Hellen Souza, da redação

 

A Pinhopó, fornecedora de cargas técnicas para formulações de plásticos WPC (wood plastic compounds, ou compostos com carga de madeira) está desenvolvendo junto a clientes do setor de autopeças o uso desse tipo de material na fabricação de painéis automotivos internos.

 

A farinha de madeira, um pó ultrafino desenvolvido pela empresa, pode ser adicionada às resinas plásticas com a finalidade de melhorar propriedades como isolamento térmico e acústico, que são características fundamentais para os painéis internos de veículos. Por isso têm sido usadas em peças como tampas para o compartimento de estepes, por exemplo (imagem ao lado). A capacidade de redução de vibrações, a moldabilidade das chapas e a facilidade de fixação por meio de roscas ou encaixes, são outros atrativos do material, assim como o potencial de neutralização de carbono a ser computado no processo. A farinha de madeira substitui materiais de origem fóssil e cargas minerais, evitando também a queima de serragem e maravalha (aparas de corte em formato espiral) da indústria madeireira.

 

Extrusão e termoformagem

 

O material tem sido usado na extrusão de chapas que são posteriormente termoformadas para compor os painéis, promovendo uma redução de peso que vai de vai de 10 a 15% em relação a versões anteriores feitas com materiais convencionais. Os desenvolvimentos levam de seis meses a um ano, envolvendo testes e ajustes.

 

Neste processo, a Pinhopó fornece as informações relacionadas principalmente à interação física da farinha de madeira com os materiais plásticos que constituem a matriz . “A ancoragem física e a dispersão são o segredo para o projeto ter sucesso.”, informou Ricardo Martins Soares, diretor de operações da Pinhopó (foto ao lado).

 

Ele informou ainda que a empresa já fornece para fabricantes de painéis automotivos e está caminhando para outras homologações. Isso levou a um crescimento de 20% das atividades em 2025, e à projeção de aumento semelhante para este ano.

 

Além do mercado automotivo, que hoje é destino de 15 a 20% da produção, a Pinhopó atua em segmentos como construção civil, utilidades domésticas e embalagens.

 

Pó ultrafino

 

A farinha de madeira fornecida pela Pinhopó é proveniente do corte e serragem de pinus puro, também conhecido como yellow pine, com teor de cinzas abaixo de 2%, composição granulométrica uniforme – na faixa de 35 a 200 meshe umidade máxima de 8%.

 

Essas características tornam a farinha de madeira mais estável, fazendo com que ela apresente melhor índice de homogeneização no composto, podendo eventualmente dispensar o uso de aditivos compatibilizantes. O material pode ser adicionado em polímeros como polietileno (PE), polipropileno (PP) e poli (cloreto de vinila) (PVC), processáveis por extrusão, injeção, termoformagem e rotomoldagem.

 

Imagens: Pinhopó (geradas por IA)

 

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