Hellen Souza, da redação


O uso de nanomateriais de carbono como melhoradores do desempenho de produtos plásticos está avançando à medida que soluções técnicas superam antigos gargalos de formulação e processamento. Um dos materiais, o grafeno, é objeto de estudo de pesquisadores brasileiros há muitos anos, mas a sua adoção pela indústria tem sido gradativa, em parte devido ao uso mal sucedido, sem a devida avaliação de aspectos como a aglomeração e a contaminação dos insumos.

 

Nesse cenário, a Nexus Consultoria, fundada em junho de 2025, estruturou sua operação para tornar viável tecnicamente o uso do grafeno por transformadores de resinas virgens e recicladas, com base na experiência acadêmica de sua fundadora, a dra. Aline Zanchet, engenheira química (foto ao lado) e de seu sócio, Túlio Fulginiti.

 

A empresa desenvolveu o N3xusGraph Soy, uma dispersão de grafeno que tem o óleo vegetal de soja como carreador. A formulação possibilita a dosagem homogênea do aditivo diretamente em matrizes poliméricas como polietileno (PE), polipropileno (PP) e poliamida (PA), utilizando grafeno de origem 100% nacional, produzido em Minas Gerais e caracterizado pela elevada pureza.

 

Aplicações diversas

 

Atualmente a Nexus está fornecendo as dispersões de grafeno para transformadores de plásticos e elastômeros em diferentes regiões brasileiras, para aplicação em segmentos com o filmes para embalagens, pisos, peças automotivas, carcaças diversas e também para aditivação do Polietileno de ultra alto peso molecular (PEUAPM), normalmente fornecido na forma de semi acabados destinados à usinagem. “O grafeno, no passado, foi considerado um insumo caro, o que é um mito, tendo em vista a mínima quantidade necessária para melhorar as formulações”, comentou Aline em entrevista exclusiva à Plastico Industrial.

 

Os ganhos operacionais e de engenharia observados nas aplicações industriais incluem a redução do consumo de matéria-prima. Com a dispersão de 2% do aditivo já foi documentada uma economia de até 40% de resina virgem em uma formulação, em razão do ganho de propriedades de resistência mecânica, alongamento à ruptura e barreira a gases, favorecendo a diminuição de espessuras de filmes e peças.

 

O aditivo também melhora a condutividade térmica de formulações e promove a reciclabilidade de resinas recicladas de origem pós-industrial e pós-consumo. No segmento calçadista, por exemplo, a empresa Bottero adotou a tecnologia para reaproveitar 100% de seus resíduos internos, zerando o descarte. Nos filmes plásticos, além de aumentar a resistência a rasgos, o grafeno confere hidrofobicidade, estendendo a vida útil de produtos embalados, tais como pães de fôrma.

 

Para fazer frente ao aumento da demanda verificada já em seu primeiro ano de operação, a Nexus expandiu sua infraestrutura fabril em Portão (RS) e atualmente tem capacidade para produzir 400 litros/mês de dispersão, com projeção de atingir de 600 a 700 litros/mês até o final do ano. A unidade fabril conta com misturadores industriais com capacidade de processamento de até 500 litros por hora, mantendo o suporte técnico a partir da atuação conjunta dos sócios Túlio e Aline.Zanchet.

 

Normalização e debate técnico

 

A consolidação do grafeno no mercado brasileiro deve ganhar respaldo normativo com o lançamento do Programa de Avaliação de Conformidade (PAC) Grafeno pelo Inmetro, previsto para o próximo ano. Alinhada à norma ABNT ISO/TS 21356-1 e a diretrizes internacionais de nanotecnologia, a iniciativa prevê a certificação oficial de produtos e derivados, contando com o apoio de laboratórios como o Centro de Tecnologia em Nanomateriais e Grafeno da UFMG (CTNano) para coibir o comércio de materiais sem controle de qualidade.

 

A engenheira química Aline Zanchet detalhará estes avanços e os dados práticos de aplicação industrial em sua palestra durante o simpósio Grafenoplast, agendado para o mês de setembro, em São Paulo (SP).

Os contatos com a Nexus podem ser feitos pelos telefones (54) 997033286 (Aline) e (51) 99898-8520 (Túlio).


 

Conheça mais sobre o grafeno lendo o artigo Uso de grafeno em pesquisas com polímeros: superando as fases de maior risco técnico e financeirono portal da Plástico Inustrial.

Imagens: Nexus
 

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