O alto preço dos fretes e as complicações logísticas pós-pandemia estão reconfigurando o comércio exterior em diversas áreas. A Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal), por exemplo, divulgou um levantamento apontando que , entre janeiro e setembro deste ano, o setor exportou, em componentes para a confecção de calçados, o equivalente a US$ 331,9 milhões, ou seja, 22% mais do que no mesmo período do ano passado e 21% mais do que no intervalo correspondente no ano pré-pandemia, 2019. Comparando apenas o mês de setembro, as exportações de componentes geraram US $40,13 milhões, 36% mais do que no mês correspondente de 2021.

 

Entre janeiro e setembro, os principais itens exportados pelo setor foram os produtos químicos para couros (US$ 153,4 milhões, alta de 16% em relação ao mesmo período do ano passado). Na sequência apareceram os cabedais (US$ 88,3 milhões e crescimento de 17%), os produtos químicos para calçados/adesivos (US$ 38,22 milhões e crescimento de 36%) e solados (US$ 21,69 milhões e crescimento de 47%). Também estão entre os componentes adornos e materiais laminados, tanto sintéticos quanto naturais, nos quais são usados materiais plásticos como (poli)cloreto de vinila (PVC) e poliuretano (PU).

 

Mercados compradores

 

O gestor de Mercado Internacional da Assintecal, Luiz Ribas Júnior, destacou que as exportações para os países da América Latina vêm sendo determinantes para os resultados positivos. “Hoje, dos dez principais destinos de componentes no exterior, seis são da América Latina”. Além dos vizinhos latino-americanos, que vêm substituindo importações da China por brasileiras para fugir dos altos custos com fretes, houve destaque também para os embarques para os Estados Unidos, país que assumiu o quarto posto entre os principais destinos internacionais. “A média do crescimento das exportações para América Latina e Estados Unidos é de quase 37%, bastante superior ao crescimento geral (+22%)”, enfatizou Ribas.

 

O principal destino dos componentes para calçados no período de janeiro a setembro foi a Argentina. No intervalo, foram embarcados para lá o equivalente a US $71,9 milhões, 42% mais do que no mesmo período do ano passado.

 

O segundo destino das exportações do setor foi a China, que entre janeiro e setembro importou o equivalente a US $65,35 milhões, a maior parte em produtos químicos para couros. O resultado é 1% superior ao registrado no mesmo ínterim de 2021.

 

O terceiro maior comprador de componentes verde-amarelos foi Portugal (US $44,13 milhões e crescimento de 48% ante 2021) e o quarto foi Estados Unidos (US $8,5 milhões e crescimento de 58% ante 2021).

 

Estados exportadores

 

O principal exportador de componentes do Brasil segue sendo o Rio Grande do Sul. Entre janeiro e setembro, partiram das fábricas gaúchas rumo ao exterior o equivalente a US$ 181,4 milhões, 15% mais do que no mesmo período do ano passado. Atualmente, o Estado responde por quase 55% das exportações totais do segmento.

 

O segundo estado exportador do período foi São Paulo, de onde partiram o equivalente a US $38 milhões, 39% mais do que no mesmo ínterim de 2021. Na sequência do ranking aparecem a Bahia (US $26 milhões, 40% mais do que no mesmo período do ano passado) e Ceará (US $20,87 milhões, 48% de crescimento ante 2021).


 

Imagem: Assintecal




 

Conteúdo relacionado:


 

Setor automotivo em alta

 

Aumenta o consumo de resinas e filmes



Mais Notícias PI



A Lecar não vai mais produzir carros elétricos, mas sim híbridos.

Montadora brasileira vai redirecionar esforços antes dedicados à fabricação de carros elétricos para o desenvolvimento de veículos híbridos flex, com sistema de tração elétrico.

01/07/2024


Empresas de extrusão buscam atualização tecnológica

Ênfase no atendimento ao setor de embalagens e interesse por tecnologias habilitadoras da indústria 4.0 são tendências entre as empresas que processam materiais plásticos usando o processo de extrusão.

01/07/2024


Consumo de PVC aumentou entre 2022 e 2023

Pesquisa do IBPVC e da MaxiQuim revelou que o consumo aparente de PVC no País, nos dois últimos anos, passou de 1.024 para 1.122 toneladas.

25/06/2024