A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) divulgou o relatório de dados conjunturais do mês de fevereiro de 2026, revelando um cenário de desafios persistentes para o setor produtivo nacional. No período, o consumo aparente de máquinas e equipamentos — que soma a produção nacional destinada ao mercado interno com as importações — totalizou R$ 28,9 bilhões, o que representa uma queda nominal de 14,2% em comparação ao mesmo mês do ano anterior. Esse recuo é ainda mais acentuado quando analisado o acumulado do primeiro bimestre de 2026, que registra uma retração de 17,9% em relação ao primeiro bimestre de 2025. O desempenho negativo é atribuído, em grande parte, à manutenção de taxas de juros reais elevadas, que encarecem o crédito para aquisição de bens de capital e postergam decisões de investimento em ampliação de capacidade fabril.

 

A análise detalhada do faturamento líquido total do setor aponta para uma redução de 14,5% em fevereiro, alcançando a marca de R$ 20,4 bilhões. Essa queda foi influenciada tanto pela retração das vendas no mercado interno quanto por uma perda de rentabilidade nas exportações, impactada pela valorização de 11% da moeda nacional frente ao dólar no último ano. Enquanto o mercado interno sofre com a baixa demanda da indústria de transformação e do setor de bens de consumo duráveis, as vendas externas, embora tenham crescido 20,5% em volume financeiro no comparativo interanual para atingir US$ 1,06 bilhão no mês, enfrentam margens mais estreitas devido ao câmbio e ao aumento dos custos logísticos globais.

 

As importações e o papel da China

 

No âmbito das importações, o Brasil adquiriu o montante de US$ 2,56 bilhões em maquinário estrangeiro durante o mês de fevereiro de 2026. A China consolidou-se como o principal player desse mercado, sendo responsável por 36% de todas as máquinas que entraram no país, seguida pelos Estados Unidos com 16,8% e pela Alemanha com 10,7% (gráfico ao lado). Nem mesmo a queda de 2,7% nas importações de máquinas em geral no primeiro bimestre não se estendeu aos bens provenientes da China.

 

As importações de máquinas para processamento de metais apresentaram uma alta de 7,4% no bimestre. Esse movimento sugere que, embora o volume total de compras tenha caído, ainda há nichos de modernização tecnológica que buscam no mercado chinês soluções de automação e precisão para manter a competitividade mínima frente aos produtos importados.

 

A fragilidade da demanda interna também se refletiu na ocupação da estrutura produtiva dos fabricantes de máquinas. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) encerrou o mês de fevereiro em 78,5%, permanecendo abaixo da média histórica. Outro dado preocupante trazido pela Abimaq é a redução da carteira de pedidos, que agora garante apenas nove semanas de produção futura, uma redução de 6,4% em relação ao patamar registrado no mesmo período de 2025. Essa falta de visibilidade quanto ao fluxo de encomendas no curto e médio prazo tem levado as empresas a adotarem uma postura defensiva, priorizando a gestão de caixa em detrimento da renovação tecnológica.

 

Como consequência direta desse desaquecimento produtivo, o setor de máquinas e equipamentos registrou o fechamento de aproximadamente 3 mil postos de trabalho somente em fevereiro de 2026. Atualmente, o quadro total de colaboradores do setor soma 414,8 mil pessoas, o que representa uma estabilização negativa após os picos de contratação observados em anos anteriores.

 

A entidade ressalta que a manutenção do emprego na indústria depende fundamentalmente de uma sinalização mais clara de queda no custo de capital e de políticas de incentivo à depreciação acelerada, que poderiam reverter a tendência de encolhimento do setor e garantir a continuidade da modernização da base industrial brasileira no restante do ano.

 

 

Imagens: Abimaq

 

 

 

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