A Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos (ABREE) encerrou o ano de 2025 contabilizando 190 mil toneladas de produtos eletroeletrônicos recuperados desde 2021, quando foi estruturada a rede de logística reversa em decorrência do Decreto 10.240/2020, que estabeleceu as normas regulatórias do setor.

 

Gestora da logística reversa de produtos eletroeletrônicos e eletrodomésticos, a ABREE opera hoje mais de 4,2 mil pontos de recebimento distribuídos em aproximadamente 1,3 mil municípios, além de promover campanhas de arrecadação que ampliam o alcance da logística reversa em regiões de diferentes portes. Essa infraestrutura permite que itens como geladeiras, televisores, micro-ondas, fones de ouvido e diversos eletroeletrônicos pós-consumo retornem à cadeia produtiva de forma segura.

 

Fernando Rodrigues (foto ao lado), engenheiro ambiental e gerente de Relações Institucionais da ABREE, explicou que a logística reversa dos eletroeletrônicos é estruturada com base na responsabilidade compartilhada entre fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, contando também com o apoio de municípios e com a realização de ações que sensibilizem o consumidor para o descarte adequado dos produtos em final de vida útil. Os pontos de coleta para recebê-los podem ser localizados no site da ABREE.

 

Nessas unidades os produtos passam por etapas como triagem e desmontagem técnica, seguindo então para empresas parceiras que executam a manufatura reversa, encaminhando peças e partes recuperadas para terceiros como os recicladores de materiais plásticos, que constituem 21% dos resíduos pós-desmontagem. Materiais como vidro, papel e metais seguem para parceiros desses setores. A emissão do Certificado de Destinação Final assegura rastreabilidade e conformidade ambiental para os materiais resultantes.

 

Empresas recicladoras interessadas em atuar na logística reversa promovida pela ABREE podem entrar em contato diretamente com a associação, que faz o encaminhamento envolvendo homologação, certificação e documentação para operarem como parceiras.

 

Fernando explicou que uma das grandes ações recentes da ABREE tratou da destinação dos resíduos de eletrodomésticos e eletroeletrônicos descartados por ocasião das enchentes no Rio Grande do Sul em 2024. “O Sul tem uma grande rede de manufatura reversa, o que favoreceu o encaminhamento adequado desses materiais conforme os procedimentos ambientais e operacionais já estabelecidos.

 

Desta forma, materiais de difícil recuperação, a exemplo do poliuretano (PU) termofixo presente em refrigeradores, tiveram sua destinação feita de forma controlada. Com o tratamento adequado dos gases, o material deixa de ser considerado um resíduo perigoso. “ Após esse processo, ele passa a ser classificado como resíduo classe II (não perigoso) e, geralmente, é destinado a aterros sanitários. Embora exista viabilidade técnica para a reciclagem do poliuretano, na prática ela apresenta baixa viabilidade econômica, o que torna essa destinação a alternativa mais adotada atualmente pelo setor de reciclagem”, salientou Fernando.

 

 

Imagens: ABREE

 

 

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