A Kaneka, empresa de origem japonesa com subsidiária brasileira em São Paulo (SP), desenvolveu a linha de materiais bioplásticos Green Planet, baseada em polihidroxihexanoato-co-hidroxibutiratos (PHBH), criada para suprir a demanda global por materiais biodegradáveis em substituição aos polímeros de origem fóssil.

 

A resina base é sintetizada no Japão via fermentação de óleos vegetais e distribuída globalmente por intermédio de centros logísticos localizados nos Estados Unidos, Bélgica e Malásia. O material diferencia-se da estrutura do polihidroxibutirato (PHB) padrão por apresentar maior flexibilidade, além de atender às certificações internacionais de compostagem doméstica, industrial e biodegradação em ambiente marinho.

 

A engenheira de materiais Letícia Ferreira Peres (foto), da Kaneka, explicou que a transformação do PHBH via injeção ou extrusão exige ajustes operacionais no chão de fábrica em comparação com poliolefinas convencionais como o PE e o PP. O material demanda parâmetros controlados de cisalhamento, rigoroso perfil de temperaturas e operação com velocidades de linha mais baixas. Já em termos de desempenho térmico, o PHBH supera o poli(ácido poliláctico) (PLA) por manter a estabilidade dimensional ao contato com fluidos aquecidos, o que torna possível a moldagem de itens para consumo direto de bebidas e alimentos quentes.

 

Entre as aplicações comerciais já consolidadas em escala internacional destacam-se artigos de uso único, tais como sacolas, talheres descartáveis, canudos, itens para hotelaria, dispositivos médicos e embalagens de varejo. No mercado norte-americano, a parceria com a fabricante Better for All Cups (Estados Unidos) viabilizou a produção de copos descartáveis 100% compostáveis moldados com o composto comercial Green Planet.

 

Fundada na década de 1950 como produtora de cloreto de polivinila (PVC), a Kaneka expandiu seu portfólio para aditivos de processamento e modificadores de impacto acrílicos, utilizando esse know-how de formulação para estruturar a tecnologia de biopolímeros.

 

No cenário sul-americano e no Brasil, o volume produtivo global ainda limitado e o custo relativo elevado restringem o consumo a nichos industriais específicos. Na opinião de Letícia, O avanço do processamento de PHBH no mercado nacional depende da estruturação de novos marcos regulatórios e incentivos oficiais, uma vez que decretos vigentes voltados à reciclagem não contemplam os biopolímeros com a mesma abrangência verificada em regulamentações internacionais, como o Packaging and Packaging Waste Regulation (PPWR) da União Europeia.

 

Kaneka – www.kanekagreenplanet.com

 

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