A European Bioplastics (EUBP) – associação que representa os interesses da indústria de bioplásticos na Europa –, realizou virtualmente sua 15ª Conferência da EUBP em que divulgou dados atualizados sobre a indústria mundial dos materiais poliméricos de origem biológica.

 

De acordo com o relatório publicado, há uma forte tendência de crescimento dinâmico e contínuo da indústria global de bioplásticos. “Nosso setor superou com sucesso os desafios impostos pela pandemia de Covid-19. E as perspectivas para os bioplásticos também são promissoras, visto que o mercado global deve crescer 36% nos próximos cinco anos”, afirmou François de Bie, presidente da EUBP.

A capacidade mundial de produção de bioplásticos deve aumentar de cerca de 2,1 milhões de toneladas (em 2020) para 2,8 milhões de toneladas (em 2025). Biopolímeros inovadores, como polipropileno (PP) de base biológica e, especialmente, poli(hidroxialcanoatos) (PHAs) continuam a impulsionar esse crescimento.

 

Atualmente os plásticos biodegradáveis respondem por quase 60% da produção global de bioplásticos. Desde que os PHAs entraram no mercado, a participação dessa família de polímeros continuou a crescer: as capacidades de produção deverão aumentar quase sete vezes nos próximos cinco anos. A produção de poli(ácido láctico) (PLA) também continuará crescendo devido aos novos investimentos em unidades de produção em países como a China e Estados Unidos, e no continente europeu. PHA e PLA são de base biológica, biodegradáveis e apresentam uma ampla gama de propriedades físicas e mecânicas.

 

Segundo os dados publicados, as capacidades de produção de PP de base biológica deverão mais do que triplicar até 2025. Isso se deve à ampla aplicação de PP em uma ampla gama de setores. Trata-se de um material muito versátil que apresenta excelentes propriedades de barreira e é um dos plásticos commodities mais difundidos. Uma versão de base biológica dessa olefina é aguardada há muitos anos. Plásticos de base biológica não biodegradáveis, incluindo as soluções drop-in de polietileno (PE), poli(tereftalato de etileno) (PET) e poliamidas (PAs), atualmente representam 40% (0,8 milhões de toneladas) das capacidades globais de produção de bioplásticos.

 

Para o PE de base biológica, novas capacidades estão planejadas para entrar em operação na Europa e na América do Sul nos próximos anos. Em contraste, o PET de base biológica contribuirá apenas com uma pequena parcela das capacidades gerais. As intenções de aumentar as capacidades de produção não foram realizadas na taxa prevista nos anos anteriores. Em vez disso, o foco mudou para o desenvolvimento de poli(furanoato de etileno) (PEF), um novo polímero que deve entrar no mercado em 2023. O PEF pode ser comparado ao PET em certas aplicações, embora seja de fonte biológica e apresente propriedades de barreira superiores, o que o torna uma alternativa de material às garrafas de bebidas.

 

As embalagens continuam sendo o maior campo de aplicação de bioplásticos, com quase 47% (0,99 milhões de toneladas) do mercado total de bioplásticos em 2020. Os dados também confirmam que os materiais bioplásticos já estão sendo usados em muitos outros setores, e o portfólio de aplicações continua a se diversificar. Segmentos, tais como bens de consumo ou produtos agrícolas e hortícolas, continuam aumentando sua participação relativa.

 

Com relação ao desenvolvimento da capacidade regional, a Ásia continua sendo um importante centro de produção, com mais de 46% dos bioplásticos sendo produzidos atualmente. Um quarto da capacidade de produção está localizado na Europa. Entretanto, prevê-se que essa participação cresça até 28% até 2025.

 

 

Recentemente, investimentos significativos foram anunciados por nossa indústria, também no coração da União Europeia. A Europa está prestes a se tornar um importante produtor de bioplásticos. O material terá um papel importante na obtenção de uma economia circular. A produção 'local for local' vai acelerar a adoção de bioplásticos no mercado europeu”, afirmou Hasso von Pogrell, Diretor Executivo da European Bioplastics.

 

Quanto à utilização de solo fértil para produção de materiais plásticos, Pogrell ressalta ainda que “não há competição entre produção de alimentos e rações e o uso de bioplásticos”. Em nível global, a terra usada para cultivar a matéria-prima renovável para a produção de bioplásticos é estimada em 0,7 milhão de hectares (em 2020) que representa 0,015% da área agrícola mundial de 4,7 bilhões de hectares. Apesar do crescimento do mercado previsto nos próximos cinco anos, a parcela do uso da terra para produção de bioplásticos aumentará para 0,020%.

 

A atualização destes dados foi compilada em cooperação com o nova-Institute, um instituto alemão de pesquisas e consultoria com foco na transição da indústria química e de materiais para o carbono renovável. Os dados para as capacidades globais de produção de bioplásticos são baseados no estudo de mercado “Bio-based Building Blocks and Polymers – Global Capacities, Production and Trends 2019 – 2024”, do instituto.

 

(Fotos: European Bioplastics, nova-Institute)

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