Hellen Souza, da redação
O mercado global de plásticos para a área médica deve saltar de US$ 34,77 bilhões (cerca de R$ 175,94 em 2026) para US$ 48,77 bilhões (R$ 246,78 bilhões) até 2031, registrando uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 7,0%, de acordo com um levantamento recente feito pela consultoria Markets and Markets (Estados Unidos).
No Brasil, na ausência de dados específicos consolidados, é possível inferir o potencial deste mercado ao observar o consumo de plásticos pelo setor farmacêutico. No levantamento anual da Abiplast (Perfil 2026), foi informado que este segmento responde diretamente por 0,7% de todos os transformados plásticos consumidos no P
aís. Considerando-se o consumo aparente total registrado no período, que atingiu 8,28 milhões de toneladas e movimentou R$ 177,1 bilhões, o percentual referente ao setor farmacêutico pode ser estimado em 57,96 mil toneladas/ano (R$ 1,23 bilhão).
Há também os dados referentes ao mercado de dispositivos médicos em geral, que inclui itens fabricados com outros materiais, mas cujos números são igualmente significativos. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos (Abimo), este mercado movimentou R$ 85,4 bilhões em 2025, registrando um crescimento de 13,9% em relação ao ano anterior. No mesmo período, o déficit da balança comercial do setor alcançou US$ 9,9 bilhões, com importações superiores a US$ 11 bilhões. E entre janeiro e maio de 2026, as exportações do setor alcançaram US$ 407,4 milhões. Apesar da força do mercado interno, o País ainda registra forte dependência externa em alguns segmentos, o que aponta brechas para o suprimento de muitos itens.
Impulsionada pela modernização da infraestrutura de saúde pública e privada, pelo avanço das cirurgias minimamente invasivas, pelo emprego de dispositivos e descartáveis de uso único, entre outros tantos fatores, a trajetória ascendente do mercado médico-hospitalar o torna um nicho promissor e rentável para a indústria de transformação de plásticos.
Atender à demanda desse segmento, porém, exige preparo e atenção à conformidade com normas regulatórias e de biocompatibilidade, controle rigoroso da qualidade e colaboração estreita entre fornecedores de matérias-primas.
As necessidades deste segmento têm sido acompanhadas de perto pela norte-americana Avient (Itupeva, SP) desenvolvedora de compostos plásticos de grau médico, corantes e aditivos funcionais empregados na fabricação de itens como cateteres e tubos, sistemas de administração de medicamentos, dispositivos médicos e laboratoriais, além de embalagens para o setor farmacêutico.
Para atender ao segmento, a empresa dispõe de uma equipe especializada no Brasil, da qual faz parte a engenheira química Beatriz Machado, especialista de produto. Ela esclarece que o segmento utiliza tanto resinas de engenharia quanto commodities. No entanto, a aplicação médica em si não é uma commodity em razão das exigências regulatórias rigorosas e da aditivação específica para cada caso. Corantes especiais, aditivos que promovem o efeito de radiopacidade, que permitem a esterilização de itens plásticos sem perda de propriedades e agentes antimicrobianos são alguns exemplos de insumos que atendem aos requisitos da área médica.
Também engenheira química, Alessandra Neves, gerente sênior de marketing e sustentabilidade da empresa, detalhou que o portfólio de aditivos e resinas da Avient tem por objetivo atender a três pilares prioritários do mercado de saúde, que concentram 80% das demandas operacionais: dispopsitivos e equipamentos médicos, suprimentos de uso único (tubos e cateteres) e sistemas de administração de medicamentos (aplicadores e inaladores, por exemplo).
Materiais alternativos têm uso restrito
Na esfera ambiental e de gestão de resíduos, a introdução de resinas recicladas pós-consumo (PCR) enfrenta restrições normativas severas. Devido ao risco de contaminação por fluidos biológicos, a legislação sanitária determina a incineração da maioria dos resíduos médico-hospitalares descartáveis, inviabilizando a reciclagem mecânica desses materiais. As especificações rigorosas também acabam por orientar a demanda para os materiais virgens.
Quanto ao emprego de bioplásticos e aditivos de fonte renovável, o uso de polímeros compostáveis ou vegetais no segmento médico nacional ainda é incipiente devido ao elevado custo relativo da matéria-prima virgem, a restrições de processamento e à baixa oferta estruturada no mercado local.
Webinar vai discutir plásticos para uso médico
Para detalhar exigências normativas e expor o portfólio de aditivos, corantes e compostos dedicados da Avient para o setor médico, a Plástico Industrial promoverá um webinar com a participação das especialistas Beatriz Machado e Alessandra Neves, no dia 4 de novembro (quarta-feira), às 9 horas, com transmissão pelo Youtube. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas aqui.
Imagem: Avient
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