Hellen Souza, da  Redação

A Associação Alemã de Fabricantes de Ferramentas e Moldes (VDWF) enviou uma carta aberta urgente ao Governo Federal Alemão e à Comissão Europeia, neste início de 2026, para exigir apoio político imediato diante do risco de colapso do setor na Europa. O movimento, liderado pelo diretor-geral Ralf Dürrwächter e pelo presidente Thomas Seul, ocorre em resposta à queda drástica nos volumes de produção e ao aumento das insolvências, fatos impulsionados pela concorrência desleal de fornecedores asiáticos subsidiados e pela escalada dos custos operacionais. A entidade busca salvaguardar a competitividade das ferramentarias, consideradas a "espinha dorsal" da manufatura.

 

A preocupação está relacionada ao papel fundamental que as ferramentarias exercem no ecossistema de produção. Segundo a VDWF, que representa mais de 500 empresas (incluindo algumas da Áustria, Suíça e Hungria), a perda da capacidade produtiva de moldes e matrizes compromete toda a cadeia de inovação europeia. Sem o domínio local sobre as ferramentas de precisão, o setor de transformados plásticos perde agilidade no desenvolvimento de novos projetos e se torna excessivamente dependente de fornecedores externos, o que ameaça a soberania tecnológica do bloco.

 

Um dos pontos centrais da crise é a concorrência global, especialmente com o ferramental vindo da China. O setor de ferramentarias na Alemanha, composto majoritariamente por pequenas e médias empresas, aponta que o reconhecimento estratégico do setor pelo governo chinês, traduzido em fortes subsídios, coloca os moldes europeus em uma desvantagem financeira insustentável. Essa pressão tem resultado na queda acentuada do retorno sobre as vendas, tornando inviável o reinvestimento necessário em máquinas e tecnologias de manufatura avançada.

 

Diante desse cenário, a associação apresentou uma lista de reivindicações específicas voltadas à manutenção da base industrial. As demandas incluem a aplicação rigorosa de leis de concorrência leal, maior alívio fiscal e medidas de proteção à propriedade intelectual, visto que a ferramentaria é o repositório natural do conhecimento voltado para o desenvolvimento de peças. Além disso, a VDWF pede o aumento do financiamento para educação e formação técnica, visando suprir a carência de mão de obra qualificada capaz de operar os complexos sistemas de fabricação atuais.

 

O apelo final da carta destaca que o colapso da indústria de moldes geraria um efeito cascata em todo o setor manufatureiro, colocando em risco centenas de milhares de empregos.

 

Apelo europeu ecoa no Brasil

 

A situação descrita pela VDWF na Alemanha guarda paralelos preocupantes com o cenário enfrentado pelas ferramentarias no Brasil. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Ferramentaria (Abinfer), o setor nacional também luta para sobreviver a um processo de desindustrialização e perda de competitividade.

 

A queixa alemã sobre os subsídios chineses é idêntica à brasileira. No Brasil, o setor enfrenta o peso dos impostos sobre bens de capital e a falta de linhas de crédito competitivas. Enquanto o custo de fabricação na China é agressivamente baixo devido a subsídios governamentais, a ferramentaria brasileira lida com encargos sociais e custos de matéria-prima que encarecem o produto final.


Enquanto a VDWF apela para a Comissão Europeia, a Abinfer tem sido a voz principal junto ao governo brasileiro para fortalecer programas como o Mover (Mobilidade Verde e Inovação). A meta é atrair a fabricação de moldes para dentro do País, exigindo que montadoras nacionalizem componentes estruturais.

 

Fonte: VDWF

Imagem: VDWF

 

 

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