Hellen Souza, da redação

O último levantamento da Anfavea sobre o desempenho do setor automotivo no Brasil apontou uma alta de 18% dos emplacamentos de automóveis e veículos comerciais leves no primeiro bimestre deste ano, em comparação ao mesmo período de 2025. O mês de fevereiro se destacou com uma média diária de emplacamentos de 10,3 mil unidades, acima das 8,1 mil de janeiro e das 9,2 mil de fevereiro de 2025, consolidando-se como a segunda melhor média mensal dos últimos dez anos.

 

Merece atenção também o avanço dos modelos elétricos, que representaram 15,9% do total de emplacamentos, como divulgou a instituição, informando ainda que os modelos produzidos em solo brasileiro já representam 43% do volume de unidades emplacadas.

 

Para o setor de corte e conformação de metais, a chegada e a expansão das montadoras chinesas de veículos elétricos BYD e GWM representa também abertura de mercado para fornecedores locais, em especial as estamparias. O cenário de compra de peças estampadas brasileiras por essas montadoras é de transição acelerada, saindo do regime de montagem de kits importados (CKD) para a nacionalização efetiva a curto prazo.

 

A GWM, com unidade em Iracemápolis (SP), iniciou sua operação brasileira em 2025 com um foco na nacionalização e meta de 60% até o final de 2026, homologando fornecedores e apresentando, já em 2024, uma lista de mais de 100 componentes elegíveis para produção local.

 

Já BYD, que começou a produzir em Camaçari (BA) em 2025, anunciou a intenção de incluir 50% de conteúdo local nos seus automóveis, atuando por meio do programa “A BYD quer conhecer você”, que busca sistemistas e estamparias locais.

 

O investimento necessário

 

Para atender aos requisitos de montadoras como BYD e GWM, as estamparias brasileiras estão passando por processos rigorosos de homologação, com foco em padrões de construção diferentes dos veículos a combustão tradicionais. Isso vai exigir investimentos dos fornecedores em recursos produtivos que assegurem tais padrões de qualidade.

 

Dentre as exigências estão o domínio da conformação de aços de alta e ultra-alta resistência (AHSS), comuns em veículos eletrificados para garantir a redução de peso sem prejuízo da segurança, bem como os do tipo Dual Phase (DP) e aços especiais para estampagem a quente.

 

Observar as normas de referência que seguem padrões internacionais como a ISO 20805 (para aços de alta resistência) e especificações internas baseadas na GB/T (normas nacionais chinesas), que são harmonizadas com a IATF 16.949, que é o pré-requisito fundamental, definindo o sistema de gestão da qualidade específico para o setor automotivo, com foco na prevenção de defeitos e redução de variação na cadeia de suprimentos.

 

Atender a normas como ISO 14001 também é desejável devido ao forte apelo "verde" das marcas de veículos elétricos, o que inclui o controle ambiental do processo de estampagem, no que se refere a impactos como o descarte de sobras de processo e fluídos. A ISO 45001, relacionada à saúde e segurança ocupacional, também é um padrão global exigido nas linhas de manufatura a ser seguido pelos fornecedores da cadeia.

 

O projeto dos componentes dos automóveis, com vãos de carroceria muito reduzidos, também vai exigir mais precisão dos processos de estampagem, assegurada com o uso de máquinas de medição por coordenadas (MMC) ou scanners 3D a laser. As tolerâncias da ordem de frações de milímetros, exigem também o uso de softwares que simulam o retorno elástico (springback) para ajuste das as matrizes.

 

As montadoras seguem ainda o protocolo PPAP (Production Part Approval Process) no processo de aprovação, exigindo que o fornecedor prove que seu processo de manufatura é estável e capaz de manter a qualidade em alta cadência, com variações dimensionais mínimas.

 

Para as estamparias que já atendem montadoras tradicionais, a adaptação envolverá uma nova cultura e a habilidade de trabalhar com novos materiais. Já para as que iniciam no segmento, o desafio é investir em automação e instrumentação dos seus processos industriais.


 

Confira aqui o artigo técnico Análise das deformações principais em componentes automotivos estampados


 

Imagem: Anfavea

 

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