As alemãs Morsan e o Grupo Lehvoss, que tem subsidiária em São Paulo (SP), anunciaram uma parceria
estratégica para a produção de peças de reposição funcionais destinadas à indústria de alimentos e bebidas por meio de manufatura aditiva (impressão 3D) industrial. Utilizando os materiais de alto desempenho da linha Luvocom 3F e a tecnologia FFF/FDM (Fused Filament Fabrication, fabricação por fusão de filamento), as empresas substituem estoques físicos por armazéns digitais para fabricar peças de reposição sob demanda em qualquer localidade. A iniciativa visa reduzir o tempo de parada de máquina das linhas de envase e embalagem, oferecendo peças com resistência química e mecânica superior àquelas obtidas por métodos convencionais, especialmente em ambientes de sala limpa e operação 24/7.
Do ponto de vista técnico, a estratégia aplica a liberdade de design da manufatura aditiva para otimizar os componentes conforme necessidades reais de carga. O uso de compostos termoplásticos avançados — que abrangem desde PET e PA até o poli(sulfeto de fenileno, PPS) — garante repetibilidade de processo e elevada adesão entre camadas impressas. Essa estabilidade dimensional e térmica é crítica para peças de precisão como engrenagens de correias transportadoras e grampos de fixação de garrafas, que enfrentam tensões mecânicas cíclicas e exposição constante a agentes sanitizantes.
A estratégia de "estoque digital" permite que centenas de itens, como guias de eixos ajustáveis e empurradores de latas, por exemplo, sejam fabricados em pequenas quantidades com custo-benefício superior ao de peças originais de fábrica. A colaboração prioriza a estabilidade do processo para que se alcance a produção em escala industrial, preenchendo a lacuna técnica entre a produção convencional a partir de grânulos plásticos e os requisitos específicos da extrusão de filamentos.
A consolidação dessa tecnologia como método de produção em série e manutenção antecipa a implementação de soluções de software que permitirão a fabricação pelos próprios clientes finais. O avanço reforça que a manufatura aditiva para polímeros de engenharia ultrapassou o estágio de prototipagem, estabelecendo-se como uma ferramenta de gestão de ativos e engenharia de materiais de alto nível.
Imagem: Lehvoss
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