O cenário para os processadores de metais em fevereiro de 2026 revela um descompasso entre a produção das usinas nacionais e o consumo interno, com destaque para as importações, que ainda apresentaram alta apesar da resolução da Camex quanto à aplicação de direitos antidumping sobre a entrada de laminados planos, anunciada no dia 12 de fevereiro.

De acordo com o levantamento de março do Instituto Aço Brasil, a produção brasileira de aço bruto registrou uma queda de 5,7% em relação ao mesmo mês de 2025, totalizando 2,5 milhões de toneladas. No entanto, para o setor de corte e conformação, o dado mais relevante é o comportamento do consumo aparente de produtos planos, que apresentou um desempenho inesperado diante do quadro recessivo da produção primária.
Diferente do segmento de produtos longos, que registrou retração de 9,3% na demanda, o consumo aparente de produtos planos — base para a manufatura de chapas e tubos metálicos — saltou para 1,4 milhão de toneladas. Esse crescimento de 11,3% em relação ao mesmo período de 2025 indica que as indústrias transformadoras seguem ativas e absorvendo materiais em volume crescente. Contudo, as vendas internas das usinas brasileiras para o segmento de planos não acompanharam esse ritmo, apresentando uma leve queda de 1,0%.
Essa lacuna entre a demanda aquecida e a retração nas vendas internas foi preenchida de forma agressiva pelas importações, que atingiram volumes recordes para o período. A taxa de penetração dos produtos siderúrgicos estrangeiros no mercado nacional de planos saltou de 23,2% em fevereiro de 2025 para 31,8% este ano, totalizando mais de 447 mil toneladas de chapas importadas em um único mês. Para o comprador de aço, este dado é um sinal de alerta sobre a dependência externa e as possíveis pressões logísticas e cambiais que podem impactar o custo do estoque nas próximas semanas.
Enquanto o mercado doméstico de laminados como um todo recuou 2,8%, o setor exportador aproveitou oportunidades estratégicas, especialmente no segmento de chapas grossas, com os embarques para o exterior aumentando 35,5%. Esse movimento sugere que as usinas estão buscando rentabilidade no mercado externo enquanto o mercado interno lida com a forte concorrência do material importado.
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Imagem: IABr
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