O grupo alemão Trumpf, especializado no desenvolvimento de máquinas para corte e soldagem a laser de chapas metálicas, além de dobradeiras e puncionadeiras, com filial em Barueri (SP), anunciou os resultados preliminares do fechamento do ano fiscal 2021/22, reportando impressionantes 82% de aumento na entrada de pedidos de máquinas em sua unidade brasileira, com um incremento de 32% no faturamento.

Os resultados preliminares do grupo apontam vendas totais de 4,2 bilhões de euros, acima dos 3,5 bilhões de euros no ano fiscal 2020/21. A entrada de pedidos no período também foi recorde: aumentou 42%, saltando de 3,9 bilhões de euros para 5,6 bilhões de euros, apesar da pandemia e da incerteza global.

 

Os setores que mais impulsionaram os bons resultados da empresa no Brasil foram o de máquinas agrícolas, implementos rodoviários e máquinas para construção, a chamada linha amarela.

 

Os dados do agronegócio brasileiro estão de acordo com o que sinaliza o desempenho da Trumpf por aqui: a perspectiva para a próxima safra de grãos, no período 2022/2023 é de uma cifra recorde de 308 milhões de toneladas, puxada pelos mercados de milho, soja, arroz, feijão e algodão, de acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A produção de máquinas e implementos acompanha o desempenho da produção no campo, puxando toda a cadeia a montante, com reflexos positivos para o setor de máquinas e equipamentos industriais.

 

Melhor ano da história para a filial brasileira

 

A Trumpf Brasil teve o melhor ano fiscal desde o início das suas operações, há 41 anos. Segundo João Visetti, CEO da empresa (foto ao lado), o aumento do prazo de entrega das máquinas, com destaque para os sistemas de automação, que são uma tendência mundial e cada vez mais procurados no mercado local, explicam o descompasso entre a entrada de pedidos e o faturamento. “Ficamos surpresos que, dentro de um cenário repleto de incertezas, a entrada de pedidos subia mês após mês, e terminamos o ano com 82% de aumento. Conseguimos rapidamente nos adaptar ao novo nível, graças ao nosso sistema de produção flexível, mas o fornecimento de partes e peças, principalmente as que contêm elementos eletrônicos, se tornou um gargalo”, comentou o executivo.

 

Produzindo em casa

 

Visetti comentou que as dificuldades logísticas e de transporte impostas pela pandemia, com o fechamento prolongado dos portos chineses, desencadearam o fenômeno de “volta para casa” (nearshoring), favorecendo o estabelecimento de parceiros locais para o fornecimento de componentes, o que ajuda a explicar o boom na entrada de pedidos de máquinas a laser, dobradeiras e puncionadeiras da Trumpf.

Esse movimento começou com a fabricação de peças e componentes nos mercados locais, especialmente nos Estados Unidos, Canadá, México e Brasil, e agora já há projetos inteiros sendo desenvolvidos fora da China. “A dificuldade logística acabou virando um problema de planejamento para as empresas. Hoje, elas já consideram os riscos de fazer negócio com uma cadeia distante do ponto de fornecimento, com regras de segurança das máquinas desvinculadas do resto do mundo. É uma onda de volta para a casa, de fabricação no mercado local, especialmente de peças e componentes. O aumento de produção leva à aquisição de máquinas novas, inovadoras, competitivas, características que colocam a Trumpf em posição de liderança”, afirmou Visetti.

 

Quebra das cadeias de suprimento afetou o desempenho

 

Nicola Leibinger-Kammüller, CEO da Trumpf, informou que a interrupção global das cadeias de suprimentos afetou claramente as vendas do grupo: “Apesar de uma alta entrada de pedidos, acabamos produzindo menos máquinas e sistemas a laser do que poderíamos, devido à escassez contínua de semicondutores e componentes eletrônicos. Mas o forte impulso econômico que estamos vendo nos Estados Unidos e na Europa é encorajador, e agora estamos nos beneficiando da forte demanda por nossos lasers especialmente projetados para aplicações na produção de baterias e motores elétricos destinados à eletromobilidade e tecnologia em outras áreas. Estamos entrando no novo ano fiscal com carteiras de pedido robustas, mas as interrupções e incertezas nas cadeias de suprimentos globais provavelmente continuarão impactando a indústria por algum tempo.”

 

Mercado de semicondutores

 

A Holanda é hoje o mercado com melhor desempenho da empresa, com vendas de cerca de 840 milhões de euros. Isso se deve ao crescimento dos negócios de EUV (Extreme Ultra-High Violet), ou luz ultravioleta extrema, desenvolvida a partir de uma parceria do Grupo Trumpf com a empresa de tecnologia holandesa ASML e a alemã Zeiss.

A tecnologia é usada na deposição de gotas de estanho para a produção de chips para o mercado de semicondutores (foto ao lado), setor responsável por grandes gargalos na indústria automobilística, por exemplo, no pós-pandemia.

O segundo maior mercado da empresa são os Estados Unidos, com vendas de cerca de 655 milhões de euros, seguido da Alemanha, com vendas de aproximadamente 590 milhões de euros.


 

Fotos: Grupo Trumpf


 

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