A (Associação Brasileira dos Distribuidores de Resinas Plásticas e Afins (Adirplast)
divulgou os dados de desempenho dos seus associados que fornecem plásticos de engenharia. A conclusão foi o crescimento expressivo de 17,3% em 2025, em relação a 2024, refletindo a busca da indústria por soluções de maior desempenho técnico.
O avanço confirma a maior demanda por materiais especiais, menos sujeitos à volatilidade das resinas commodities e para aplicações que exigem resistência mecânica, leveza, estabilidade térmica, entre outras propriedades. Para 2026, entretanto, o desafio não será apenas crescer, mas sustentar o patamar alcançado em um ambiente econômico mais cauteloso e competitivo.
Na avaliação de Luiz Squilante, gerente de vendas da Entec, a estratégia para crescer participação passa pela diferenciação. A empresa mantém um portfólio amplo de resinas de engenharia, incluindo poliamidas 6 e 6.6, PBT, poliacetal, compostos de PP, ABS, PPS e elastômeros, com destaque para as poliamidas e compostos de PP, altamente demandados pelos transformadores. A companhia aposta também no PLA voltado para a impressão 3D, além de desenvolvimentos para embalagens, extrusion coating e termoformados. No entanto, Squilante alerta que a ausência de regulamentação no Brasil — ao contrário de mercados como o chileno — e o custo ainda elevado frente às resinas tradicionais limitam uma adoção mais ampla dos materiais de origem renovável. Para a distribuição, os segmentos agro, alimentício e linha branca surgem como os mais promissores, enquanto o diferencial competitivo está em soluções sob medida, que agreguem ganhos técnicos e econômicos reais ao cliente.
Já João Rodrigues, da Thathi Polímeros, ponderou que o ciclo histórico de substituição de metais por plásticos de engenharia, intensificado nas últimas décadas, tende a atingir um ponto de equilíbrio. Embora não haja saturação, o crescimento pode ser mais conservador em 2026, especialmente se a indústria automobilística nacional não ampliar sua produção. Ainda assim, há perspectivas positivas nos setores de ônibus e duas rodas, além do fortalecimento de áreas como eletroeletrônicos, ferragens, linha branca e agro. Rodrigues destaca que a reintrodução da marca Technyl, em parceria com a Domo Chemicals, abriu portas em aplicações que exigem homologações globais e certificações rigorosas, elevando o patamar técnico do portfólio e ampliando oportunidades em projetos de maior valor agregado.
Para Gustavo Nascimento, da Krisol, os materiais especiais consolidam-se como alternativa estratégica em um mercado saturado por oferta abundante e preços pressionados por importações. Contudo, 2026 exigirá prudência operacional, com controle rigoroso de crédito, gestão eficiente de estoque e fluxo de caixa equilibrado. A competitividade gerada por novos players e a abundância de produtos importados aumentam a disputa por margens, exigindo das distribuidoras maior agilidade e capacidade técnica.
Complementando o cenário, Wilson Cataldi, da Piramidal, apontou que as projeções para 2026 seguem positivas. Um fator relevante é a mudança no eixo global de fornecimento: a Ásia, especialmente China e países do entorno, passa a liderar os fluxos de resinas de engenharia, influenciando preços, disponibilidade e estratégias de abastecimento.
O consenso entre os associados é que inovação, diferenciação técnica e sustentabilidade continuarão sendo os principais motores do segmento de resinas. No entanto, a sustentação do crescimento dependerá do desempenho da indústria nacional, da estabilidade econômica, do câmbio e da capacidade das empresas de antecipar riscos.
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Imagem: IA / Gemini
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