A reconfiguração dos parques fabris para atender aos requisitos do conceito de “Indústria 4.0” tem orientado os fabricantes de máquinas para processamento de plásticos. Entre elas, as injetoras são protagonistas, seja pela diversidade de produtos que podem ser fabricados por esse processo ou pelo número de máquinas instaladas no parque fabril brasileiro. De acordo com o mais recente Inventário PI, elas constituem 37% do parque total de máquinas para transformação de plásticos, conforme pode ser visto abaixo.

 

Gráfico aponta a representatividade das injetoras na distribuição dos equipamentos no parque brasileiro de transformação de plásticos, de acordo com o Inventário PI de 2020

 

Além disso, um recente estudo da Associação Alemã de Fabricantes de Máquinas e Equipamentos Industriais (VDMA) feito junto a  empresas brasileiras do setor de injeção que fornecem para a indústria automobilística identificou um nível de automação considerado alto em 61% delas, ao passo que a mesma medição feita junto a empresas dos setores de sopro e extrusão resultou em um nível baixo para 100% das empresas (veja figura abaixo).


Sondagem da VDMA sobre o mercado brasileiro identificou o setor de injeção como o que apresenta nível mais alto de automação do maquinário

 

Conforme definido pela VDMA, as máquinas modernas são muito mais do que peças móveis de aço. São sistemas complexos com muitos sensores e softwares que otimizam o processo de produção. “Com mais informações disponíveis na máquina e algoritmos ágeis, desvios são detectados rapidamente e o processo pode se ajustar automaticamente antes que a qualidade do produto seja comprometida”, informou o engenheiro Harald Weber, da divisão de Tecnologia e Inovação da VDMA para o setor de Plásticos e Borracha.

 

Para ele, a Indústria 4.0 agora significa troca de dados/informações entre máquinas para aumentar a qualidade e eficiência de toda a produção: as injetoras trocam dados com dispositivos periféricos (por exemplo, controladores de temperatura ou sistemas de câmara quente), enquanto sistemas de execução da fabricação (manufacturing execution system, MES) centrais monitoram o trabalho de todas as máquinas de uma unidade fabril, independentemente do fabricante. Isso só é possível de forma eficiente com interfaces padronizadas.

 

Com máquinas e processos cada vez mais complexos, as interfaces de hardware até então existentes (plugues separados para cada sinal) atingiram seus limites, e por isso, sob orientação da  Associação Europeia de Fabricantes de Máquinas para Plásticos e Borracha (Euromap) e da OPC Foundation, os fabricantes de máquinas têm desenvolvido novas interfaces com base na arquitetura unificada OPC (OPC UA).

 

Conforme explicou o engenheiro, este padrão de interoperabilidade garante a troca segura e confiável de dados no campo da automação industrial em vários setores. Enquanto o OPC UA define apenas a tecnologia de comunicação (como se comunicar), as chamadas Companion Specifications (algo como as especificações complementares) definem quais dados são trocados (o que comunicar). “É importante ter ambos aceitos internacionalmente para alcançar a compatibilidade global das máquinas”, concluiu Weber.

 

Entre os vários protocolos existentes, o OPC UA tem sido apontado como o que atende mais amplamente à demanda da indústria, adequando-se à combinação entre tecnologia operacional (TO) e tecnologia da informação (TI). Por isso foi definido como padrão pela VDMA para o desenvolvimento de recursos de Internet das Coisas para o setor industrial (iIoT, de industrial Internet of Things).

 

Além de promover a troca de dados entre cliente e servidor, ele conta com princípios de interoperabilidade e conectividade para dados relativos ao chão de fábrica. Também é desenvolvido com tecnologia multiplataforma, podendo ser embarcado diretamente em dispositivos.

 

Coube à Euromap, por intermédio da comissão 77, presidida por Harald Weber, estabelecer os padrões da interface entre máquinas injetoras e os sistemas de execução da manufatura (manufacturing execution systems, MES) para a troca de dados entre os equipamentos. Graças às interfaces interoperáveis, novas máquinas podem ser integradas de forma mais eficiente em cenários de produção existentes e novos. A Euromap 77, cuja primeira versão foi lançada em 2018, torna viável a coleta e troca de dados de injetoras de diferentes fabricantes pelos sistemas MES, garantindo a interoperabilidade, outro requisito fundamental para os novos modelos de produção digitalizada.

