A indústria de máquinas e equipamentos registrou encerrou 2025 com um saldo positivo, embora tenha registrado desaceleração no mês de dezembro de 2025, especialmente nas vendas internas. É o que mostra o levantamento das atividades do mês de dezembro de 2025, divulgado pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

 

A receita líquida total do setor atingiu R$ 21,2 bilhões em dezembro de 2025, representando uma queda de 3,0% em relação a dezembro de 2024. No acumulado de 2025, porém, o setor apresentou recuperação significativa, com um faturamento total de R$ 298,98 bilhões, representando um crescimento de 7,3% em relação a 2024. A receita interna somou R$ 221,68 bilhões, crescimento de 8,4%—demonstrando que, apesar da pressão monetária, o desempenho das indústrias de transformação, setor agrícola e obras de infraestrutura viabilizaram investimentos ao longo do ano.

 

Exportações em alta com a diversificação de mercados

 

As exportações apresentaram melhor desempenho, totalizando US$ 1,43 bilhão em dezembro, um crescimento de 30,2% em relação a dezembro de 2024. No acumulado anual, as exportações cresceram 5,0% em relação a 2024, após uma retração de 7,8% no ano anterior.

 

A reconfiguração dos destinos das exportações foi notável, com o Brasil aumentando significativamente a sua presença na América Latina. O setor exportou 38,4% a mais para a Argentina, 17% a mais para o Chile e 22,5% a mais para o Peru. Outro destino importante foi Cingapura, com um crescimento de 74,3% das vendas. Em contrapartida, os negócios com os Estados Unidos caíram 9,1%, reflexo do aumento nas alíquotas de importação de máquinas brasileiras.

 

Esta mudança alterou o mapa dos destinos das exportações brasileiras de máquinas. Os Estados Unidos, que até 2024 representavam 27% das exportações, caíram para 23% em 2025. A América do Sul ampliou sua participação de 19,3% para 20,8%, consolidando-se como destino estratégico.


Recorde histórico nas importações

 

O relatório da Abimaq revelou também o crescimento acelerado das importações. Em dezembro, elas atingiram US$ 2,95 bilhões, representando um salto de 12,2% comparado a dezembro de 2024 e alcançando novo recorde mensal.

 

No acumulado de 2025, as importações totalizaram US$ 32,17 bilhões, valor 8,3% superior a 2024 e o maior nível da história do País. Este crescimento acelerado elevou o déficit da balança comercial de máquinas e equipamentos em US$ 18,35 bilhões em 2025, um aumento de mais de 120% em 15 anos, comparado à média de US$ 8 bilhões observada no período 2010-2014.

 

A China segue como principal fornecedora das máquinas importadas no Brasil, com 32,5% do total (gráfico ao lado), seguida pelos Estados Unidos (15,1%), Alemanha (11,9%), Itália (8,9%) e Japão (6,6%). As importações de máquinas e equipamentos representaram 46% do consumo nacional em 2025, proporção semelhante a 2024, mas quase o dobro da participação observada antes de 2014.


Consumo aparente e capacidade instalada

 

O consumo aparente de máquinas – soma da receita interna com importações – registrou queda de 7,5% em dezembro em relação ao mesmo período de 2024, indo de R$ 32,63 bilhões para R$ 30,18 bilhões. No acumulado anual, porém, o consumo cresceu 7,9%, atingindo R$ 410,99 bilhões, impulsionado principalmente pelo bom desempenho do primeiro semestre.

O nível de utilização da capacidade instalada (NUCI) atingiu 78,4% em dezembro, representando leve recuperação de 0,3% em relação a novembro, mas com aumento de 7,1% se comparado a dezembro de 2024 (73,2%).

Já a carteira de pedidos recuperou parte da queda acumulada desde junho de 2025. O setor encerrou o ano com carteira equivalente a 9,5 semanas, 4% acima da registrada em 2024, sinalizando algum otimismo para o primeiro trimestre de 2026.

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Investimentos em 2026

 

A pesquisa de investimentos do setor aponta que as empresas tendem a fazer suas aquisições de máquinas com cautela. Em 2025, foram realizados investimentos de R$ 9,55 bilhões, enquanto a previsão para 2026 é de R$ 10,07 bilhões, um crescimento de 5,5%.

 

A destinação dos investimentos revela prioridades distintas. A modernização tecnológica representou 35,1% em 2025, enquanto ampliação de capacidade industrial foi a meta de 28,4% das empresas. Para 2026, projetam-se mais investimentos em ampliação da capacidade produtiva (34,4%), o que indica recuperação da demanda.

 

Na avaliação por porte das empresas consumidoras, as micro e pequenas deverão reduzir investimentos em 1,3%,, enquanto médias aumentarão significativamente em 13,2% e grandes empresas consumirão 1,6% a mais.


 

Fonte:

ABIMAQ (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos). (2026). Indicadores Conjunturais da Indústria de Máquinas e Equipamentos – Janeiro de 2026. Brasília: DCEE/ABIMAQ.


 

Imagem: Abimaq


 

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