Por Anderson Soares 

 

 

Nos últimos 20 anos, a tecnologia de manufatura aditiva migrou do uso em prototipagem rápida para uma solução completa de manufatura, chamada “manufatura digital direta” (ou manufatura rápida). As empresas estão empregando cada vez mais a manufatura digital em aplicações de manufatura e, a cada êxito, provam que se trata de uma alternativa viável.

 

Manufatura digital - o próximo passo da manufatura

 

Embora o conceito geral de manufatura aditiva seja o mesmo de quando foi introduzido há 20 anos, no caso da manufatura digital, a mudança está na pretensão de uso, ou seja, na produção efetiva e na funcionalidade, e não apenas na prototipagem. Com isso, mesmo que o conceito de manufatura digital direta já exista há algum tempo, para muitos ainda pode ser uma coisa nova e, às vezes, difícil de entender.

 

 

Para facilitar o entendimento, em linhas gerais, manufatura aditiva é o nome genérico dado aos processos que criam uma peça, construindo-a em camadas, em oposição à fresagem ou usinagem, que são processos subtrativos. A manufatura aditiva foi desenvolvida como uma maneira de automatizar a criação de protótipos e, com isso, foi originalmente chamada de prototipagem rápida. Também é conhecida por alguns outros nomes, incluindo impressão 3D, um dos mais populares.

 

Já a manufatura digital é o processo de utilizar diretamente CAD ou outros dados para alimentar uma máquina de manufatura aditiva, por exemplo, uma impressora 3D, para fabricar peças finais e utilizáveis. Ou seja, componentes de produtos vendáveis, peças de máquinas de produção, peças de substituição ou ferramental de manufatura, como gabaritos e fixadores, por exemplo.

 

 

É por esse motivo que muitas indústrias e setores, como o aeroespacial, o automotivo, o de saúde, de moda e, inclusive, de educação, estão utilizando cada vez mais a manufatura digital como um meio eficiente, rápido e mais barato para obter produtos customizados e funcionais, sem ter que contratar empresas terceirizadas.

 

Com a manufatura digital, eliminam-se restrições de moldagem, usinagem, fundição e formagem e, com apenas alguns minutos de pré-processamento, para preparar a produção, e de pós-processamento leve, para polimento e limpeza, a manufatura digital avança diretamente dos dados CAD para a peça final. Ao eliminar as operações iniciais e finais comuns dos métodos tradicionais, reduz-se o tempo e o custo de produção e mão de obra.

 

 

Em relação aos métodos tradicionais, a manufatura digital consegue eliminar o investimento em produção de ferramental e, inclusive, acelera o ciclo de design e, por exemplo, a colocação de um produto no mercado. Além disso, é possível ampliar as possibilidades de designs e produzir peças customizadas. Conjuntamente, esses benefícios são traduzidos em eficiência, flexibilidade, capacidade de resposta e preço acessível.

 

É importante ressaltar que, em uma sociedade que busca reduzir o impacto ambiental dos processos produtivos e na qual os consumidores estão cada vez mais engajados no consumo sustentável, a manufatura digital é uma grande aliada, pois gera muito pouco desperdício em comparação com os processos tradicionais, sem que nenhum item desnecessário seja produzido. Além disso, a maioria dos processos aditivos não requer nenhum produto químico nocivo e não libera fumaça tóxica no meio ambiente.

 

 

Por fim, a manufatura digital destaca-se bastante na produção de ferramental para a indústria, podendo ser um trunfo e uma alternativa de baixo risco e de alto retorno, pois, como o ferramental é usado pela empresa, e não pelo cliente, e o custo de produzi-lo é pequeno, uma tentativa sem sucesso tem poucas consequências. Contudo, quando bem-sucedida, a manufatura digital melhora significativamente a produtividade, a qualidade e o custo da produção de peças.

 

Sendo assim, cada vez mais empresas de todos os tamanhos passam a adotar as tecnologias necessárias para manufatura digital e o processo em si em seu dia a dia, otimizando suas operações e reduzindo gargalos. As oportunidades criadas pelo processo são praticamente ilimitadas, e as companhias apenas começaram a descobrir tudo o que pode ser feito com esse potencial.



Autor: Anderson Soares, Territory Manager da Stratasys no Brasil.



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