A necessidade de oferecer ao mercado produtos que permitam associar aos plásticos a ideia de sustentabilidade tem orientado as estratégias de muitos desenvolvedores de resina, os quais apostam em iniciativas que vão desde a reciclagem química ao desenvolvimento de graus de polímeros de origem renovável.

 

A norte-americana Eastman, por exemplo, tem promovido o uso do biopolímero Trëva em diversas aplicações. De aparência originalmente translúcida e amarelada, o material é um plástico composto por 45% de celulose obtida de madeira de reflorestamento. Aditivado com modificadores de impacto, torna-se uma boa opção para a moldagem de itens injetados que podem ainda receber pintura por spray ou revestimento de alto brilho, sendo por isso bastante especificado pelo setor óptico, servindo à confecção de armações para óculos. No ramo de cosméticos é recomendado para a confecção de embalagens injetadas e de parede grossa. O aspecto hidrofílico do polímero à base de celulose é uma vantagem no caso de embalagens para produtos com formulações secas, como pós. Embora possa ser facilmente revestido, o material incorpora qualquer tipo de pigmento, com formulação feita via adição de masterbatches.

 

Sua composição assegura a fluidez necessária para dispensar o uso de plastificantes que normalmente migram para a superfície dos produtos acabados e dificultam o uso de revestimentos. Também garante que ele resfrie mais rapidamente no ponto de injeção, simplificando a desmoldagem e reduzindo entre 20 e 25% os tempos de ciclo.

 

A empresa também está investindo em instalações para a reciclagem química de resíduos plásticos, inicialmente voltadas para a destinação correta dos produtos à base de poliéster. Coletados pela empresa, produtos pós-uso serão submetidos a um processo denominado metanólise, que os fará retornar ao composto orgânico PTA (ácido tereftálico purificado), que dará origem a novos graus de poliéster. O processo encontra-se em fase de testes e a empresa deverá anunciar, no máximo em 36 meses, o local em que será instalada a unidade que o empregará comercialmente.

 

Outra iniciativa da Eastman é o chamado carbon renew, processo de recuperação que reinsere os materiais plásticos no ciclo de produção para reuso de seu teor de carbono na própria cadeia produtiva de materiais plásticos e celulósicos. Já em operação na unidade da empresa no Tenessee (EUA), é executado em um reator que processa resíduos plásticos de diferentes origens. A meta é trazer ao mercado no final deste ano uma linha de produtos desenvolvida a partir desta tecnologia.

 

PS de volta às origens

A Ineos Styrolution também anunciou em abril deste ano o sucesso nos testes de produção de um poliestireno (PS) virgem a partir de materiais estirênicos despolimerizados.

 

O material foi obtido nas instalações da empresa em Antuérpia (Bélgica), a partir de parcerias feitas com universidades e parceiros comerciais como a canadense Green Mantra, que desenvolveu um processo catalítico e de despolimerização que visa fazer com que os plásticos voltem a ser os compostos que lhes deram origem. Ainda não há previsão de chegada ao mercado dos produtos derivados do uso da tecnologia.

 

Poliolefinas de origem renovável

A holandesa Lyondell Basell anunciou no mês passado o início da produção em larga escala de graus de polipropileno e polietileno de baixa densidade de origem biológica. O projeto é resultado de uma parceria firmada com a finlandesa Neste, produtora de hidrocarbonetos derivados de materiais de origem biológica, incluindo resíduos de diversas origens.

 

Foi relatada a produção de milhares de toneladas de polímeros de origem renovável, aprovados para uso na fabricação de embalagens para alimentos, e que já estão sendo comercializados sob as marcas Circulen e Circulen Plus, denominação da família de materiais da empresa concebidos de acordo com o conceito de economia circular.

 

Os primeiros lotes do material foram fornecidos para testes na Cofresco, uma empresa do grupo alemão Melitta, que planeja usá-los na fabricação de embalagens para linhas de alimentos com apelo de sustentabilidade.

 

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