A Associação Brasileira da Indústria Processadora de Aço e o Sindicato Nacional da Indústria Processadora de Aço (Abimetal-Sicetel) lançaram no início deste mês a 15ª edição do Anuário do Mercado de Processamento de Aço, revelando que as suas empresas associadas transformaram 3,3 milhões de toneladas de aço em 2025. O volume total, equivalente a 15,5% do mercado nacional de processamento, apresentou ligeiro recuo de 0,3% em comparação ao ano anterior. A queda decorre do déficit comercial do setor e da pressão exercida pelas importações de aço e derivados, com destaque para os produtos provenientes da China, que representam mais de 50% das compras externas brasileiras no segmento.
A distribuição volumétrica por tipo de laminado aponta algumas disparidades na cadeia de transformação. Os aços longos, destinados à trefilação e à laminação de tiras, barras e arames, somaram 2,6 milhões de toneladas em 2025, o que representa uma pequena oscilação negativa de 0,4% em relação a 2024. Por outro lado, o segmento de aços planos registrou queda acentuada de 27%, totalizando cerca de 575 mil toneladas processadas.
Com relação aos setores consumidores, a indústria em geral (76,0%), a construção civil e infraestrutura (76,0%) e o segmento de máquinas, equipamentos e implementos (72,0%) mantiveram a liderança na demanda junto às associadas da entidade. Houve expansão na participação dos mercados de petróleo e gás (de 36,8% para 48,0%), naval (de 15,8% para 24,0%) e de embalagens e recipientes (de 15,8% para 24,0%). Em contrapartida, os setores automotivo e eletroeletrônico reduziram sua presença entre os compradores, passando de 73,7% para 52,0% e de 57,9% para 28,0%, respectivamente.
A pesquisa apontou também que 21,4% das empresas fornecedoras do setor automotivo e 25,0% das que atendem a indústria em geral possuem nesses segmentos mais de 50% de seu faturamento. As transações com o mercado exterior, no entanto, aprofundaram a balança negativa: o déficit comercial da trefilação e laminação atingiu US$ 823,1 milhões em 2025, impulsionado por um volume recorde de importação de 783,3 mil toneladas (alta de 5,3% frente a 2024), ante exportações de US$ 335 milhões. Diante deste cenário, a indústria nacional prioriza o ganho de eficiência operacional, a aplicação de novas ligas com terras raras para elevação das propriedades mecânicas do material e a diversificação dos mercados de atuação.
O documento inclui ainda análises referentes às sobretaxas norte-americanas, a influência de conflitos bélicos globais no mercado, dados da economia brasileira em 2026 e projeções para 2027. O anuário completo pode ser baixado aqui.
Imagem: Abimetal-Sicetel
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