Hellen Souza, da redação

 

A escalada dos preços do petróleo sinaliza um cenário tenso para os próximos meses, com possível aumento de preços dos insumos destinados à indústria de transformação de plásticos.

 

Empresas que já haviam se preparado para ter mais autonomia em relação ao mercado externo, em resposta às complicações logísticas decorrentes da pandemia de Covid-19, têm agora mais um desafio pela frente no que se refere a oferecer certa segurança aos transformadores quanto à disponibilidade de insumos produtivos.

 

A Macroplast, com unidades em São Bernardo do Campo (SP) e em Itajaí (SC) intensificou a criaçãode novos grades desde a pandemia de Covid-19 e deverá ter mais trabalho agora, com o agravamento do conflito entre Rússia e Ucrânia, que atinge em cheio a cadeia de fornecimento dos plásticos.

 

De acordo com seu diretor, Christian Braun, “a empresa tem desenvolvido desde resinas básicas como PP’s e PE’s modificados para contratipar grades já existentes até resinas de engenharia que anteriormente eram importadas e passaram a ser produzidas localmente”. As resinas ABS são parte importante desse portfólio, a exemplo dos grades de uso geral, das usadas na extrusão de chapas, das de alta fluidez, das de altíssima resistência ao impacto para confecção de capacetes e das do tipo high heat, para a indústria automotiva. Blendas como ABS/PC e PC/ABS, que o mercado costuma importar, também integram a oferta da empresa.

 

O executivo informou ainda que o desenvolvimento de inúmeros produtos não se deu apenas à sua escassez mundial, mas também à viabilidade logística e econômica de produzí-los localmente, em contraposição à dificuldade de importação, que penalizou a indústria nos últimos anos: “Algumas importações passavam de 90 dias para chegarem no seu destino, o que significou para muitos importadores pagar o produto antes mesmo de ele ter chegado”.

 

Os novos compostos têm abastecido segmentos como automotivo, eletroeletrônico, de linha branca, construção civil e agro, entre outros. Modificadores de impacto e retardantes de chamas são alguns dos aditivos empregados para modificar e tornar as formulações apropriadas para diferentes aplicações.

 

Redução do IPI e a guerra

 

A recente redução de alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) com o objetivo de impulsionar a economia brasileira, no entender de Braun, veio em boa hora, e será um redutor de instabilidades externas. “Setores como automotivo e linha branca devem aumentar a demanda na medida em que seus estoques na cadeia diminuam e que o crédito seja estimulado para que o consumidor volte a comprar”, informou. Porém, dependendo do rumo que o confronto entre Rússia e Ucrânia tomar, e com o preço do Petróleo Brent ultrapassando o valor de USD 120/barril, certamente ocorrerão novos reajustes nos fretes e nos preços das resinas. “Passaremos por novos tempos turbulentos, com aumentos de preços e possível falta temporária de alguns produtos”, avaliou o executivo..

 

A Macroplast não depende diretamente de insumos comprados nos países envolvidos no conflito. No entanto, muitos dos seus fornecedores podem vir a ser impactados, daí a importância da parceria com parceiros locais ou situados em mercados não atingidos diretamente pela guerra.

 

Preparada para atuar com diversos cenários nacionais e internacionais, a empresa tem mantido o diálogo constante com fornecedores, tendo em vista minimizar os impactos do conflito que adquire proporções mundiais: “Os preços tendem a subir devido à elevação dos preços do petróleo e do gás natural, afetando diretamente os custos das matérias primas derivadas, tais como os plásticos e os combustíveis que impactam os custos logísticos, elevando a inflação. É possível que faltem alguns insumos e o momento pede cautela”, concluiu Braun.

Foto: Macroplast

 

Leia também:

 

A guerra da Ucrânia e o cenário petroquímico

Parceria vai expandir comércio de resinas plásticas


 

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