 

A adaptação do maquinário de transformação para o trabalho de acordo com os conceitos da indústria 4.0 passa pelo sensoriamento das inúmeras etapas de processo, o que permite a captura de dados a serem manipulados pelos sistemas de armazenamento e análise de dados.

 

A implantação de inteligência artificial em máquinas e equipamentos (machine learning) também figura entre os estágios do aperfeiçoamento das linhas de produção. Trata-se de sistemas de software e hardware que conferem autonomia aos equipamentos para que eles realizem processos e até tomem decisões relacionadas a, por exemplo, à configuração de parâmetros e ajustes mecânicos, assim como ao armazenamento de dados referentes ao surgimento de anomalias e correções executadas. 

 

A implantação de um projeto 4.0 deve levar em conta os recursos computacionais envolvidos e para isso é necessário formar equipes ou contratar serviços de empresas especializadas no desenvolvimento e integração dos sistemas, incluindo os do tipo MES, que consistem, de maneira geral, em uma classe de software situada entre os destinados à automação no chão de fábrica e aos sistemas corporativos da empresa, denominados ERP (enterprise resource planning).

 

Importante ferramenta da automação industrial, o MES monitora a produção em tempo real, avaliando as perdas e os ciclos produtivos. Integrado ao ERP, pode interferir diretamente nas ordens de produção, efetuando apontamentos normalmente impossíveis de serem feitos de forma manual. Possibilita, por exemplo, o acompanhamento do processo de produção desde a emissão de ordens de serviço até a fabricação do produto final.

 

Uma lista de recursos que caracterizam um equipamento como adaptado às rotinas de produção típicas da indústria 4.0 pode incluir:

 

 

Entre os benefícios da adoção desses recursos para os transformadores de plásticos estão o aumento da eficiência da produção, melhora da qualidade dos produtos e gerenciamento das máquinas, e a redução de ocorrência de erros e defeitos. Cria-se também um ambiente de produção mais intuitivo e previsível, capacitado a atender aos requisitos de diferentes certificações de qualidade que podem ser exigidos por clientes de setores como o automobilístico ou de eletroeletrônicos.

 


Os fabricantes de injetoras se adaptam aos padrões da Indústria 4.0

Para atender à demanda por equipamentos voltados para a Indústria 4.0 no Brasil, muitos fabricantes de máquinas, bem como desenvolvedores de robôs e softwares, passaram a comercializar modelos que incorporam boa parte dos recursos descritos anteriormente.  A assessoria dos fabricantes, por sinal, é fundamental para o sucesso na adoção de rotinas de indústria 4.0 pelos transformadores de plásticos.


 

Arburg

A indústria 4.0 tem sido uma premissa para o desenvolvimento de equipamentos da alemã Arburg praticamente desde o surgimento desse conceito. A empresa desenvolveu um portal em que estão concentrados mecanismos e diretrizes do desenvolvimento de máquinas, denominado arburgXWorld, passando a conceber maquinário  tendo em vista a sua integração com recursos de IoT, análise de Big Data, computação em nuvem, aspectos de cibersegurança, realidade aumentada, integração de sistemas, aprendizagem de máquina, integração com robôs, manufatura aditiva, sistemas de simulação e serviços inteligentes, incluindo o serviço remoto, que garante o suporte técnico a qualquer tempo e em qualquer lugar, acessível também em dispositivos portáteis.  “Nós temos notado um interesse crescente de nossos clientes pelo tema Indústria 4.0, buscando maior conhecimento e principalmente oportunidades de introdução dessas tecnologias em suas fábricas. Acreditamos que o desafio causado pela pandemia e a intensificação do uso de ferramentas digitais em nosso dia a dia  também contribuíram para uma maior demanda por este tipo de inovação", informou Alfredo Fuentes, diretor da unidade brasileira da empresa.  

