O setor de plásticos, em especial os fabricantes de tubos de polietileno, tem motivos para acreditar num mercado cada vez mais promissor com o Novo Marco Legal de Saneamento Básico. A nova lei, sancionada no dia 15 de julho, visa universalizar e qualificar a prestação dos serviços no setor, o que beneficiará toda a cadeia do sistema em PEAD.

 

Essa projeção otimista dos especialistas em polietileno se deve ao fato de o produto se encaixar nos quesitos exigidos pela nova lei. De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Tubos Poliolefínicos e Sistemas (ABPE), Mauricio Mendonça de Oliveira, a definição na nova legislação, com metas concretas de universalização e de desempenho dos sistemas de água e esgoto demandarão soluções com durabilidade e estanqueidade no longo prazo, que são exatamente as principais características dos sistemas de PEAD lisos (para sistemas de pressão) e corrugados (para sistemas de condutos livres).

 

A questão da concessão das empresas, seja para a iniciativa privada, ou para estatais, em contrapartida de investimentos, capacidade de endividamento e de desempenho técnico de qualidade dos sistemas de água e esgoto, também vai gerar muita demanda por produtos de qualidade assegurada e com durabilidade, na visão do presidente da associação.

 

O polietileno apresenta inúmeras vantagens em relação a outros materiais. Seu sistema usa solda para a junção das tubulações em campo (e não método em ponta e bolsa), o que, entre outras coisas, garante a estanqueidade. A peça evita a incrustação em suas paredes internas e também a esclerose do tubo (um grande problema muito comum em tubulações antigas, nas quais o diâmetro interno dos tubos acaba sendo estrangulado, diminuindo a vazão). O produto é leve, atóxico e de fácil manejo. O tubo preto pode ficar exposto ao sol, sem a necessidade de constantes ações preventivas. É uma peça maleável e, portanto, se acomoda bem ao solo, apresentando alta resistência à abrasão.

 

Diante dessas características, ficam evidentes os benefícios do PEAD para o setor da construção civil. O membro da ABPE e diretor vice-presidente comercial da FGS Brasil, Adriano Meirelles Cunha, explica que a realidade que se impõe é a busca constante por melhoria dos sistemas, de tal forma que o custo seja o menor possível, mas com garantia de qualidade e desempenho, o que já acontece no sistema de PEAD. “Isso já é visto hoje em várias partes do País, onde empresas de saneamento já se renderam aos benefícios apresentados pelo produto”, comenta.

 

O presidente da ABPE cita, como exemplo, o programa de Diminuição de Perdas da Sabesp, com investimento de mais de R$ 3 bilhões, que só usou sistemas em PEAD para a troca de suas redes antigas de distribuição de água. As concessionárias privadas também têm aplicado tubos corrugados em PEAD para coleta de esgoto, em substituição aos materiais anteriormente utilizados.

Segundo ele há atualmente vários segmentos que usam PEAD no Brasil. A distribuição de gás, por exemplo, é feita hoje 100% com sistemas desse tipo. A mineração também tem migrado dos tubos metálicos para o PEAD, dada sua alta resistência à corrosão e a produtos químicos. A irrigação usa sistema em PEAD já faz muito tempo, mas o saneamento básico é o maior mercado no Brasil.

 

Para a ABPE, o Novo Marco traz consigo segurança jurídica para que os setores privados possam participar ativamente da competição para exploração e atendimento ao serviço de saneamento no país. É deste ponto que deriva o resultado final esperado, não só pela injeção de recursos (os números variam entre R$ 400 bilhões pelo ângulo do setor privado, a R$ 700 bilhões até 2033, pela ótica do Ministério da Economia), mas passando também pela melhoria da qualidade do serviço prestado, finalizando com o aumento substancial da população atendida com abastecimento de água e coleta (e tratamento) de esgoto. Além disso, o que se espera com a universalização do atendimento é que o uso do sistema em PEAD seja adotado por todas as companhias, como já é feito com as principais empresas estaduais e por todas as empresas privadas.

 

“Se efetivamente implantado, o Novo Marco Legal de Saneamento Básico trará, sem dúvida, muitos avanços para o País. Em primeiro lugar, em termos de qualidade de vida. A pandemia evidenciou a necessidade de lavar as mãos com frequência. Mas, sem água tratada, que é um direito de todo cidadão, tudo isso fica muito complicado”, afirmou Adriano, ressaltando os benefícios que a coleta e o tratamento de esgoto trazem à saúde pública. “Já é de conhecimento que para cada R$ 1 investido em esgotamento sanitário, deixa-se de gastar R$ 4 na saúde, com tratamento de doenças causadas por esse mesmo esgoto, quando lançado a céu aberto”.

 

Na opinião do presidente da ABPE, haverá um aumento significativo na quantidade de negócios na indústria de tubos para saneamento. “As estimativas de investimento nos 20 anos variam entre 500 a 700 bilhões de reais, se formos conservadores e considerarmos 500 bilhões, estamos falando da ordem de 70 a 100 bilhões em materiais da nossa cadeia produtiva, um número que representa 2,5 vezes o que a nossa indústria tem faturado nos últimos anos. Em termos de empregos diretos, é possível chegar a dobrar a mão de obra em nosso segmento, na fase de pico dos investimentos”, analisa.

 

Maurício considera que a indústria de tubos e conexões de PEAD estabelecida no Brasil, está muito bem preparada para atender às novas demandas do setor, pois tem totais condições de aumentar a sua capacidade produtiva para suprir as futuras demandas dos próximos 20 anos.



 

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