A alemã KUKA, com subsidiária brasileira em São Bernardo do Campo (SP), lançou mundialmente sua plataforma de software KUKA AMP, em associação com a NVIDIA, visando introduzir a inteligência artificial (IA física, ou Automação 2.0) em processos complexos de manufatura, tias como a transformação de plásticos. A nova tecnologia permite que robôs operem de forma autônoma e adaptativa em ambientes de injeção, extrusão e pós-processamento, respondendo à necessidade das indústrias de plásticos por maior produtividade e flexibilidade.


A IA Física (ou Physical AI) é o estágio da inteligência artificial em que o processamento de dados deixa de ser puramente digital — como gerar textos ou imagens — e passa a interagir diretamente com o mundo material. No contexto industrial, é a tecnologia que permite a uma máquina perceber, raciocinar e agir de forma autônoma em um ambiente físico.

 

Para o setor de plásticos, trata-se da transição da automação rígida para a automação baseada em “intenção”. Em vez de programar cada movimento milimétrico para a retirada de peças ou rebarbação de componentes plásticos complexos, o sistema utiliza modelos de IA para interpretar o objetivo final, ajustando-se automaticamente a variações térmicas ou imperfeições dimensionais das peças. A tecnologia tem potencial para reduzir o tempo de setup e a dependência de programadores de robótica altamente especializados.

 

De acordo com comunicado de imprensa, a estratégia da KUKA mantém a Automação 1.0 (baseada em regras) como a plataforma para tarefas de alto volume e ciclos rápidos, típicos da moldagem por injeção de grandes lotes. A inovação da IA Física acrescenta flexibilidade a processos de montagem, decoração (in-mold labeling) e logística interna, nos quais a percepção sensorial do robô permite que ele aprenda e opere com segurança ao lado de operadores humanos, minimizando paradas de linha não programadas.

 

Simulação e gêmeos digitais: o papel da NVIDIA

 

A parceria entre a KUKA e a NVIDIA traz benefícios diretos para a fase de projeto e validação. Por meio de gêmeos digitais (digital twins) e simulações de alta fidelidade no ecossistema NVIDIA, é possível replicar virtualmente o comportamento de células de moldagem e periféricos com precisão física.

Para o transformador, isso significa a capacidade de testar fluxos de trabalho e interações robóticas antes da instalação física, antecipando gargalos e otimizando a manipulação de peças técnicas sem desperdício de matéria-prima ou tempo de máquina.

 

Imagem: Kuka

 

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