As máscaras de proteção se tornaram um item de uso diário, como forma de conter a propagação da Covid-19. Para os deficientes auditivos, porém, ela é uma barreira a mais na comunicação, já que muitos dependem da leitura labial.

A partir da ideia apresentada por um colaborador de uma das marcas do Grupo VW no Brasil, a Fundação Grupo Volkswagen e empreendedoras de seu projeto “Costurando o Futuro” iniciaram a construção de protótipos de máscaras contendo um filme plástico na região da boca, buscando a acessibilidade e humanização na comunicação entre as pessoas, com e sem deficiência.

O desafio de fornecer um filme que reduzisse o embaçamento no momento da fala, a fim de não comprometer a visualização da leitura labial, foi levado à BASF, que desenvolveu uma proposta técnica compartilhada com a equipe da Parnaplast (Araucária, PR), recomendando para a produção do filme um sistema de extrusão da poliamida Ultramid C40L. “O filme é muito transparente, flexível, e possui boa resistência, necessária para a etapa de costura”, explicou Anderson Silva, coordenador de serviços técnicos em poliamidas da BASF.

O processo que dá origem aos filmes também contribuiu para o bom resultado. Aplicado pela Parnaplast, o processo Glass incorpora um resfriamento muitíssimo acelerado logo após a extrusão, seguindo a lógica da fabricação do vidro. Quanto mais rápido ele resfria, mais amorfa será a estrutura do plástico, proporcionando propriedades como alta transparência, brilho, flexibilidade e resistência. “O efeito antiembaçamento foi conquistado com uma mistura de materiais específicos para essa aplicação”, comentou Vinicius Luiz Kremer, gerente comercial da Parnaplast.

O material é adequado também para materiais e embalagens de grau cirúrgico, com garantia de resistência – podendo ser esterilizado em autoclave, por óxido de etileno (ETO) ou raios gama – ou ainda, para a fabricação de filmes flexíveis para termoformagem de embalagens de produtos alimentícios.

O filme para máscara foi produzido e doado em pequenas bobinas de aproximadamente 15 kg para manuseio ergonômico pelas costureiras do Costurando o Futuro. Já foi doado material suficiente para a produção de mais de 100 mil máscaras e uma segunda remessa já está sendo planejada. O projeto Costurando o Futuro, iniciativa da Fundação Grupo Volkswagen, é voltado à empregabilidade a ao empreendedorismo em comunidades por meio da formação profissional em costura. As máscaras são comercializadas pelo preço de custo e a renda é revertida para as empreendedoras.

A empresa está trazendo para o Brasil também a nova copoliamida Ultramid  RX2296(um grade modificado do Ultramid Flex F38) fabricada com 33% de matérias-primas renováveis, que poderá ser usada nesse tipo de aplicação. O material é recomendado para a fabricação de filmes multicamadas, tanto para embalagens de alimentos quanto aplicações técnicas. A solução foi empregada na fabricação de protetores faciais na Europa.

As máscaras estão disponíveis na loja virtual do projeto Costurando o Futuro.

 

Conteúdo relacionado:

 

Máscara de PETG produzida sob medida

Máscara antimicrobiana de TPE é desenvolvida no Brasil

 

 



Mais Notícias PI



Novos cursos online sobre plásticos têm inscrições abertas

ABPol divulgou uma programação de cursos da área de polímeros que serão realizados nos próximos meses.

12/01/2022


Empresa brasileira de aditivos antimicrobianos parte para internacionalização

Desenvolvedora de aditivos antimicrobianos baseados em nanotecnologia, a Nanox foi selecionada para integrar um programa que promoverá a sua inserção no mercado global.

22/10/2021


Pesquisa indica que investir em tecnologia é um caminho para enfrentar a crise

CNI divulgou estudo que mostrou que 88% das indústrias que adotaram o uso de tecnologia durante a pandemia obtiveram bons resultados.

22/10/2021