A montadora de automóveis norte-americana Ford, com unidade em São Bernardo do Campo (SP), fez uma parceria com a rede de fast food McDonald's para promover o uso de um subproduto da torrefação de café em peças plásticas automotivas.

Por meio de pesquisas, as companhias descobriram que a palha de café – casca seca do grão que sobra no processo de torrefação –, incorporada em material polimérico, proporciona o aumento das propriedades de reforço em certos tipos de peças, criando um material durável. Segundo elas, o projeto pode dar novo destino a boa parte das milhares de toneladas de palha de café que são geradas por ano, normalmente usadas como adubo ou carvão.

 

Quando aquecida a altas temperaturas sob baixo oxigênio e misturada com material plástico e aditivos, a palha de café (que provém do Brasil e outros países da América Latina) dá origem a um granulado que pode ser moldado em vários formatos. Segundo a Ford, os componentes feitos com esse composto são cerca de 20% mais leves e consomem até 25% menos energia no processo de moldagem.

 

O composto apresenta maior resistência ao calor, se comparado ao material usado atualmente, o que favorece a aplicação em peças como carcaças de faróis e outros componentes no compartimento do motor. Veja abaixo o vídeo explicativo do projeto.

 

 

Para Debbie Mielewski – líder técnica do time de sustentabilidade e pesquisa de novos materiais da Ford – e Ian Olson – diretor de sustentabilidade global do McDonald's –, o compromisso de ambas as companhias com a inovação e com ações de sustentabilidade foram fatores que impulsionaram o projeto que envolve ainda a participação da Varroc Lighting Systems, fornecedora de faróis, e a Competitive Green Technologies, processadora da palha de café.

 

Além desse projeto, uma das prioridades da Ford tem sido o avanço na economia de circuito fechado, em que diferentes indústrias trabalham juntas e trocam materiais que, de outra forma, seriam descartados. Desde 2007 a montadora já emprega espuma à base de soja em bancos e forros, PET reciclado de garrafas na confecção de tapetes e caixas de roda, cascas de arroz, tomate e celulose em componentes internos, princípios de captura de CO2 para produção de espumas e bambu em compostos plásticos para peças internas e no compartimento do motor.

 

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(Fotos: Ford Motor Company)



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