O Instituto Aço Brasil (Brasil), entidade representativa das usinas produtoras nacionais, registrou no mês de agosto um avanço na produção de laminados e no consumo interno, paralelamente à diminuição da confiança dos executivos do setor, que registrou o menor nível do ano no início de setembro. O movimento reflete as instabilidades do ambiente político-econômico pré-eleitoral e a forte pressão exercida pela entrada de produtos acabados importados no mercado brasileiro.

 

No cenário produtivo de agosto de 2026, a fabricação de aço bruto totalizou 2,7 milhões de toneladas, um recuo de 6,2% em relação a agosto de 2025. Em contrapartida, a produção de laminados — item de uso direto pelos processos de estampagem, caldeiraria etc — atingiu 2,0 milhões de toneladas, sinalizando uma alta de 1,1% na comparação anual.

O segmento de laminados planos somou 1,16 milhão de toneladas (+3,5%), enquanto o de laminados longos ficou em 841 mil toneladas (-2,0%). As vendas internas avançaram 1,8%, alcançando 1,9 milhão de toneladas, impulsionadas pela demanda de planos (+6,2%), ao passo que o consumo aparente de aço subiu 2,3%, atingindo 2,2 milhões de toneladas. As importações diretas de produtos de aço recuaram 19,5% em volume no mês (395 mil toneladas), mas a balança do comércio indireto se manteve deficitária em 367,3 mil toneladas de aço contido em bens manufaturados, como máquinas, equipamentos e veículos.

 

Apesar da recuperação pontual na demanda por laminados planos, o Indicador de Confiança da Indústria do Aço (ICIA), apurado pelo Instituto Aço Brasil (Brasil), recuou pelo quarto mês consecutivo em setembro de 2026, fixando-se em 42,1 pontos — patamar abaixo do limite de 50 pontos que separa o otimismo da retração. O resultado foi determinado pela deterioração da percepção quanto à situação atual, cujo indicador despencou 9,8 pontos, alcançando 36,1 pontos. Por outro lado, o índice de expectativas para os próximos seis meses apresentou uma ligeira reação de 3,6 pontos, subindo para 45,1 pontos. Este panorama exige das estamparias, fabricantes de tubos e prestadores de serviços de corte e dobra uma gestão rigorosa do estoque de matéria-prima e prioridade na eficiência dos processos de fabricação.

 

Imagem: Instituto Aço Brasil

 

 

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