Hellen Souza, da redação

 

Em decisão anunciada no dia 12 de fevereiro, o Comitê Executivo de Gestão (Gecex) da Camex oficializou a aplicação de direitos antidumping definitivos sobre as importações de laminados planos a frio e laminados planos revestidos provenientes da China. A medida resultou da conclusão de que a prática de preços artificialmente baixos por parte dos exportadores chineses estava causando dano à indústria siderúrgica nacional. Com a imposição de sobretaxas, o governo brasileiro busca restabelecer condições equitativas de concorrência, protegendo a produção doméstica de aço.

 

O Instituto Aço Brasil (IABr) considerou oportuna e necessária a decisão, que atende ao pleito de empresas da indústria do aço e tem validade de até cinco anos. “Trata-se de mais um movimento em favor do reforço ao sistema de defesa comercial para conter as importações predatórias de aço”, foi noticiado em comunicado de imprensa.

 

Conforme já divulgado pelo IABr em janeiro deste ano, em 2025 as importações de laminados cresceram 20,5%, fechando em 5,7 milhões de toneladas, das quais 63,7% foram oriundas da China. Foi o maior volume de importação em 15 anos.

 

Em alguns meses de 2024 e 2025, a participação de importados nos aços planos (usados em chapas para carros, eletrodomésticos e máquinas) chegou a ocupar quase um terço (33%) das vendas internas.

 

Para os processadores de chapas metálicas no Brasil, a decisão sinaliza um cenário de custos mais elevados, com o encarecimento da matéria-prima importada, o que pressiona as margens de lucro de empresas que dependem de laminados de baixo custo para fabricar seus produtos. Elas poderão enfrentar dificuldades no repasse de preços ao consumidor final, exigindo uma busca intensificada por ganhos de produtividade e a reavaliação de fornecedores locais para mitigar o impacto inflacionário na cadeia de suprimentos.

 

Custos versus inovação

 

A decisão do Gecex de sobretaxar o aço chinês atinge a base de custos de fabricantes de componentes automotivos e máquinas agrícolas, por exemplo, cuja modernização é favorecida pelo Programa MOVER. Ele exige que as empresas invistam uma porcentagem de sua receita bruta em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) para obter créditos financeiros. Porém, o aumento no preço da matéria-prima pode restringir os recursos necessários para esses investimentos obrigatórios.

 

Por outro lado, o MOVER estimula também a descarbonização e a eficiência energética. Se o aço nacional (agora mais competitivo devido ao antidumping) apresentar menores índices de emissão de carbono em seu ciclo de vida do que o aço importado, as empresas que optarem pelo fornecedor local podem ter mais facilidade em cumprir as metas de sustentabilidade do programa, garantindo a manutenção de seus benefícios fiscais.

 

Algumas das ações recomendadas para que as empresas do setor metal mecânico passem por esse período de readequação incluem:

 

- Do ponto de vista de suprimentos, negociar contratos de longo prazo com as siderúrgicas para evitar a volatilidade dos preços.

- No que se refere à engenharia, adotar sistemas automatizados que reduzam perdas, a exemplo dos softwares de nesting, com potencial para diminuir o índice de aparas de processo.

- No aspecto financeiro, buscar ferramentas que ajudem a proteger o fluxo de caixa contra oscilações de câmbio e reajustes das usinas.

- Do ponto de vista comercial, negociar o repasse com base nos índices de preços dos aços, evitando que a empresa assuma sozinha o aumento dos custos da matéria-prima.

 

 

Saiba mais sobre a movimentação no setor de aços e os reflexos no setor metalmecânico acessando a seção Mercado do portal da Corte e Conformação de Metais.

 

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Imagens geradas por IA / Gemini Google

 

 

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