Adalberto Rezende, da redação.
Escolas da rede SENAI já incluíram em sua grade de cursos temas que envolvem a utilização de inteligência artificial (IA) em aplicações na indústria de manufatura. Este assunto é abordado nos treinamentos “Inteligência artificial na programação CNC” e “Inteligência artificial no monitoramento da manutenção preditiva”, os quais serão ministrados em diversas unidades SENAI do Estado de São Paulo a partir de agosto (veja a agenda ao final da matéria).
Os cursos têm formato presencial e duração de 40 horas, com aulas voltadas para o setor metal mecânico, a exemplo da introdução aos fundamentos da inteligência artificial aplicados na programação CNC de máquinas de usinagem, elaboração de comandos, chamados de “prompts”, que poderão ser executados por assistentes virtuais e planejamento de ações colaborativas envolvendo a inteligência artificial generativa.
A grade curricular dos cursos também é composta por aulas sobre o desenvolvimento de competências relativas à análise e interpretação de dados por meio de prompt, utilizando software de monitoramento de plantas industriais e processos, assim como a execução de tarefas e segurança no trabalho em conformidade com especificações, procedimentos e normas técnicas.
Adoção de IA por desenvolvedora de tecnologia de PU
A Hausthene Poliuretanos (Mauá, SP) está intensificando o uso de inteligência artificial nas operações realizadas no seu chão de fábrica. Thais Tezza, diretora da empresa, conversou com a reportagem da Plástico Industrial e comentou: “Um dos primeiros passos para a integração de IA à rotina da Hausthene foi a utilização dessa tecnologia no desenvolvimento de projetos envolvendo engenharia de produtos fabricados com poliuretano (PU)”.
Thais também comentou sobre algumas ações que podem contribuir para que empresas transformadoras de plásticos consigam consolidar a integração da IA às suas operações industriais como, por exemplo, “começar pelas dores dos seus clientes e as suas também, organizar conhecimento técnico, mensurar os resultados dos trabalhos desde o início e envolver pessoas interessadas em inteligência artificial”.
Como começar a usar IA na indústria
Pequenas e médias indústrias transformadoras de plásticos que pretendem dar os primeiros passos no uso de IA em suas operações podem, nas palavras de Weligton Pinto, diretor sênior de arquitetura de cloud para projetos estratégicos da Oracle América Latina (São Paulo, SP), “usar o modelo de inteligência artificial que mais se aproxima do perfil delas, ou, melhor ainda, podem optar pelas IAs que as pessoas que integram suas equipes estão habituadas a usar”.
Weligton sugeriu algumas ações que podem ser iniciadas no chão de fábrica, temas que foram abordados em um encontro realizado no início de agosto no SENAI Jairo Candido (Mauá, SP), evento organizado pela CIESP Santo André.
De acordo com o executivo da Oracle, sistemas baseados em inteligência artificial generativa podem ser treinados e utilizados na gestão de projetos e fabricação de produtos, processamento de dados provenientes de linhas de produção e também do controle financeiro. “Um começo pode consistir, por exemplo, na análise do fluxo de trabalho que já é realizado e, a partir daí, pode-se envolver a IA na elaboração de ideias que levariam à otimização de processos realizados no chão de fábrica, integrada ainda com tecnologia operacional (TO)”, comentou Weligton.
A previsão de problemas que podem ocorrer em parques fabris também é um tema que as pequenas e médias indústrias podem abordar no aprendizado da IA. “A inteligência artificial precisa ser alimentada com informações, se possível, o tempo todo. Não pode haver achismos no trabalho real do dia a dia, então uma ideia inicial que também deve ser trabalhada fundamentalmente é a ‘adoção da IA’ por pessoas que realmente gostem de tecnologia. Assim, a dica é escolher profissionais que já estejam familiarizados com a inteligência artificial e incluí-los nos projetos de implementação dessa tecnologia”, concluiu Weligton.
Outros tópicos que podem ser abordados por empresas interessadas em IA:
Visão computacional: integração de inteligência artificial em sistemas de monitoramento de processos fabris, visando à redução de desperdício de materiais, por exemplo;
Garantia da qualidade e segurança: implementação de aplicativos baseados em IA na inspeção de produtos e para envio de alertas sobre riscos de acidentes no trabalho;
Atendimento ao cliente: a inteligência artificial pode operar integrada a plataformas de suporte técnico, auxiliando os clientes em casos de dúvidas frequentes e/ou em situações que requerem atendimento imediato;
Orçamento de projetos: automatização do fornecimento de informações sobre preço, prazo e processo de compra, e também direcionamento para canais de atendimento.
Escolas SENAI que oferecem cursos de IA
Veja a seguir as Escolas SENAI do Estado de São Paulo que seguem com inscrições abertas para cursos que têm a inteligência artificial em sua grade curricular e que serão realizados em 2026.
Curso “Inteligência artificial na programação CNC”:
Campo Limpo Paulista – início em 24 de agosto;
Guarulhos – início em 27 de agosto;
Sertãozinho – início em 27 de agosto;
São Bernardo do Campo – início em 1 de setembro;
São Paulo – início em 8 de setembro;
Campinas – início em 23 de setembro.
Curso “Inteligência artificial no monitoramento da manutenção preditiva”:
Guarulhos (SP) – início em 14 de outubro de 2026.
Mais informações estão disponíveis pelo link: https://www.sp.senai.br/cursos/cursos-livres/fabricacao-mecanica-e-mecanica-industrial?pag=2
Imagem: UNIKYLUCKK / Shutterstock.
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