 

Portal do programa arburgXWorld exibe as possibilidades de configuração de um equipamento da empresa

 

 

Biasa

A Biasa, importadora de produtos da FCS (sediada em Taiwan), fornece máquinas com o sistema iMF 4.0 (de Intelligent ManuFactory System) que pode ser incorporado às injetoras a fim de ajustar e controlar independentemente seus parâmetros. De acordo com informações disponíveis no site da taiwanesa, o sistema utiliza módulos inteligentes de detecção para melhorar o rendimento e reduzir desperdícios na produção. O iMF 4.0 pode ser usado independentemente da marca da máquina, de modo que o gestor possa compreender prontamente o status da produção e entrar rapidamente com contramedidas, se necessário, caso haja ocorrências de produção anormais.

 

Ilustração do iMF 4.0, sistema de gerenciamento de produção compatível com diversas marcas de injetoras (fonte: FCS)

 

Para David Araújo, engenheiro da Biasa, “O conceito da Indústria 4.0 é essencial para o Brasil poder se posicionar mais competitivamente no mercado mundial. Mesmo pensando em melhorar a taxa de exportação de produtos acabados, isso fica limitado sem considerar a implantação dessa filosofia. Estamos ainda engatinhando e precisamos acelerar o crescimento, porém estamos no caminho certo”. Dentre os recursos disponíveis para integração com o sistema, estão: Internet das coisas (IoT), análise de Big Data, acesso remoto a informações sobre a produção, integração de sistemas (MES/ERP, por exemplo), compatibilidade de operação com robôs e manipuladores em geral e robôs colaborativos, sistemas de simulação e serviços inteligentes.


 

Engel

Uma plataforma chamada inject 4.0, que tem como uma de suas premissas o desenvolvimento de injetoras compatíveis com dispositivos que permitam a sua interconectividade via sistemas digitais, foi desenvolvida pela Engel, com matriz na Áustria e subsidiária em Cotia (SP). O programa também visa à criação de canais virtuais de comunicação voltados para o gerenciamento remoto de linhas de produção compostas por robôs e/ou equipamentos que podem auxiliar no processamento de plásticos, por exemplo.

 

De acordo com Udo Löhken, diretor da empresa, as diretrizes desse projeto incluem a fabricação de injetoras configuradas para operar de forma integrada a sistemas compostos por dispositivos para fins de controle de processo via interface OPC-UA.

 

Exemplos de etapas de processo que podem ser integradas e coordenadas via sistema MES de acordo com a proposta da Engel a partir de um programa de digitalização das rotinas de produção

 

Além disso, fazem parte desse pacote sistemas inteligentes capazes de identificar falhas em processos, canais para acesso remoto a informações sobre a produção no chão de fábrica, com a possibilidade de integração entre plantas via Internet, assim como computação em nuvem, integração de sistemas, aprendizagem de máquina, simulação de processos e cibersegurança. Programas para trabalhos que envolvam robôs manipuladores e realidade aumentada também fazem parte do portfólio.

 

 

Eurotech

A Eurotech atua no Brasil como representante da fabricante de injetoras BMB (Itália), a qual possui o Selca SP6000 (Industry 4.0), um sistema que, de acordo com a italiana, transforma as máquinas em “entidades comunicantes inteligentes” mesmo remotamente. O serviço de assistência remota permite intervenções em tempo real por meio de uma ligação à rede da empresa e uma ligação à Internet. O conteúdo da página da tela do sistema de controle da máquina pode ser visualizado em estações de trabalho fixas ou por meio de dispositivos móveis, permitindo diagnósticos e intervenções nos parâmetros de trabalho das injetoras. Além disso, o sistema pode ser programado para exibir notificações por mensagens ou enviar e-mails para um smartphone em caso de anomalias detectadas.

