A perda de valor nas cadeias produtivas decorrente de práticas econômicas lineares atinge anualmente 25,4 trilhões de euros no mundo — o equivalente a 31% do PIB global —, conforme aponta o relatório Circularity Gap Report 2026, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Economia Circular (Ibec) em cooperação com a Circle Economy e a Deloitte Netherlands. O estudo, que monitora os índices de circularidade globais, mensurou pela primeira vez em termos monetários o montante perdido em cada etapa de produção, uso e descarte de materiais devido à falta de modelos circulares, que implicam o reaproveitamento de matérias-primas, a exemplo da reciclagem de plásticos.

 

A análise técnica do relatório enfatiza que fatores críticos para o planejamento industrial, tais como o esgotamento de recursos primários, a subutilização de ativos, a geração de resíduos e a consequente redução da produtividade do trabalho, não são contabilizados nas equações econômicas convencionais. De acordo com a presidente do Ibec, Beatriz Luz (foto), o setor produtivo necessita expandir a fronteira de análise, quantificando o valor financeiro dos modelos circulares e o diferencial competitivo comercial, em vez de restringir as ações apenas ao gerenciamento e à reciclagem de resíduos no fim da cadeia. “Recuperar valor é a nova fronteira da competitividade. Se a economia global perde 1 euro para cada 3 euros gerados, políticas como o Decreto dos Plásticos mostram como a economia circular pode transformar perdas econômicas em oportunidades de inovação, investimento e desenvolvimento industrial para o Brasil. Precisamos mover o ponteiro da intenção para a ação. Se não forem criados meios de implementação e incentivos reais, as metas do decreto serão apenas números em uma folha de papel”, comentou.


Os dados históricos de circularidade global demonstram uma tendência de declínio que desafia a eficiência da recuperação de materiais. Em 2024, a taxa de circularidade mundial retrocedeu para 6,9%, comparada aos 7,2% registrados em 2023. Esse recuo técnico evidencia que o ritmo de crescimento da extração de recursos naturais supera os ganhos obtidos com a eficiência produtiva e a reciclagem por um fator de duas a três vezes, sinalizando que o aumento isolado de iniciativas circulares não tem sido suficiente para conter o consumo de matéria-prima virgem.

 

No âmbito nacional, o panorama é ainda mais crítico, visto que o Circularity Gap Report Brasil indicou uma taxa de circularidade de apenas 1,3% no último levantamento específico para o País. Para o mercado de transformação de plásticos e demais setores industriais, o Ibec aponta que o desafio atual superou a fase de diagnósticos ou desenvolvimento tecnológico isolado. A transição para um modelo sustentável viável tem por objetivo a integração sistêmica da cadeia produtiva, o comprometimento da indústria e o engajamento coordenado com agentes especializados para viabilizar o financiamento e transformar dados técnicos em viabilidade comercial.

 

O Circularity Gap Report 2026 pode ser acessado através do site

https://dashboard.circularity-gap.world/report/2026/cgr-2026-overview.

 

 

Imagem: Ibec

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