O IDQ – Instituto Nacional do Desenvolvimento da Química­ – (São Paulo, SP), que tem como associado o IBPVC – Instituto Brasileiro do PVC –, anunciou o lançamento do estudo “Panorama do complexo químico brasileiro e agenda estratégica”. O novo estudo, elaborado pela LCA Consultoria Econômica, com apoio da Macrotempo, tem por objetivo propor uma agenda estratégica para o setor de poli(cloreto de vinila) (PVC), abordando também o seu desempenho nas últimas décadas.

 

De acordo com o levantamento, entre as resinas termoplásticas, o setor de poli(cloreto de vinila) (PVC) é o terceiro maior no que se refere à representação no PIB industrial brasileiro, gerando cerca de 2 milhões de empregos diretos, indiretos e por efeito de renda. As resinas de PVC mantêm participação relevante nas vendas do complexo químico, um dos indicadores analisados pelo estudo, que mostrou uma evolução da receita líquida de vendas em valores corrigidos pela inflação: o faturamento total passou de cerca de R$ 302 bilhões em 2005 para R$ 489 bilhões em 2023 (veja o gráfico a seguir).

 

O estudo também mostrou que no período analisado, a participação das resinas de PVC na receita total diminuiu, passando de 20% em 2005 para 14% em 2023.

 

Entretanto, a receita do segmento correspondeu a aproximadamente R$ 60,4 bilhões em 2005, chegando a R$ 52,2 bilhões em 2010, passando para cerca de R$ 54,4 bilhões em 2015, R$ 65 bilhões em 2020 e R$ 68,5 bilhões em 2023, representando um crescimento de aproximadamente 13,3% entre 2005 e 2023.

 

Também foi apontado que o setor de PVC permaneceu acima da participação média dos segmentos do complexo químico. As resinas de poli(cloreto de vinila) (PVC) representavam 20% da receita total em 2005, ao passo que a média de participação de outros segmentos analisados foi de aproximadamente 10% cada. Já em 2023, a participação do PVC na receita total foi de 14%, percentual que ainda superava a média dos demais setores, próxima de 11%.

 

 

Aumento das importações. Desafio da cadeia produtiva no Brasil

 

A perda de espaço da produção química nacional no próprio mercado brasileiro é um dos tópicos abordados no levantamento: o setor como um todo acumula déficit comercial superior a US$ 40 bilhões anuais. De acordo com um informativo divulgado à imprensa, uma recuperação da participação da produção brasileira no atendimento à demanda doméstica poderia adicionar R$ 161 bilhões ao PIB até 2036.

 

Outro fator que deve ser considerado: o complexo químico fornece insumos para quatro das seis missões da Nova Indústria Brasil (NIB): cadeias agroindustriais sustentáveis e digitais; complexo econômico-industrial da saúde; infraestrutura, saneamento, moradia e mobilidade; e bioeconomia, descarbonização e transição energética. Resinas de PVC são amplamente utilizadas na fabricação de itens relacionados a essas frentes como, por exemplo, tubos e conexões, componentes para sistemas de água e esgoto, perfis, revestimentos, fios e cabos. Além disso, o PVC é utilizado na produção de equipamentos e dispositivos para o setor médico-hospitalar.

 

 

Agenda estratégica

 

O estudo propõe uma agenda estratégica que tem por objetivo indicar caminhos para o aumento da produção do complexo químico brasileiro. Algumas das propostas, mostradas a seguir, apresentam relação particularmente próxima com a cadeia produtiva do PVC.

 

- Aumento da oferta e da destinação de gás natural para uso petroquímico;

 

- Fortalecimento do suprimento doméstico de nafta;

 

- Expansão da produção de fertilizantes e insumos farmacêuticos ativos (IFAs);

 

- Melhoria e harmonização do ambiente regulatório;

 

- Combate à ilegalidade;

 

- Redução dos custos de energia e logística;

 

- Isonomia tributária;

 

- Fortalecimento da governança institucional.

 

 

Uma das propostas do IDQ é a criação do Grupo Executivo para o Desenvolvimento do Complexo Químico (GECQ), vinculado à Casa Civil da Presidência da República e ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A partir do novo estudo, a instituição também propõe a estruturação de comissões temáticas permanentes com a participação do Congresso Nacional, do governo, do setor produtivo, de entidades representativas e da sociedade.

 

 

Gráfico: Divulgação.

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