 

Injetora elétrica da BMB compatível com sistema 4.0 (fonte: Eurotech)

 

Segundo César B. Fagundes, diretor comercial da Eurotech, “No Brasil,  apesar de o conceito ‘Indústria 4.0’ ser promissor e de apresentar benefícios incontestáveis quanto à integração de múltiplas operações de injetoras com equipamentos periféricos e outros sistemas, a evolução ainda é tímida”. Ainda assim, a interatividade do sistema possui recursos de conectividade como: Internet das coisas (IoT), analytics, computação em nuvem, realidade aumentada, integração de sistemas, aprendizagem de máquina, robôs e manipuladores, e robôs colaborativos.

 

Sistema voltado à Indústria 4.0 espelha painel de controle das injetoras, em tempo real, via Internet (fonte: BMB)


 

Haitian

A fabricante chinesa, com unidade brasileira em São Roque (SP), lançou oficialmente em 2019 o sistema de rede inteligente Go Factory Cloud 2.0, que centraliza o conjunto de recursos para a indústria 4.0 e permite o gerenciamento remoto do ambiente de produção. A plataforma inclui interface para Internet das Coisas (IoT), recursos de computação em nuvem, integração de sistemas MES/ERP e serviços inteligentes.

 

Motion Plus e Connectivity Plus são as bases da proposta para digitalização da produção nas máquinas da Haitian 

 

O sistema Motion Plus, desenvolvido pela empresa, conta com um algoritmo inteligente para controle da abertura e fechamento de moldes, estabelecendo um laço fechado para todo o processo de injeção tendo em vista o prolongamento da vida útil do ferramental. Já o Connectivity Plus dá suporte à integração com equipamentos periféricos, sistemas de automação e sistemas MES.

 

 

HDB

Um programa denominado EM 77/83, que tem como uma de suas funções conectar máquinas injetoras a sistemas de comunicação digital como ERP, BDE e MDE, incluindo equipamentos auxiliares ao processamento de plásticos, foi desenvolvido pela Dr Boy, da Alemanha, representada no Brasil pela HDB, situada em Cotia (SP). A empresa tem como parceira a ProSys, para integração dos sistemas via protocolo OPC-UA.

 

Além disso, as máquinas fornecidas pela companhia são concebidas para operar de forma integrada a sistemas digitais que abranjam Internet das coisas (IoT) e também ao aplicativo “BOY App” (exemplo na imagem), por meio do qual clientes podem monitorar remotamente suas linhas de produção. Entre os serviços inteligentes oferecidos pela empresa está o Boy Remote Service (BRS), para ajuda online, via smartphone.

 

Aplicativo para gerenciamento remoto de operações executadas por injetoras no chão de fábrica é uma das ferramentas desenvolvidas pela Dr. Boy

 

O portfólio consiste ainda em ferramentas digitais para acesso a informações do chão de fábrica de unidades fabris distintas, gerenciamento de operações realizadas por robôs manipuladores e plataforma virtual voltada para assistência técnica e prestação de serviços. Um vídeo que mostra exemplos de aplicações dos equipamentos desenvolvidos pela empresa pode ser visto pelo link https://url.gratis/n6tf4M. 

 

 

Husky

O gerenciamento de programas voltados para o desenvolvimento de injetoras, e de plataformas digitais configuradas para a coleta e processamento de dados provenientes de parques fabris, é uma das principais atividades realizadas atualmente pela canadense Husky, com filial em Jundiaí (SP). Ela dispõe de um sistema chamado ShotScope 4.0, cuja função principal é armazenar e transmitir informações oriundas de processos industriais relacionados à fabricação de artigos plásticos.

 

De acordo com informações fornecidas pela companhia, uma central de monitoramento de processos em tempo real chamada Advantage+, com capacidade para executar ações de prevenção de problemas típicos de linhas de produção e emitir alertas para clientes, também opera simultaneamente com outros de seus sistemas que possibilitam a conexão entre máquinas e ambientes físicos e virtuais.

 

As injetoras da Husky podem fornecer dados sobre processos por meio de interfaces que permitem a sua conexão com plataformas digitais

 

Paulo Carmo, gerente de negócios da empresa, disse que todos os equipamentos contam com interfaces que permitem a conexão com sistemas digitais. Segundo ele, isso abrange desde dispositivos para trabalhos com robôs e realidade aumentada até Big Data e plataformas virtuais para compilação de dados.

