O balanço das atividades da indústria brasileira em geral foi divulgado no início deste mês pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Embora não apresente um recorte específico para o setor metal mecânico, os indicadores apurados incluem e caracterizam também o desempenho das empresas do ramo.

O desempenho geral em 2025 foi marcado por um primeiro semestre mais aquecido e um segundo semestre com perda de fôlego, inserido no contexto de desaceleração da indústria de transformação como um todo. Em dezembro, indicadores como faturamento real, horas trabalhadas, emprego e utilização da capacidade instalada registraram queda frente a novembro, consolidando um ambiente menos favorável para fabricantes de máquinas, equipamentos e produtos metalúrgicos

 

A publicação da CNI mostra que, na passagem de novembro para dezembro de 2025, o faturamento real da indústria de transformação caiu 1,2%, já descontados os efeitos sazonais. O número de horas trabalhadas na produção recuou 1,0% no mesmo comparativo, reforçando a percepção de menor ritmo de atividade nas plantas industriais. Como o setor metal mecânico é intensivo em bens de capital e bens intermediários, essa retração tende a se traduzir em adiamento de investimentos, menor carteira de pedidos e alongamento de prazos de decisão por parte de clientes industriais.

 

Recuo no índice de empregos

 

O emprego industrial recuou 0,2% em dezembro frente a novembro, sendo o quarto mês consecutivo de variação negativa, o que indica um ajuste gradual da força de trabalho em resposta ao enfraquecimento da atividade ao longo do segundo semestre.

 

No acumulado de janeiro a dezembro de 2025, contudo, o emprego ainda mostra alta de 1,6% em relação ao mesmo período de 2024, sugerindo que parte dos ganhos obtidos na primeira metade do ano foi preservada. Para o setor metal-mecânico, isso aponta uma possível correção do quadro de pessoal, com alguma pressão sobre a produtividade, com a reorganização de turnos e horas extras, em vez de um corte brusco de mão de obra qualificada.

 

Capacidade instalada

 

A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) da indústria de transformação passou de 77,2% em novembro para 76,8% em dezembro de 2025, queda de 0,4 ponto percentual. Em relação a dezembro de 2024, a redução foi de 2,7 pontos percentuais, e a média de 2025 ficou 1,2 ponto abaixo do nível observado em 2024.

 

Esse aumento da ociosidade é especialmente sensível para o metal-mecânico, setor de alto investimento em máquinas, parques fabris e tecnologia. Com linhas produtivas usando uma fatia menor da capacidade, cresce a pressão por ganhos de eficiência, renegociação de contratos e revisão de planos de expansão, ao mesmo tempo em que a competição por encomendas se acirra entre fornecedores.


Balanço geral

 

O balanço de 2025 descrito pela CNI combina estabilidade do faturamento real no acumulado do ano (-0,1%) e um pequeno avanço do emprego (+1,6%) com queda da utilização da capacidade instalada. Em termos setoriais, o metal-mecânico tende a repetir esse padrão: um começo de ano mais forte, sustentado por demanda represada e projetos em andamento, seguido de um segundo semestre de ajuste, postergação de investimentos e maior ociosidade.

 

Assim, 2025 se encerra para o segmento com um quadro de desempenho misto: sem colapso da produção ou do emprego, mas com clara perda de tração na segunda metade do ano, margens mais pressionadas e um nível de utilização da capacidade que exige cautela nas decisões de expansão para 2026.


 

Imagem: CNI

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