A Plastek, de origem norte-americana, com unidade brasileira em Indaiatuba (SP), desenvolveu juntamente com a Plasbrink (Cabreúva, SP), linhas de brinquedos moldados com plástico reciclado oriundo da coleta de tampas de garrafas.

 

As tampas de polietileno (PE) e polipropileno (PP), arrecadadas pela organização não governamental Tampinhas que Curam (São Paulo, SP), foram recolhidas e encaminhadas à Plastek para a preparação dos compostos com os quais os brinquedos são fabricados.

 

Foram desenvolvidas três linhas de brinquedos: 400 unidades do kit Equilibrista Maluco, (conjunto de 17 bonecos equilibráveis); 100 gabaritos para desenho Artista Mirim e 40 conjuntos de peças para encaixe da coleção Clic & Lig, que sugere a montagem de um dinossauro, em alusão à origem fóssil dos materiais plásticos (foto ao lado). Os brinquedos foram doados para a própria ONG, que os distribui em instituições de apoio à infância, e também para funcionários da Plastek.

 

Correção de aspectos reológicos

 

José Carlos de Oliveira, gerente de pesquisa e desenvolvimento da empresa, explicou que boa parte das tampas coletadas são moldadas por compressão, e por isso o material apresenta índice de fluidez diferente do verificado naquelas que são moldadas por injeção. Para viabilizar o reprocessamento, é necessária a correção de fatores reológicos, o que é feito mediante a adição de resina reciclada pós-industrial (PIR) da própria Plastek, que também é fabricante de tampas. No processo são usados ainda aditivos compatibilizantes para PE/PP desenvolvidos pela IQX (Valinhos, SP).

 

“A ideia inicial é promover a circularidade e provar que quando há propósito, a ação acontece, O que falta é articulação entre sociedade, governo e indústria”, comentou José Carlos, ressaltando a necessidade de políticas públicas para que se alcance o nível de reciclagem dos materiais plásticos previsto no chamado Decreto dos Plásticos. , o qual estipula a reciclagem de 50% e a reutilização de 40% das embalagens plásticas produzidas no País.

 

A ação, iniciada no final de 2025, deve ter continuidade como ferramenta de promoção da economia circular. “Manteremos foco na ação social, mas testaremos ainda a adição de fibras e de um maior teor de PCR nas formulações”, complementou o gerente.

Em outra parceria, desta vez com a Plasnew (Pedreira, SP), estão sendo produzidos contêineres injetados com capacidade de 100 litros (imagem ao lado), destinados à coleta de tampas. Na moldagem desses reservatórios é usada uma blenda composta por 50% de material PCR proveniente da coleta de tampas e 50% do PIR da Plastek. A empresa produz atualmente de 20 a 30 toneladas/mês desse material, que é comercializado principalmente para fabricantes de utilidades domésticas.

 

 

Imagens: Plastek

 

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