 

“Os conceitos da Indústria 4.0 fazem parte de uma tendência global e o Brasil não fica de fora. Aliás, o País sempre demonstra grande interesse na adesão às novidades, embora, às vezes, com uma defasagem de tempo. Mas isso vem se reduzindo ao longo dos anos. Hoje temos uma indústria ávida por novidades na busca por competitividade. Na indústria de embalagens, por exemplo, há casos de liderança em termos tecnológicos em relação à média global”, concluiu.


 

Krauss Maffei

O grupo alemão Krauss Maffei, com unidade comercial em São Paulo (SP), criou o programa DataXplorer e o aplicativo Social Production. O primeiro consiste no desenvolvimento de canais virtuais que permitam a transmissão de dados captados diretamente de injetoras para outros equipamentos instalados no chão de fábrica, assim como para ambientes em nuvem.

 

Já o segundo, possibilita o monitoramento de linhas de produção e o fornecimento de informações para operadores de máquinas e membros de departamentos que estejam conectados à plataforma de comunicação digital gerida pela companhia.

Ilustração esquemática da plataforma digital criada pela Krauss Maffei para dar suporte técnico a operadores de injetoras e equipes envolvidas no processamento de plásticos

 

Por meio dessa tecnologia é possível prestar serviços de assistência técnica de forma remota, os quais são executados por especialistas em maquinário para processamento de plásticos. Isso inclui ainda suporte técnico para operações robotizadas complementares à injeção de polímeros, além de realidade aumentada, sistemas de segurança cibernética e muitos outros.


 

LS Mtron

Com escritório em São Paulo (SP), a coreana LS Mtron conta com a plataforma CSI para digitalização da produção, que propicia uma interface simplificada para a coleta de dados e monitoramento de funções das injetoras integradas a equipamentos periféricos. Todos os recursos associados à Indústria 4.0 relacionados anteriormente estão presentes no maquinário desenvolvido pela empresa. “O Brasil está entrando em uma nova fase. Acredito que está aos poucos evoluindo para esta tecnologia, pois muitos clientes já estão procurando por esta solução”, informou Kiham Kin, representante da empresa.

 

O vídeo disponível nesse link descreve a proposta de fábrica inteligente, apoiada no sistema CSI.

 

Esquema de integração proposto pela LS Mtron com sua plataforma CSI



Milacron

Sediada nos Estados Unidos, com subsidiária em Campinas (SP), a Milacron disponibiliza o software M-Powered, um portfólio de serviços observacionais, analíticos e de suporte em tempo real de fácil utilização, o qual aproveita a tecnologia iIoT e executa algoritmos que utilizam aprendizagem de máquina para monitorar as operações das injetoras (presentes em qualquer parte do mundo) e alertar antes de potenciais problemas. O software torna disponíveis dados e recursos gráficos para melhorar aspectos da qualidade de engenharia, dos métodos de processamento, dos impactos ambientais, bem como da competitividade econômica.

 

Recursos como análise de Big Data, computação em nuvem, cibersegurança, realidade aumentada, MES integrado com ERP, machine learning, robôs e manipuladores, robôs colaborativos e serviços inteligentes também fazem parte do pacote de serviços oferecidos pela empresa. Além disso, a companhia oferece recursos online e aplicativos como serviços de monitoramento remoto para a visualização e acompanhamento de suas máquinas em computadores, tablets e smartphones. O conjunto de aplicativos fornece dados de máquina em tempo real e análises avançadas para maximizar a produção, os quais estão disponíveis separadamente, podendo ser agrupados.

Serviços de monitoramento remoto da Milacron (fonte: Milacron)

 

Segundo Ronaldo Valezin, gerente de serviços da empresa na América do Sul, “Notamos um interesse crescente de nossos clientes por nossa ferramenta e pela Indústria 4.0 em diversos níveis. Conforme o mercado amadurece, existem recursos disponíveis para atender todos os níveis de interesse. Alguns podem pular para uma planta totalmente autônoma, enquanto outros podem tirar vantagem do suporte remoto e estoque de peças com reduzida interação de relatórios analíticos e painéis informativos (dashboards). Comparando a curva em países onde o uso da ferramenta é integral versus a atualidade no Brasil, cremos que o País alcançará esse potencial de uso em um curto espaço de tempo”.


