Sacos e sacolas feitos de materiais biodegradáveis para coleta de lixo orgânico doméstico estão disponíveis no mercado há alguns anos, com a proposta de se decomporem junto com esses resíduos. Porém, pesquisadores do Instituto Fraunhofer, na Alemanha, estão conduzindo um estudo piloto em grande escala para investigar se esses materiais, especialmente os bioplásticos, realmente se decompõem totalmente. Além disso, este estudo – um dos primeiros do gênero – também analisou o interesse dos consumidores na utilização das sacolas biodegradáveis.

 

O projeto, denominado BabbA, foi coordenado pelo Instituto Fraunhofer de Tecnologia Química (TIC), tendo a Universidade de Bayreuth, a Universidade de Hohenheim e a BEM Umweltservice GmbH participando como parceiros de pesquisa. Os resultados preliminares estão levando à conclusão de que não é recomendável atualmente o uso de sacolas biodegradáveis para resíduos orgânicos por não haver garantia de que elas se decompõem no tempo previsto e necessário para que sejam incorporadas ao composto orgânico resultante das usinas de compostagem.

 

O objetivo do projeto era analisar como os sacos biodegradáveis se degradam nas usinas de reciclagem de biorresíduos existentes, mas o estudo investigou ainda se o público em geral os adotou para a coleta de resíduos orgânicos e se esses sacos têm, portanto, potencial para substituir os sacos plásticos convencionais feitos de polietileno (PE).

 

Um trabalho extenso

 

Os métodos de análise de microplásticos atualmente definem limites para fragmentos de plástico, mas só contemplam fragmentos com tamanho superior a 1 milímetro. Partículas menores não são levadas em consideração, e se os sacos feitos de materiais biodegradáveis não se degradarem completamente e, em vez disso, forem apenas decompostos em partículas micro e nanoplásticas, poderão chegar ao ambiente junto com o composto, uma hipótese realista, levando-se em conta que o tempo que os biorresíduos passam atualmente nas usinas não é suficiente para que a degradação ocorra por completo, como explicou Jens Forberger, gerente de projetos da BabbA, da Fraunhofer ICT.

 

Em 2019, os investigadores do projeto BabbA começaram a examinar sistematicamente as sacolas biodegradáveis sob todos os ângulos – desde a utilização pelo público até à forma como se degradam nas usinas de compostagem – pela primeira vez e sob condições reais. Em experiências de grande escala no verão e no inverno no Hemisfério Norte, os parceiros do projeto distribuíram 400 mil sacolas feitas de diferentes matérias-primas (Ecovio®, Mater-Bi® e sacolas de papel encerado) e material informativo para 10 mil domicílios. A BEM Umweltservice GmbH trabalhou em parceria na organização, coleta e análise dos resíduos orgânicos nos distritos selecionados, antes e depois da campanha de informação.

 

Os pesquisadores então examinaram o composto resultante em busca de fragmentos de plástico, tomando por base um método analítico de detecção de microplásticos desenvolvido no projeto MiKoBo, também coordenado pela Fraunhofer ICT. “Recolhemos um lote inicial de referência antes de informarmos as famílias sobre o projeto e distribuirmos os sacos biodegradáveis.Isto significou que pudemos comparar os dois lotes recolhidos após a campanha de informação, um no verão e outro no inverno (foto ao lado), com as condições originais reais”, destacou Forberger.

 

Cientistas da Universidade de Bayreuth conduziram as análises de fluxo de material para examinar todos os fragmentos de plástico em amostras colhidas de diferentes pontos ao longo do processo de destinação dos resíduos biológicos (ou seja, desde os resíduos biológicos recolhidos até o composto orgânico).

 

Após muitos testes, os pesquisadores conseguiram provar que os compostos contêm grandes quantidades de microplásticos com menos de 1 milímetro de tamanho e que estes podem permanecer no solo durante longos períodos de tempo, levando à avaliação de que é recomendável evitar a introdução de sacos biodegradáveis em usinas de reciclagem de biorresíduos em grande escala, até que se possa garantir que eles se decomponham completamente.

 

Após encontrarem altos níveis de fragmentos de sacolas biodegradáveis com menos de 1 milímetro de tamanho, os pesquisadores pediram uma revisão crítica das atuais normas DIN para avaliar até que ponto um material compostável pode ser realmente compostado, em um relatório fornece recomendações específicas para o governo alemão, as empresas de tratamento de resíduos e para o público em geral.

 

Mais informaç~eos sobre o tema na seção Bioplásticos da Plástico Industrial.

Imagens: Fraunhofer TIC

 

 

Leia também:

 

 

Universidade estuda biodegradação de filmes compostáveis no solo durante 180 dias

 

Filme biodegradável pode preservar alimentos por mais tempo

 

 

#bioplásticos

 



Mais Notícias PI



ERT Bioplásticos tem novo conselho administrativo

À equipe da greentech ERT Bioplásticos foram integrados executivos que atuaram em empresas como Braskem e Rico Investimentos.

18/06/2024


Certificações levam à fabricação de mais produtos compostáveis

Bioplásticos à base de calcário recebem certificação que permite a produção de embalagens rígidas e itens de uso único compostáveis.

21/05/2024


Fabricante sueca de bioplásticos vai expandir presença mundial

Um novo aporte de recursos financeiros vai custear a atuação da Gaia Biomaterials em novos mercados, incluindo as Américas.

09/04/2024