O mercado de reciclagem entrou em uma nova fase desde o final do mês de outubro, com a assinatura do acordo setorial de logística reversa de eletroeletrônicos, por entidades representativas do setor e pelo Ministério do Meio Ambiente. Aguardado desde 2010, quando foi criada a Política Nacional de Resíduos Sólidos, ele prevê que em cinco anos seja realizada a coleta e destinação adequada de 17% do lixo eletrônico produzido anualmente no País, com a criação de cinco mil postos de coleta, em 400 municípios. Define também que as empresas fabricantes apresentem um cronograma anual de implementação da logística reversa para os seus produtos, um plano de comunicação para engajar consumidores e relatórios anuais de acompanhamento.

 

As recicladoras que já estão preparadas para acolher esta demanda têm muita atividade pela frente, como é o caso da Indústria Fox, de Cabreúva (SP), que atua desde 2010 em atividades envolvendo a destinação correta de geladeiras e freezers ao final da vida útil.

 

A empresa integra hoje um projeto de coleta junto ao Magazine Luiza, por meio do qual chegam às suas instalações anualmente cerca de 400 mil unidades de eletrodomésticos, ocupando a capacidade de reciclagem primária de 5 toneladas de equipamentos/hora. Dois moedores (schredders) com capacidade de 2.500 t/h cada reduzem esses produtos a partículas.

 

De 8 a 12% do total de materiais presentes nos refrigeradores são plásticos, predominantemente poliestireno (PS), usado nas prateleiras e revestimento interno. Ele é fragmentado, lavado e fornecido em flakes para empresas que o usam na moldagem de novos produtos.

 

Materiais como alumínio, ferro, cobre, vidro, cerâmica e fiação são separados e seguem para parceiros comprometidos com seu reaproveitamento. O poliuretano proveniente do isolamento térmico vira pó e é repassado para queima em alto forno.

 

Já o óleo do sistema de refrigeração dos eletrodomésticos é usado pela Fox para produzir um spray desengripante, sob a marca FX, aproveitando o conhecimento técnico do engenheiro mecânico e CEO da empresa, Marcelo Souza. Antes de empreender na reciclagem, em 2009, ele trabalhou na nacionalização de máquinas para produção e montagem de válvulas para a fabricação de frascos de aerossol.

 

A Fox opera atualmente em horário comercial, com apenas 50% de sua capacidade, podendo dobrá-la e ainda estabelecer um novo turno, caso necessário. Marcelo explicou que como a empresa possui muitos engenheiros em seu quadro de funcionários, é possível flexibilizar com relativa facilidade a sua capacidade produtiva, e inclusive fabricar internamente novos equipamentos.

 

A capacidade do corpo técnico vinha sendo usada também no desenvolvimento de produtos próprios a partir da revalorização de materiais em bom estado. Surgiram assim itens de decoração feitos com as chapas de metal cortadas a laser e janelas com esquadrias, seguindo os princípios de construção sustentável (green building), fabricadas com os vidros extraídos em bom estado dos refrigeradores-displays de sorvetes e bebidas. A Fox possui hoje 160 funcionários, sendo 10 na sua unidade in house, instalada na fabricante de eletrodomésticos Whirpool, na cidade de Rio Claro (SP).

 

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