Em janeiro de 2026, o Indicador Ipea de Consumo Aparente de Bens Industriais registrou um avanço de 2,8% em relação a dezemb
ro de 2025 (série com ajuste sazonal), interrompendo uma sequência de três quedas consecutivas. O resultado foi impulsionado pelo crescimento de 4,5% na produção doméstica destinada ao mercado interno, compensando a leve retração de 0,7% nas importações. Elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o indicador aponta a demanda interna por manufaturados, refletindo o fôlego da atividade fabril no início do primeiro trimestre.
Há dados importantes que refletem o desempenho do setor de usinagem. A metalurgia apresentou um salto
expressivo de 12,9%, o maior crescimento entre os segmentos analisados, muito à frente de outros como o alimentício (aumento de 1%), têxtil (aumento de 6,4%), como mostra o gráfico ao lado. Além disso, a demanda por veículos automotores avançou 6,8%, o que sinaliza um aquecimento em importantes cadeias de suprimentos que dependem diretamente de serviços de usinagem.
Apesar da recuperação mensal, o cenário para investimentos em maquinário ainda exige cautela. O consumo aparente de bens de capital recuou 0,9% em janeiro, acumulando uma queda acentuada de 10,1% no comparativo interanual (contra janeiro de 2025). Esse contraste sugere que, embora o chão de fábrica esteja mais movimentado para atender ao consumo imediato — especialmente de bens duráveis, cuja demanda cresceu 10,7% —, a renovação de máquinas e a expansão de capacidade produtiva ainda enfrentam barreiras econômicas.
No acumulado de doze meses, a demanda por bens industriais estabilizou em 0,5%, igualando-se ao ritmo da produção industrial geral. Setores correlatos à usinagem mostram desempenhos mistos no longo prazo: enquanto máquinas e equipamentos manteve um saldo positivo de 2,5% nos últimos doze meses, o segmento de produtos de metal recuou 2,1%.
Imagem: Unsplash
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