 

Pamatech

A Pamatech, importadora exclusiva e representante da fabricante italiana de injetoras Negri Bossi, relatou sobre o Amico 4.0, uma solução digital que permite que máquinas de moldagem por injeção compartilhem dados de produção em todo o mundo, com possibilidade de visualização remota, suporte de processo, monitoramento de produção e adaptação de processo, caso necessário. Segundo a representante, as linhas de máquinas fabricadas pela companhia italiana são concebidas para operar de forma integrada com recursos como: Internet das coisas (IoT), análise de Big Data, recursos de computação em nuvem, realidade aumentada, integração de sistemas, machine learning, robôs e manipuladores, robôs colaborativos, sistemas de simulação e serviços inteligentes.

Injetora modelo NOVA s600T, da Negri Bossi, compatível com sistemas de automação (fonte: Negri Bossi)


 

Romi

As linhas de máquinas injetoras fornecidas pela Romi (Santa Bárbara d’Oeste, SP) apresentam configuração que lhes permite operar conectadas a sistemas digitais voltados para o gerenciamento remoto de processos. O projeto dos equipamentos foi elaborado com base nos conceitos da Indústria 4.0 e incluiu, por exemplo, a compatibilidade de seus componentes com dispositivos auxiliares.

 

Outro tipo de tecnologia que passou a integrar esse portfólio, neste caso voltada para a manufatura aditiva, também conhecida como impressão 3D, é a série de máquinas operatrizes Hybrid. Segundo informações fornecidas pela empresa, esta linha é composta por equipamentos de usinagem que contam com sistema que pode executar processos de deposição de materiais poliméricos.

 

Projetos de fabricação de injetoras, na visão da Romi, devem cada vez mais incluir a sua compatibilidade com sistemas digitais, além de interconectividade com equipamentos auxiliares

 

Pedro de Alcântara, diretor do departamento de tecnologia e de novos negócios da companhia, comentou sobre a evolução de equipamentos para processamento de plásticos no Brasil no que diz respeito à sua aproximação com os conceitos da Indústria 4.0: “O mercado brasileiro está acompanhando a tendência mundial quando o assunto é Indústria 4.0, apresentando grandes avanços tecnológicos. O tema propõe a constante evolução das tecnologias com foco na digitalização, flexibilidade, capacidade de uso massivo de dados e relação custo-benefício adequada, demonstrando que não devemos nos acomodar com as tecnologias atuais”.

 

O executivo também disse que, “é possível ter mais produtividade e eficiência com o desenvolvimento de novos recursos que proporcionem essas vantagens”.

 

 

Shibaura

A japonesa Shibaura, com escritório em São Paulo (SP), desenvolveu a plataforma de machineNet IoT+m para integração do conceito de indústria 4.0, com a proposição de soluções para quatro possíveis questões: falta de pessoal e aumento de produtividade, paradas inesperadas da máquina, distribuição das bases de produção e melhoria e estabilização da qualidade. Todos os recursos se baseiam na integração via protocolo aberto (OPC UA) para troca de informações de status dos equipamentos, as quais são processadas e analisadas por algoritmos de aprendizagem de máquina definidos para se chegar à resolução dos problemas detectados.

 

Recursos de conectividade, análise de Big Data, computação em nuvem, realidade aumentada, integração de sistemas MES/ERP, simulação de processos, cibersegurança e serviços inteligentes constam do portfólio de produtos e serviços, assim como a interface simplificada para integração de robôs manipuladores em geral e colaborativos.

 

A japonesa Shibaura manteve a atenção nos clientes fabricantes de itens essenciais durante a pandemia

 

De acordo com Laura Sati Ueda, executiva da Shibaura, “a Indústria 4.0 no Brasil é incipiente, mas a influência da globalização e a mitigação dos efeitos da crise econômica devem estimular a sua adoção por empresas líderes de mercado. Cada vez mais elas incluirão as tecnologias digitais na rotina de trabalho”.

