Por Alan Bonel(*)

 

À medida que aumentamos o conteúdo reciclado nas embalagens, surge um desafio técnico e normativo crítico: a segurança química. O Regulamento Europeu  (Packaging and Packaging Waste Regulation, PPWR) e as normas técnicas internacionais como a EN 15348, impõem limites severos para a presença de metais pesados e substâncias perigosas nos plásticos. A soma das concentrações de chumbo, cádmio, mercúrio e crômio hexavalente, por exemplo, não pode exceder 100 mg/kg.

 

Um dos temas mais urgentes em 2026 é o controle das substâncias perfluoroalquiladas e polifluoroalquiladas (PFAS), conhecidas como “produtos químicos eternos”. O PPWR proíbe a colocação no mercado de embalagens em contato com alimentos que contenham concentrações de PFAS acima de limites específicos, devido aos seus riscos à saúde e persistência no meio ambiente.

 

No Brasil, o IREP (Índice de Reciclabilidade) também considera em seu cálculo a presença de aditivos ou tintas que possam comprometer a qualidade da matéria-prima secundária resultante.

 

A reciclagem de plásticos exige, portanto, critérios de sustentabilidade rigorosos para as tecnologias de reprocessamento. A meta é garantir que o material reciclado tenha qualidade suficiente para substituir as resinas virgens sem introduzir riscos inaceitáveis. Isso é especialmente complexo nas embalagens sensíveis ao contato, como as de alimentos e medicamentos, que possuem regulamentação específica e metas diferenciadas de conteúdo reciclado.

 

Para o leitor industrial, a norma é clara: o design para a reciclabilidade deve prever não apenas o fim de vida física do plástico, mas sua integridade química. As empresas devem exigir de seus fornecedores de aditivos e pigmentos informações técnicas precisas (DQL) e preparar-se para auditorias de terceiros que atestem a ausência de substâncias de preocupação.

 

No horizonte de 2030, a licença para operar dependerá da capacidade de entregar polímeros circulares que sejam, ao mesmo tempo, eficientes, econômicos e quimicamente seguros.

 

 

Saiba mais sobre normas para o setor de plásticos acompanhando a seção Normas, no portal da Plástico Industrial.

 

Imagem: Shutterstock

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(*)Alan Bonel é especialista em polímeros e atua há mais de 15 anos com foco em normas técnicas nacionais e internacionais, especialmente nas áreas de ensaios, laboratório e requisitos de montadoras. Compartilha conteúdos técnicos no LinkedIn e no canal do YouTube @bonelsimplificando.

 

 



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