Hellen Souza, da redação


 

A evolução dos hábitos alimentares da população e a necessidade de aumento da produtividade do agronegócio aliada à redução da sua pegada de carbono, têm sido o motor do surgimento das chamadas agtechs, empresas que utilizam os mais recentes recursos tecnológicos na produção de alimentos. As tendências nesse sentido incluem a evolução das formas de produção, e as fazendas verticais estão entre as mais notáveis, pois resultam de uma confluência de demandas: maior produtividade com menor impacto ambiental e habilidade para simplificar a logística de atendimento aos consumidores dos grandes centros urbanos.

 

Equipadas para produzir itens como verduras, temperos, folhagens e os microverdes que encantam os pratos autorais de muitos expoentes da gastronomia, essas fazendas são instaladas em espaços restritos no meio urbano, mas são apoiadas em recursos tecnológicos que permitem obter produtividade máxima, com o uso racional de insumos no menor espaço possível.

 

Plásticos dão apoio

 

As fazendas verticais que estão se disseminando no meio urbano são espaços onde a produção de alimentos acontece em um ambiente protegido da luz solar, chuva, do vento e longe do solo. As mais comuns são instaladas em prédios, galpões ou coberturas (rooftops) de edifícios.

O local mais se assemelha a um laboratório, com prateleiras onde são dispostos os cultivares de verduras e ervas, sob a iluminação de lâmpadas de LED nas cores azul, vermelho e branco, que combinadas, compõem um tom rosa em toda a instalação. Há modelos com recursos para a modificação do comprimento de onda e da temperatura de cor (branco, amarelo, vermelho), conforme a cultura em questão e a sua fase de crescimento. Combinações de cor e comprimento de onda podem originar radiação luminosa com propriedades específicas de combate à disseminação de insetos e pragas.

 

As verduras e hortaliças podem ser cultivadas por hidroponia, que consiste no fornecimento de nutrientes apenas pela água que tem contato com as raízes, ou por aeroponia, com as plantas suspensas e alimentadas por aspersão. Em ambos os casos, as salas são fechadas e climatizadas de acordo com a necessidade da planta que está sendo cultivada, tendo o controle das tarefas executado por um sistema interligado.

 

“Nesse modelo de agricultura não há nenhum tipo de protetor de cultivo, químico ou biológico, mas a combinação de luzes que dão às plantas a energia necessária para realizarem a fotossíntese”, explicou Assunta Lisieux, gerente da linha de iluminação LED da Varixx (Piracicaba, SP), fabricante de luminárias que tem apostado no segmento e fornecido para fazendas verticais.

 

A empresa desenvolve e fabrica as luminárias LED utilizando componentes plásticos injetados e perfis de alumínio. A proximidade com os transformadores de materiais plásticos é grande, pois a Varixx desenvolve e usina os seus próprios moldes, mas delega a seus parceiros do segmento de injeção a produção dos componentes das luminárias. Em um projeto recente, uma luminária teve a sua tampa lateral em alumínio substituída por uma versão em material plástico. O policarbonato leitoso é o polímero mais utilizado na fabricação das lâmpadas devido às suas características de transmitância e à sua durabilidade, permitindo que as luminárias alcancem uma vida útil de até 10 anos.

 

Karen Piedade, superintendente da Varixx, explicou que as fazendas verticais podem ser um negócio ainda incipiente em se tratando de volume de vendas, mas são uma aposta para o futuro próximo, o que levou a empresa a estabelecer parcerias técnicas com universidades, tendo atualmente quatro projetos em desenvolvimento na Esalq, a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (SP), também localizada em Piracicaba. A instituição é referência acadêmica no setor, tendo o professor Paulo Hercílio Viegas Rodrigues na liderança do departamento de Produção Vegetal e das pesquisas sobre as hortas verticais, que já foram inclusive reconhecidas pela NASA como uma potencial solução para o cultivo de alimentos para as missões espaciais. Ele explicou que os plásticos também entram em cena na forma das lonas onde são fixadas as mantas geotêxteis que sustentam o cultivo indoor.

 

A Varixx realizou também, junto com a empresa de paisagismo Vertigarden (Piracicaba, SP) e a Esalq, um estudo sobre iluminação artificial no cultivo de dez espécies de plantas ornamentais, temperos e morangos, que revelou bons resultados. “Os jardins verticais podem ajudar, por exemplo, a reduzir a pegada de carbono de um edifício, filtrando poluentes e dióxido de carbono do ar, melhorando a sua qualidade e, consequentemente, a qualidade de vida das pessoas que vivem nas proximidades”, comentou Karen.


 

Fotos: Varixx



 

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#iluminaçãoLED

 

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