A pandemia do Covid-19 fez com que a Itália passasse a ser vista como um dos piores cenários possíveis, com a escassez de médicos, leitos e equipamentos para tratamento dos enfermos. Algo que pode se repetir por aqui em maior escala, se não nos empenharmos em conter o avanço da contaminação. A impressão 3D, porém, contribuiu para solucionar um grande impasse no atendimento aos pacientes.

A falta de respiradores para ajudar no tratamento dos pacientes contaminados pelo Covid-19 fez surgir a iniciativa do Fab Lab de Milão, um laboratório de fabricação digital que se engajou na busca por um fabricante de válvulas para esses dispositivos por meio da impressão 3D.

Tudo começou quando o editor do periódico Giornale di Brescia soube da falta dos equipamentos em um hospital na cidade de Chiari e sondou junto à Fab Lab a possibilidade de fabricá-los por impressão 3D, tendo em vista a impossibilidade de a fábrica atender ao aumento exponencial da demanda.

Válvula para respirador impressa em 3D pela Lonati

A mobilização do diretor do Fab Lab Milano, Massimo Temporelli levou até a start up Issinova, que instalou uma impressora 3D no próprio hospital, fez a engenharia reversa da válvula e começou a imprimir as peças de reposição em poucas horas. Logo muitos pacientes passaram a poder respirar graças a esses componentes chamados válvulas Venturi, que conectam as máscaras de oxigênio aos respiradores usados por pacientes com insuficiência respiratória decorrente da infecção por coronavirus.

As primeiras válvulas foram impressas pelo processo FDM, mas logo uma segunda empresa, a Lonati SpA passou a produzí-las usando a fusão em leito de pó, com maior precisão, usando um material composto de poliamida.

 

Ajuda sim, mas com critério

A iniciativa movimentou o setor de impressão 3D e grupos formados em redes sociais se entusiasmaram em torno da possibilidade de solucionar grandes gargalos de fabricação dessa maneira. No entanto, há muitos fatores a serem considerados quando da produção de dispositivos para a área médica, como defende Daniel Huamani, diretor da empresa de fabricação digital 3DCriar (São Paulo, SP): “Há uma responsabilidade gigantesca ao redor deste tema e creio que é preciso alertar para o fato de que pessoas com impressoras domésticas (ou grande parte dos fab labs) não devem imprimir dispositivos médicos, especialmente para disponibilizar para hospitais, clínicas, etc”, declarou.

Toda crise leva ao surgimento de ideias novas e soluções criativas, e a manufatura aditiva é um ambiente propício para isso por proporcionar a descentralização da produção de forma flexível, sem ferramental e atendendo a demandas emergenciais como a que ocorreu na Itália. “No entanto, a comunidade 3D deve ajudar com responsabilidade e dentro das limitações que existem. Há muitos engenheiros, projetistas, médicos, enfermeiros, profissionais de todas as áreas que são entusiastas da impressão 3D e que podem contribuir com projetos de equipamentos, input de soluções, validação de conceitos e formas”, alertou Daniel.

 

Na foto, a válvula para respirador impressa em 3D pela Lonati
(A foto é cortesia de Michele Faini para a Lonati)


#impressão3D #covid19



Mais Notícias PI



Moldes impressos em 3D podem representar economia de até 90%

Instituição voltada para a inovação em plásticos divulga estudo de viabilidade e relata obter até 900 ciclos de injeção com um ferramental impresso em 3D.

15/09/2021


Impressão 3D sobre eixo rotativo simplifica a criação de peças cilíndricas

Designer desenvolve projeto de impressora 3D para peças cilíndricas que combina a manufatura aditiva por FDM com a deposição de material sobre um eixo rotativo.

13/09/2021


Pódio olímpico feito com plástico reciclado

Pela primeira vez, desde o início das olimpíadas em 1896 na Grécia, os pódios olímpicos são feitos de plástico reciclado. A etapa 2020 dos jogos busca maiores índices de sustentabilidade.

04/08/2021