bebidas, produtos de higiene e limpeza, sacos e sacolas plásticas, cartões de crédito e/ou débito, filmes de cobertura para terminais bancários, teclados, bandejas de restaurantes, tintas, tubulações de água, sacos de lixo, EPIs como máscaras, luvas, gorros, aventais e muitos outros produtos. 

 

Abastecimento garantido

Eduardo Van Roost, diretor da RES Brasil, explicou que o aditivo pode ser aplicado em PP, PE, PET, PS, PC, PVC, entre outros materiais, e o fornecimento para o mercado brasileiro tende a ser rápido: “Conforme a demanda avance, poderemos abrir cotas para importação, com garantia de abastecimento”.

No caso de polietileno (PE) e polipropileno (PP), o dspAM pode inclusive ser usado de forma conjunta com o d2W, promotor de biodegradação amplamente difundido no Brasil, sem interferir em sua ação, e também com os agentes que permitem a autenticação de produto (traçadores). Os materiais aditivados com ele também podem ser reciclados sem que sofram qualquer modificação em razão da presença do antimicrobiano. “O produto final permanecerá um antimicrobiano de amplo espectro e ao final da sua vida útil será biodegradável em conformidade com a norma ASTM 6954-18. Embalagens e produtos plásticos com esta combinação podem ser testados e autenticados com o aparelho d2detector, disponível no Brasil, e assim o consumidor terá a certeza que o produto é legítimo”, informou Van Roost.

Os componentes do aditivo estão em conformidade com os regulamentos e resoluções de órgãos como FDA,  ANVISA e União Europeia para contato com alimentos, medicamentos e cosméticos.

Além da sociedade civil, diversos setores da economia podem ser beneficiados pela inovação, entre eles o médico-hospitalar, laboratórios, food delivery, consultórios, bares, restaurante e e-commerce. “Segundo estudos, os vírus podem sobreviver em plásticos por até nove dias em temperatura ambiente e alguns agentes infecciosos sobrevivem em hospitais por até 46 meses. Acredito que muita coisa vai mudar no pós-pandemia no que diz respeito a controles sanitários e de higiene. A população já tem adotado alguns hábitos novos, como limpar sacolas e embalagens de produtos depois de chegar do mercado ou da feira. Então tudo o que vier para facilitar a rotina e trazer segurança será bem-vindo”, avaliou o executivo. 


Na foto, luva biodegradável contendo o aditivo antimicrobiano, eficaz também contra o novo coronavírus

 

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