 

Durante a pandemia a empresa tem atuado fortemente no fornecimento de máquinas para os chamados “fabricantes essenciais”, que produzem itens como EPIs, kits de teste para Covid-19, componentes para sistemas de ventilação e embalagens. Detalhes do sistema de controle são exibidos no vídeo disponível nesse link.



Simco

Quando perguntada sobre uma plataforma ou software próprio para a realidade 4.0, a Simco – fornecedora de máquinas operatrizes e injetoras para termoplásticos baseada em Campinas (SP) – informou não possuir um programa específico de conectividade. Entretanto, a companhia dispõe de máquinas que operam de forma integrada com robôs e manipuladores em geral. De acordo com ela, seu comprometimento em trazer e fomentar a Indústria 4.0 no País segue firme, uma vez que seus produtos de ponta são concebidos para oferecer conectividade, em especial com robôs, que são o maior foco de investimento para os próximos anos, “além dos que já possuímos atualmente como os comandos e controladores, os quais são 100% integráveis a sistemas 4.0”, destacou o diretor de bussiness development, Vitor Ortega.

 

O uso de periféricos na indústria de transformação de plásticos se tornou indispensável. Por isso, passamos a oferecer esses produtos a valores acessíveis para atender empresas de todos os portes. Apostamos na tecnologia para ampliar a eficiência e qualidade do setor”, concluiu.

 

Robô industrial cartesiano modelo SVC Trijet, fornecido pela Simco (fonte: Simco)

 

Recentemente, a Simco passou a fornecer periféricos especificamente voltados às injetoras, tais como robôs manipuladores, robôs cartesianos, moinhos trituradores, termorreguladores, secadores e esteiras, por exemplo. Os periféricos otimizam os processos, tornando a produção mais eficiente, diminuem o desperdício de matéria-prima, economizam energia e reduzem custos em geral, tornando a empresa mais competitiva.

 


Sumitomo SHI Demag

O programa My Connect, que abrange o desenvolvimento de tecnologia para o ramo de plásticos com base nos conceitos da Indústria 4.0, está entre as iniciativas da Sumitomo SHI Demag, com sede na Alemanha e subsidiária em Itu (SP). Esse projeto tem como um de seus pilares a fabricação de injetoras e a configuração delas de forma que permitam a integração de sistemas virtuais de, por exemplo, monitoramento remoto e processamento de dados coletados a partir de linhas de produção.

 

 

Exemplo de sistema digital voltado para o processamento de dados provenientes do chão de fábrica que faz parte do portfólio da Sumitomo SHI Demag

 

Serviços de assistência técnica e para a comercialização de peças de reposição também constam do portfólio da companhia. Estes podem ser solicitados por meio de diferentes canais de comunicação, além da opção de o atendimento ser realizado in loco.

 

De acordo com informações fornecidas pela empresa, o suporte técnico é realizado por especialistas da área de injeção e de equipamentos auxiliares indicados para a produção de itens plásticos.


 

Tederic

A chinesa Tederic, com subsidiária brasileira em São Paulo (SP), assumiu o slogan Smart Injection ao ingressar no mundo 4.0. Todos os seus modelos de máquinas operam de acordo com a plataforma parceira Keba Easynet, que assegura a conectividade entre máquinas, periféricos e sistemas de gerenciamento. Recursos para o funcionamento sob o conceito de IoT industrial já estão disponíveis, tais como monitoramento simultâneo do status do processo de produção em nuvem em diferentes países e diferentes fábricas. Os dados coletados e transferidos para a nuvem são protegidos por sistemas oferecidos pela Google, Huawei, Ali-Cloud, entre outros. Nos modelos da linha NEO, além do monitoramento, está disponível um sistema de controle remoto do processo com recursos estáveis e precisos para todas as máquinas que compõem o parque fabril do cliente.

 

O sistema MES das máquinas funciona integrado a muitos outros, inclusive ao ERP.


