Em 2024, o cenário da sustentabilidade no Brasil deu um salto qualitativo com a instituição da Estratégia Nacional de Economia Circular (ENEC), através do Decreto nº 12.082. Esta norma não apenas reforça a reciclagem, mas promove uma transição sistêmica do modelo de produção linear para um modelo circular, focado no uso eficiente de recursos naturais e no aumento do ciclo de vida dos materiais.
Para a indústria do plástico, a ENEC traz diretrizes que impactam diretamente o chão de fábrica: a manutenção do valor dos materiais e o estímulo ao redesenho circular da produção. Não se trata mais apenas de gerir o resíduo após o descarte, mas de fomentar a inovação desde o design, visando o reuso e a extensão da vida útil dos produtos. A estratégia prevê a criação de mercados específicos para produtos reciclados e a articulação de instrumentos financeiros como financiamentos e tratamentos tributários adequados, para reduzir a poluição.
Acompanhando essa visão estratégica, o campo da normalização técnica internacional trouxe a ISO 59001, uma norma de Sistemas de Gestão da Economia Circular. Diferente das normas de produto, a ISO 59001 tem foco nos processos organizacionais. Ela foi desenhada para ser um suplemento à ISO 14001, permitindo que as empresas estabeleçam, implementem e melhorem continuamente seu desempenho em circularidade.
A ISO 59001 introduz conceitos como o pensamento sistêmico e a geração de valor compartilhado dentro da rede de valor da empresa. Para um transformador de plásticos, aplicar essa norma significa mapear como suas decisões de design e compras afetam não apenas sua eficiência interna, mas toda a cadeia, incluindo fornecedores e recicladores. A norma utiliza como base os princípios da ISO 59004, que define ações fundamentais como “reuse”, “rethinking”, “recycle” e “recover energy”.
O grande diferencial deste momento é a convergência entre a política pública (ENEC) e os padrões globais de gestão (ISO). O objetivo final é criar um ambiente onde a circularidade possa ser medida e comprovada por meio de indicadores quantificáveis. Empresas que buscam liderança no setor de plásticos devem começar a alinhar seus sistemas de gestão a esses novos requisitos, preparando-se para auditorias que atestem não apenas que elas reciclam, mas que operam dentro de um ecossistema produtivo verdadeiramente circular.
Imagem: dee karen/Shutterstock
Saiba mais sobre normas para o setor de plásticos acompanhando a seção Normas, no portal da Plástico Industrial.

(*)Alan Bonel é especialista em polímeros e atua há mais de 15 anos com foco em normas técnicas nacionais e internacionais, especialmente nas áreas de ensaios, laboratório e requisitos de montadoras. Compartilha conteúdos técnicos no LinkedIn e no canal do YouTube @bonelsimplificando.
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