Pesquisadores da CUNY – City University of New York (Universidade da Cidade de Nova Iorque, EUA) – e do IBEC Barcelona – Instituto de Bioengenharia da Catalunha (Espanha) – desenvolveram biomateriais, a partir de projetos diferentes, que têm capacidade de reagir à água. As instituições têm por objetivo criar biopolímeros resistentes à ação da umidade, que pode acelerar a degradação de embalagens que os têm em sua composição, por exemplo.   

Estudos realizados pela CUNY levaram ao desenvolvimento de um biopolímero que altera drasticamente sua estrutura conforme a umidade do ambiente varia, tornando-se mais rígido ou mais macio.

 

O material foi criado por meio da combinação de proteínas chamadas peptídeos, utilizando uma solução de leucina e isoleucina. As pesquisas abrangeram ensaios com o novo biopolímero, nos quais o seu estado foi alterado sem que ele perdesse resistência.

 

Durante o processo de remoção de água do material, os peptídeos formaram uma estrutura rígida e porosa semelhante a um favo de mel, ao passo que a mesma se tornava mais macia à medida que perdia água. Os estudos também mostraram que este processo é reversível.

 

De acordo com os pesquisadores da instituição norte-americana, esse conceito pode ser útil para a fabricação de embalagens de alimentos, no que se refere à exposição à umidade, e de estruturas inteligentes como, por exemplo, revestimentos funcionais.

 

“Não se trata de pequenos ajustes ou movimentos sutis de expansão e contração. O material reorganiza completamente a forma como suas moléculas estão organizadas”, comentou Vignesh Athiyarath, autor principal do estudo realizado pelos pesquisadores da CUNY.

 

As pesquisas realizadas pelo IBEC, lideradas por Javier G. Fernández, tiveram como resultado a criação de um biopolímero que altera suas propriedades conforme o nível de umidade ao seu redor, se tornando mais resistente quando é exposto à umidade.

 

O estudo envolveu o uso de quitosana – substância natural encontrada, por exemplo, em conchas de animais marinhos e no exoesqueleto de insetos. A quitosana possui características semelhantes às de materiais plásticos. Entretanto, apresenta baixa resistência à água. Visando aumentar a resistência do material à água, foi realizado um enriquecimento de níquel metálico em sua composição.

 

De acordo com os pesquisadores do instituto espanhol, devido ao novo material conter níquel, um composto potencialmente tóxico, recomenda-se que ele não seja descartado em ambientes naturais.


 

Imagem: Divulgação.

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