Os modelos de máquina contam ainda com a função de autoaprendizagem (machine learning) para se adaptar a diferentes condições de trabalho, e a interface Euromap 67 integrada à injetora permite oferecer os recursos necessários para a integração com robôs colaborativos e manipuladores em geral. 

 

Nova linha de máquinas da Tederic incorpora recursos de conectividade

 

Uma nova série lançada este ano na feira Chinaplas, realizada em abril, em Shenzhen, além de incorporar o comando Keba, cujos controladores oferecem suporte para protocolos de dados OPC/UA e ModBus, possui recursos de programação que permitem a sua adaptação a uma variedade de requisitos especiais de processo. A previsão é de que esta linha esteja disponível no Brasil no segundo semestre deste ano.


 

Wittmann

A fabricante de origem austríaca com subsidiária brasileira em Vinhedo (SP) possui uma plataforma denominada Wittmann 4.0 para centralizar informações e recursos sobre as linhas de máquinas concebidas para operar em ambiente de produção digitalizada, incluindo células de manufatura inteligentes. Recursos como iIoT, análise de Big Data, computação em nuvem, proteção  e cibersegurança, realidade aumentada, integração de sistemas, aprendizagem de máquina, interface para operação de robôs e manipuladores, sistemas de simulação e serviços inteligentes fazem parte do pacote de produtos e serviços oferecidos pela empresa para o segmento de injeção. O nível de controle se estende à medição de condições no interior dos cilindros das máquinas.

 

Esquema da plataforma Wittmann 4.0, o portal da fabricante austríaca Wittmann para a produção digitalizada em injetoras

 

Para Cássio Luis Saltori, diretor da unidade brasileira, a Indústria 4.0 tem seguido uma evolução significativa dentro da indústria brasileira. “As ferramentas disponíveis hoje são fundamentais em virtude das condições impostas pelo distanciamento social. A facilidade de conectividade e integração dos equipamentos, o armazenamento dos dados produtivos e os controles de processos podendo ser visualizados a qualquer momento e à distância, sem dúvida alguma, são um diferencial e uma inovação que estará cada vez mais presente no chão de fábrica”, afirmou. 


 

Woojin Plaimm

A coreana Woojin Plaimm desenvolveu uma plataforma dedicada especialmente à conexão das injetoras a computadores pessoais. Denominado Central Monitoring System (CMS), o sistema  permite o monitoramento de muitas máquinas ao mesmo tempo, gerenciando dados de produção de cada uma delas, integradas em uma rede local (LAN). As informações sobre status de operação das máquinas são coletadas e tratadas por essa base de dados em tempo real, tornando-se acessíveis em diferentes computadores remotos.

 

Um vídeo explicativo sobre o sistema está disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=5g6DqWSe9Qg.

 

Tela do aplicativo Speed Club, da Woojin Plaimm, que agiliza a assistência remota

 

Entre os serviços inteligentes que a empresa oferece está a plataforma operada por meio do aplicativo Speed Club, que gerencia recursos como consultoria técnica e serviços pós-venda, os quais ficam acessíveis a qualquer hora, de qualquer lugar. 



Ação nacional visa promover a Indústria 4.0

A transformação digital na indústria está diretamente ligada à agenda de competitividade do País, e assumiu importância a ponto de suscitar a criação, em 2019, da Câmara Brasileira da Indústria 4.0, reunindo governo, representantes da indústria e da academia, sob a coordenação dos ministérios da Economia e da Ciência, Tecnologia e Inovação. O objetivo é cumprir uma agenda de ações visando aumentar a competitividade da indústria brasileira e inserí-la nas cadeias globais de valor, introduzindo o uso de tecnologia de ponta.

 

Consta do plano um detalhamento das ações a serem implementadas, as iniciativas já tomadas neste sentido e a definição de tarefas para as instituições parceiras envolvidas, bem como o status de cada uma delas. Esse cronograma consta de um documento de 21 páginas, que pode ser baixado nesse link. Instituições como Abimaq e Abiplast, ABII, VDI  e Embrapii, Finep, CNPq e Senai são algumas das comprometidas na execução do plano. 


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