Hellen Souza, da redação

 

A fabricação de produtos plásticos voltados para o setor médico-hospitalar ocupa uma pequena parte do parque de transformação no Brasil: algo em torno de 120 empresas, representando 2% do universo de indústrias do setor de plásticos constantes do banco de dados da Plástico Industrial.

 

No entanto, essas empresas têm vigor suficiente para abastecer um setor que, de acordo com informações da Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos (Abimo), supre 90% da demanda nacional. A entidade congrega 300 empresas associadas com atuação nos segmentos médico-hospitalar, de odontologia, laboratório, biotecnologia e reabilitação e tecnologia assistiva, muitas das quais consomem componentes plásticos fornecidos por nosso parque transformador. Em 2022 a produção nacional de dispositivos médicos movimentou US $6,38 bilhões, dos quais foram exportados US $909,18 milhões, aproximadamente 14,3%, em valor.

 

Para atuar no mercado mundial, essa indústria precisa estar alinhada com normas e resoluções internacionais relacionadas à garantia de qualidade e de desempenho durante o seu uso. “No caso dos plásticos e componentes, as especificações são restritivas, e a Abimo, que coordena o Comitê Brasileiro Odonto-médico-hospitalar da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT CB-26) trabalha para alinhar a conduta das empresas brasileiras com a realidade internacional”, informou Paulo Henrique Fraccaro (foto), superintendente da Abimo. Isso tem resultado em sucesso na participação em feiras internacionais, a exemplo das mais recentes, realizadas este ano no Oriente Médio.

 

Atualmente são exportados para 150 países itens como oxigenadores, ventiladores, seringas, freezers, cânulas, sondas, escalpes, cateteres, instrumentos cirúrgicos, implantes ortopédicos, mesas cirúrgicas, aparelhos de raios-X e software para a área de saúde. No caso dos produtos odontológicos, a balança comercial é superavitária, devido ao grande volume de exportações de itens como cadeiras e tomógrafos específicos, resultante da boa reputação de que esse setor desfruta no mercado internacional.

 

Falta de isonomia

 

No entanto, a situação se inverte quando o assunto são os dispositivos médicos mais sofisticados. De acordo com Fraccaro, a demanda interna não justifica a produção local, e por isso o País importa de 50 a 55% dos produtos que utiliza, comprando de empresas com aprovações reconhecidas globalmente, tais como a da agência norte-americana Food and Drug Administration (FDA) ou da Comunidade Europeia.

 

Segundo ele, há muitos fatores que impedem o pleno desenvolvimento da indústria de dispositivos médicos, e entre eles está a falta de isonomia tributária e mesmo de fiscalização em relação aos itens importados: “Os fabricantes brasileiros estão sujeitos à aprovação da Anvisa, enquanto é possível encontrar em sites de e-commerce produtos importados de classe III, que caracteriza risco, comercializados livremente”, comentou o superintendente.

 

Somam-se a esta realidade a falta de uma política de compras para os hospitais públicos e santas casas, que promova a modernização e melhoria do atendimento aos pacientes, o pouco incentivo à inovação, o descompasso entre a pesquisa acadêmica e as necessidades de mercado e a ausência de uma política de estado, duradoura, que fomente o desenvolvimento do setor. “Um exemplo de política de sucesso foi a instituição dos medicamentos genéricos, há cerca de 20 anos, que impulsionou a indústria farmacêutica, sobretudo com a criação do programa Farmácia Popular”, comentou Fraccaro.

 

Enquanto não surgem novas resoluções políticas, o setor de fabricação de dispositivos médicos segue abastecendo o mercado nacional e se posicionando no mercado externo dentro do possível, seguindo as regulações internacionais de fabricação que serão tema de um artigo na edição de março de Plástico Industrial, a qual vai circular na feira Plástico Brasil.

 

No entender do representante da Abimo, “quanto mais regulação neste mercado, melhor será o controle, menores serão os índices de pirataria e mais segurança será dada à população usuária dos dispositivos médicos”.

 

 

 

Fotos: Abimo
Roman Zaiets/Shutterstock

 

 

 

 

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