Pesquisadores da Universidade de Buffalo (EUA) publicaram na revista Nature um estudo sobre um método inédito de metrologia que utiliza uma técnica de sensoriamento não destrutiva para identif
icar e quantificar o teor de resinas recicladas em produtos plásticos , combinando propriedades triboelétricas, espectroscopia dielétrica, impedância e infravermelho médio (MIR) integradas a algoritmos de aprendizagem de máquina. Os testes foram feitos em amostras de PET com até 50% de material pós-consumo, tendo em vista desenvolver uma solução técnica para o controle de conformidade regulatória exigidos por diretrizes como o Regulamento da UE sobre Embalagens e Resíduos de Embalagens (PPWR) e o Sistema de Logística Reversa (SLR) de Embalagens de Plástico no Brasil, também conhecido como Decreto do Plástico.
A metodologia se baseia na detecção de alterações físico-químicas microscópicas que ocorrem durante os ciclos de reprocessamento. O estudo revelou que o aumento do conteúdo reciclado está diretamente associado a uma maior retenção de carga triboelétrica e elevação da perda dielétrica. Esses fenômenos são indicadores técnicos de defeitos estruturais como a quebra da cadeia polimérica e a polarização induzida por impurezas ou degradação térmica, que as técnicas de inspeção convencionais muitas vezes não conseguem quantificar com precisão.
Para processar a alta complexidade dos dados, foi desenvolvido um modelo de inteligência artificial (IA) que correlaciona as assinaturas espectroscópicas e dielétricas. O sistema alcançou uma precisão de classificação superior a 97% em amostras de poli(tereftalato de etileno) (PET) com teores de reciclado variando de 0% a 50%, faixa que compreende as metas globais de incorporação de reciclados pós-consumo (PCR, de Post-Consumer Recycled) em embalagens. A natureza não destrutiva do ensaio permite a análise direta em produtos acabados, eliminando a necessidade de preparação complexa de amostras em laboratório.
A implementação dessa tecnologia representa um avanço estratégico para a indústria de transformação, oferecendo uma ferramenta de auditoria técnica para validar declarações de conteúdo reciclado em toda a cadeia de suprimentos.
O artigo na íntegra pode ser conferido aqui.
Imagem: Shutterstock
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