Hellen Souza, da redação

 

Peças com a resistência do aço fabricadas pelo processo de injeção de polímeros. Esta combinação é possível com o processo de injeção de pós metálicos (MIM, de metal injection molding), que emprega a flexibilidade de projeto e a alta produtividade que são típicas da moldagem por injeção de polímeros na obtenção de componentes em aço. O processo é uma derivação da tecnologia de injeção de pós (PIM, de Powder Injection Molding), que inclui também a injeção de materiais cerâmicos. Concorre diretamente com a microusinagem, a microfusão, o microforjamento e usinagem em geral.

 

A TecnoMIM, estabelecida em Cachoeirinha (RS), é das poucas empresas brasileiras que investiram na tecnologia MIM e nos equipamentos necessários para produzir componentes metálicos por este processo, fabricando itens para os setores de segurança, bélico, automotivo, instrumentação cirúrgica e odontológica, e também eletrodomésticos de linha branca (fotos abaixo).

 

 

O processo se baseia no uso de um material desenvolvido pela alemã BASF contendo cerca de 90% de aço e 10 % de polímero em sua composição. Fornecido em pellets, este material é injetado em uma máquina da também alemã Arburg, passando por rebarbação e inspeção antes de seguir para um forno em que ocorre a operação de debinding, um processo termoquímico que remove o polímero. Concluída esta etapa, a peça segue para o forno de sinterização, que opera na faixa de 1.200 a 1.400°C, sob vácuo ou atmosfera controlada, conforme o tipo de liga metálica que está sendo processada. Resta então, ao final, a peça 100% metálica, com as dimensões e geometria especificadas em projeto.

 

Wagner Caramez, sócio-diretor da empresa, informou que estão disponíveis mais de vinte tipos de ligas metálicas (aços ao carbono e aços inoxidáveis) para a moldagem MIM. Ele explicou também o que assegura a obtenção de peças finais sem distorção: “o material tem suas características controladas em nível de partículas, o que permite o ajuste micrométrico da forma e do raio das moléculas, fazendo com que a contração ocorra uniformemente e nos três eixos (isotropia). A precisão no controle da temperatura e a atmosfera controlada no forno também são fundamentais”.

 

Ele esclareceu também que o processo é adequado para a produção de componentes com até 300 gramas, mas a melhor relação custo/benefício ocorre quando se produzem peças com massa inferior a 100 g, principalmente devido ao custo do material. Peças metálicas de geometria complexa e que necessitam de altos volumes de produção são as principais candidatas ao processo.

 

A TecnoMIM opera hoje com uma capacidade de produção de 200 mil peças/mês, tomando por referência as que pesam até 100 gramas. Oferece estudos de viabilidade aos seus clientes que desejam optar pelo uso do processo MIM.

 

Foto: TecnoMIM


 

Leia também:

 

Inteligência artificial nas injetoras

 

IA e realidade aumentada para o chão de fábrica



 

#TecnoMIM #Injeçãodepósmetálicos



Mais Notícias PI



Chega ao mercado um sistema de monitoramento de robôs industriais

Foi lançado pela Yaskawa Motoman no Brasil o Checkbot, ferramenta que reúne recursos para supervisão de robôs desenvolvida por uma empresa da República Tcheca.

18/05/2026


Injetora totalmente elétrica foi lançada pela Chen Hsong

Já está disponível para comercialização a nova injetora Spark AE 300, que compõe uma série de máquinas 100% elétricas desenvolvida pela fabricante chinesa.

18/05/2026


Contaminantes na resina: projeto fará a transição de ensaios laboratoriais para o ambiente industrial

Consórcio coordenado pelo instituto alemão SKZ visa aprimorar sistemas de monitoramento em tempo real na extrusão para mitigar riscos operacionais decorrentes da presença de contaminantes em polímeros reciclados.

18/05/2026